da utopia a distopia...
diario da pandemia...
27 de março


que saibamos aprender tudo que esse minúsculo invisível, está tentando nos alertar e tenhamos a sabedoria de reconhecer equívocos e mudar a partir disso...que a vida brote, simples e linda como todxs merecemos!
17 de abril
27 de março
“Somos todos um”, talvez seja a maior lição a aprender com esse invisível, estamos todos conectados e totalmente vulneráveis...o Príncipe Charles no seu castelo, esta tao sujeito ao Corona, quanto qualquer um de nós, e que todos as tralhas que compramos e todo o dinheiro que possamos ter guardado, não nos garantirão a vida, como não garantiram a vida do presidente do banco espanhol , nem da primeira vítima do RJ, uma doméstica que foi obrigada a servir a patroa infectada, o egoísmo e o individualismo são vírus antigos e letai (precisam ser eliminados com urgência)
Não querendo ser fatalista, a realidade é que pode e vai faltar acesso ao ar para muitos, independente do “mérito”, da classe ou da cor...mas , mesmo eu discípula de Pollyanna, sei que na escolha ao acesso ao respirador, ainda seguirão e se acentuarão as diferenças... Os números assustadores de mortos, ainda não deixaram de ser meros números e estatísticas, para alguns... que asseguram com uma naturalidade assustadora: “ podem morrer 7 mil, mas idosos, doentes...mas que o mercado não pode parar”... se ainda não foi possível enxergar, que nossa predatória e virulenta forma de exercer a vida, precisa ser alterada, quantos mais precisarão morrer?
Quanto mais precisa pra que nossa humanidade, nossa o capacidade de empatia e entendimento do “amai-vos uns aos outros “ desperte?
Um mundo não pode ser feliz e digno, enquanto alguém tiver como casa uma marquise e a possibilidade de morrer de fome e frio...enquanto outros tiverem” dinheiro pra viver 20 vidas”, como disse o presidente de El Salvador, enquanto uma mãe chorar por não ter como alimentar um filho, nossa “humanidade” e o conceito de “civilização” estão perdidos . Estamos diante de um abismo social, em guerras de disputa de territórios e de poços de petróleo, entre outras atrocidades, há muito tempo, mas seguíamos alheios, como se isso não nos dissesse respeito, como se fossemos só “gotas desse oceano” incapacitados de repensar seu curso injusto e seu tsunami.
Eu tive apneia essa noite, não é uma coisa nova, e espero que não seja corona, mas a falta de ar que me despertou, é bem desesperadora a sensação, e aí lembrei tristemente, foi assim que muitos das tantas vítima se foram e se não tivermos consciência muitas mais irão...
Será preciso quantos mortos para que a vida seja enfim valorizada? Lucro se recupera, vidas não, o que ainda falta pra que isso seja entendido?
... O vírus eo planeta estão gritando, se quisermos continuar a viver por aqui, vamos ter que repensar conceitos: lucro, concentração de rendas, “logicas” do mercado, teremos que rever ações e práticas, teremos que e entender o que a Natureza, que é um Deus lindo tenta nos ensinar diariamente: a AMAR com toda a sua força e a impermanência, já não é hora de aprendermos a SER sem causar dano pra ninguém?
O
Koho Mello
me ensinou uma citação do Rumi: “não somos uma gota no oceano, somos o oceano em gotas”, e é aqui da minha quarentena privilegiada com teto, agua, comida, janelas e sol , que eu percebo a força desse mar de solidariedade e empatia que esse vírus, fez desaguar...Eu quero que esses privilégios sejam DIREITOS, não para alguns, mas para todos.
Se vamos lavar nossas almas enxovalhadas e confusas de apegos, ainda é cedo pra saber.
Se vamos aproveitar a oportunidade para rever as absurdas diferenças sociais que assolam o mundo, e faziam as filas do PFdasRUAS crescerem a cada novo sábado, ainda é cedo pra saber. Existe uma possibilidade, é JUNTXS que ela se faz, eu passei essa semana tentando fazer a minha parte de gota: alimentando gente, alcançando o que posso, dividindo esperança e boas palavras, apoiando coletivos e existem lindos, aplaudindo as boas ações que surgiram, e surgiram maravilhas, a SOLIDARIEDADE é por hora o único antivirus que vi surgir, como é bonita e milagrosa a multiplicação do bem.17 de abril
beira a insanidade em mim mas, eu tento...e usando um olhar mais Pollyannesco...(eu preciso ) essa pandemia já deixou Muito CLARO :
- que a vida se enriquece e ganha sentido é nas trocas, que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço (a Martha Medeiros já sabia),
- que o SUS é fundamental (não dá pra privatizar saúde por que é um direito)
- que ensino a distância ao menos na formação infantil, não funciona (aliás que educação também é um direito)...
agora só falta que as escolas (e a maioria das gentes) tenham uma formação baseada no SER, mais HUMANITÁRIA desconsiderando a competição, o apego e o ter como sentido mais elevado de valores, e considerando a integralidade do SER (Isso a Maria Montessori também já sabia)...
...
enfim...muito a saber e fazer...por que “SABER E NAO FAZER, AINDA É NÃO SABER
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26 de julho
Eu achava lá no início, que essa pandemia seria uma oportunidade para repensarmos, valores e formas de organização social e o que afinal era ESSENCIAL. Entrei nela com essa utopia e esperando que a parada, nos fizesse valorizar e preservar, o que realmente tinha valor... mas com o correr dos dias, com as tantas perdas, a indiferença diante das vidas, com o descaso, com o egocentrismo elevado a décima potência, com a ignorância preponente e petulante de muitos, fui murchando... mas de alguma forma isso tudo ficou muito claro e sem máscaras.
Hoje mesmo pensei, uma pessoa tem que sentir um complexo de inferioridade absurdo, pra dar carteiraço e precisar se dizer sou melhor do que você, né?
A prepotência é uma clara demonstração do quão abaixo tu está a nível humano e de alma 

E isso a pandemia está mostrando plenamente...


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