é só um inverno...vai passar...
Eu queria te dizer que vai passar, por que efetivamente tudo sempre passa, e eu venho me cantando esse mantra toda vez que me dou colo, e me nino, pronto, pronto é só um inverno, vai passa..apesar dessa urgência, tudo tem amanhã... e eu sei disso ha 56 anos, tudo tem amanha... mas saber e nao fazer ainda é nao saber, diz a filosofia oriental e eu sei, ainda preciso muito fazer, pra que os invernos nao me tirem a força...
Acordei com minha árvore sequinha, acompanho ela ha anos, virou minha mestra, desde que me mudei pra frente dela...ja tentou me ensinar maravilhas e talvez essa do inverno tenha sido a mais eficaz...numa das nossas primeiras aulas, eu a vi seca e chorei sua morte, mas ela brotou plena na próxima primavera e assim tem sido, há anos... e o meu sofrimento inicial diante da sua pseudo fraqueza é por que eu ainda nao sabia ...
Hoje ela acordou seca , nenhuma folha e logo o Facebook me mandou essa lembrança...
Essa é a árvore que me dá lição de vida, no inverno ela fica assim.. se reforçando por dentro, pra poder logo mais, fazer primavera 
bom dia de inverno
pra nós
*”Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!
Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.
Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.
O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.
Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.
Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.
Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.
Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!”

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