tu é uma boa pessoa, só falta um pouco de ódio...
Eu ouvi essa frase ontem, de uma pessoa que me conhece há uma vida...
de inicio eu pensei que a pessoa tinha dito ÓTICA, e atribui a minha eterna insistente e pollyanesca vontade de ver sempre 'o melhor',e ate brinquei fazendo um jogo de palavra: eu tenho ética demais e pouca otica...e a pessoa reforçou e só ali entendi...sim é boa, tem muita ética e te falta odio...
Dormi com essa informaçao, estou aqui cavocando ela... nos meus cantos... bom que é domingo, dia bom pra fazer faxina.. e estou aqui, pensando onde botei o meu odio?...
Antes talvez eu precise antes, voltar ao meu entendimento de AMOR, e nisso o meu amigo-anjo Enio Lindebaum acaba de fazer uma contribuicao valiosa:" ...com o tempo voce descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso." Eu acho que fui essa crianca, esperando um outro amor e nao reconhecendo o que efetivamente recebia... e como nao o reconhecia, me senti(a) em eterna falta, fui esse tipo de gente que nao testou os limites do amor, se eu sequer o reconhecia, como testa-lo?
.. Talvez nunca tenha me sentido autorizada a sentir né? Numa casa onde ninguém nunca brigou ou gritou, nao aprendi a reconhecer que as raivas e ate os odios eram destemperos humanos, ate aceitáveis... desenvolvi essa outra que se magoa ("magoa é odio de freira" li um dia e super me identifiquei), essa outra que RE-sente e RE-prisa e chora, eu choro muito, provavelmente e isso foi sacada da minha filha, eu aprendi desaguar assim, todos os gritos e os destemperos que nunca tive... desenvolvi tudo isso numa infância que fui bem "certinha", tentando ser olhada e amada, achando que amor era uma especie de prêmio por bom comportamento... vendo esse quadro me parece obvio, que demostrar algum ódio seria correr muitos riscos...
é tudo uma questao de dose...me disse a pessoa, e é verdade...
falta uma dose pra delimitar espaço
me falta essa dose ...de amor e de odio, ambos exigem risco e auto-permissao
o mesmo texto la de cima, fala em raiva e diz: "que com o tempo voce entende que pode sentir raiva, mas ela nao te dá o direito de ser cruel"
o que talvez o meu cuidado extremo em ser amada, jamais me permitiu, ou pior, me permitiu uma crueldade que eu tambem nao reconheco... sera?
....
dia desses assisti um filme potente, e que só ao final soube se basear numa historia real.. MAUDIE
na minha primeira leitura e revolta (pura projeçao), aquela era uma relaçao abusiva e ela se submetia, aceitava o que recebia, por nao ter quem a amasse aquele minimo possivel... com o desenvolver da historia, eu pensei, talvez ele só nao saiba amar, talvez ela também nem saiba o que seja ser amada e talvez eles aprendam juntos... vejam o filme e me digam o que acham... talvez faltasse odio pra Maudie, talvez sobrasse odio pro marido e talvez com o tempo eles tenham aprendido a viver de um jeito que nao se machucassem com isso...e desenvolvido um amor possível nesse terreno incerto...
E talvez seja o necessario, aprender a se reconhecer...a sentir, a se autorizar a odiar e amar, sem se machucar nem machucar irreversivelmente ninguem com nosso odio/ amor...e isso eu ainda nao aprendi...
O que viemos aprender aqui foi a AMAR e é um longo e dificil caminho, por que pessoa nenhuma é facil de amar... e talvez só capacitados a odiar a gente chegue no amor... estou pirando sera?
Vou terminar esse texto cheio de talvez... e fazer uma comida gostosa, porque isso aprendi com as minhas avós (mesmo sem terem me permitido cozinharmos juntas e nem tendo me deixado as receitas - e isso era uma das tantas idealizaçoes minha), ambas demonstravam carinho em forma de comida... hoje é dia delas e se estou aqui tentando aprender a ser mae e cozinhar, devo a oportunidade de ter um pai e uma mãe que os úteros delas me deram
gratidao 
vó Alice
Vó Dorila
Felizes as pessoas que tiveram avos acolhedores e amorosos, como eu tive, cada uma a seu modo, felizes os que conseguem ser esses avos mesmo nao tendo recebido esse tanto de cuidado
parabens pra todos, ser mae e pai é uma revolução linda, ser avo e avó é uma benção dupla...
de inicio eu pensei que a pessoa tinha dito ÓTICA, e atribui a minha eterna insistente e pollyanesca vontade de ver sempre 'o melhor',e ate brinquei fazendo um jogo de palavra: eu tenho ética demais e pouca otica...e a pessoa reforçou e só ali entendi...sim é boa, tem muita ética e te falta odio...
Dormi com essa informaçao, estou aqui cavocando ela... nos meus cantos... bom que é domingo, dia bom pra fazer faxina.. e estou aqui, pensando onde botei o meu odio?...
Antes talvez eu precise antes, voltar ao meu entendimento de AMOR, e nisso o meu amigo-anjo Enio Lindebaum acaba de fazer uma contribuicao valiosa:" ...com o tempo voce descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso." Eu acho que fui essa crianca, esperando um outro amor e nao reconhecendo o que efetivamente recebia... e como nao o reconhecia, me senti(a) em eterna falta, fui esse tipo de gente que nao testou os limites do amor, se eu sequer o reconhecia, como testa-lo?
.. Talvez nunca tenha me sentido autorizada a sentir né? Numa casa onde ninguém nunca brigou ou gritou, nao aprendi a reconhecer que as raivas e ate os odios eram destemperos humanos, ate aceitáveis... desenvolvi essa outra que se magoa ("magoa é odio de freira" li um dia e super me identifiquei), essa outra que RE-sente e RE-prisa e chora, eu choro muito, provavelmente e isso foi sacada da minha filha, eu aprendi desaguar assim, todos os gritos e os destemperos que nunca tive... desenvolvi tudo isso numa infância que fui bem "certinha", tentando ser olhada e amada, achando que amor era uma especie de prêmio por bom comportamento... vendo esse quadro me parece obvio, que demostrar algum ódio seria correr muitos riscos...
é tudo uma questao de dose...me disse a pessoa, e é verdade...
falta uma dose pra delimitar espaço
me falta essa dose ...de amor e de odio, ambos exigem risco e auto-permissao
o mesmo texto la de cima, fala em raiva e diz: "que com o tempo voce entende que pode sentir raiva, mas ela nao te dá o direito de ser cruel"
o que talvez o meu cuidado extremo em ser amada, jamais me permitiu, ou pior, me permitiu uma crueldade que eu tambem nao reconheco... sera?
....
dia desses assisti um filme potente, e que só ao final soube se basear numa historia real.. MAUDIE
na minha primeira leitura e revolta (pura projeçao), aquela era uma relaçao abusiva e ela se submetia, aceitava o que recebia, por nao ter quem a amasse aquele minimo possivel... com o desenvolver da historia, eu pensei, talvez ele só nao saiba amar, talvez ela também nem saiba o que seja ser amada e talvez eles aprendam juntos... vejam o filme e me digam o que acham... talvez faltasse odio pra Maudie, talvez sobrasse odio pro marido e talvez com o tempo eles tenham aprendido a viver de um jeito que nao se machucassem com isso...e desenvolvido um amor possível nesse terreno incerto...
E talvez seja o necessario, aprender a se reconhecer...a sentir, a se autorizar a odiar e amar, sem se machucar nem machucar irreversivelmente ninguem com nosso odio/ amor...e isso eu ainda nao aprendi...
O que viemos aprender aqui foi a AMAR e é um longo e dificil caminho, por que pessoa nenhuma é facil de amar... e talvez só capacitados a odiar a gente chegue no amor... estou pirando sera?
Vou terminar esse texto cheio de talvez... e fazer uma comida gostosa, porque isso aprendi com as minhas avós (mesmo sem terem me permitido cozinharmos juntas e nem tendo me deixado as receitas - e isso era uma das tantas idealizaçoes minha), ambas demonstravam carinho em forma de comida... hoje é dia delas e se estou aqui tentando aprender a ser mae e cozinhar, devo a oportunidade de ter um pai e uma mãe que os úteros delas me deram
vó Alice
Vó Dorila
Felizes as pessoas que tiveram avos acolhedores e amorosos, como eu tive, cada uma a seu modo, felizes os que conseguem ser esses avos mesmo nao tendo recebido esse tanto de cuidado


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