meu jeito torto...
As vezes a gente nem sabe onde esta indo, e tem tanta pressa e urgência né? Melhor parar, olhar, sentir... tão simples e as vezes, tão difícil...
Pra mim, sempre foi muito difícil...
Eu me julgava compulsiva... assim corria quase sem perceber o tanto ... vivia meio sem jeito, sem registro claro e sem estar presente...minha terapeuta que me conhece bastante, ja disse que eu nao sou compulsiva, sou ansiosa, só... como se fosse pouco... a ansiosa pode virar glutona e comer uma barra inteira de chocolate (ja nao faço mais isso), uma barra inteira engolida, mesmo perdendo o prazer e o gosto, la no terceiro pedaço... foi a ansiedade que muitas vezes me fez perguntar e eu mesma responder, falar na frente das pessoas sem freio, tentando adivinhar suas respostas, a ansiedade é uma marca infantil, talvez uma tentativa de controle, talvez uma traço de doença que eu nao tenha tido tempo pra curar e me olhar e averiguar os porquês ... a ansiedade me atrapalhou e atrapalha muita a vida, ja gerou poesia ate, mas eu geral provoca mesmo é ansia, gastrite, insônia, dores nas costas, medos e antecipações desnecessárias, é um certo jeito torto e trágico de (vi)ver a vida, esperando estar "pronta" para tudo que vier, mesmo que já esteja velha pra saber, que pronto nunca se está... o que fiz (faço?) comigo mesmo é um estado bem estressante de antecipação, de nao deixar a vida ser e nao me deixar ser na vida, com leveza e sem prevenções... nada nos previne da dor, e sei bem, que evitar a dor, foi sempre minha boba tentativa...
algumas poesias da ansiedade:
"nao te assusta com esse amor
que te entrego de bandeja
sou uma atriz sem teatro
preciso criara essas luzes
preciso dessa ilusão
nao te assunta, nao foge
nao te apavora
só me ajuda nessaa cena
só me beija
e depois
pode ir embora"
Releio com tristeza...Eu ansiosamente "entrego de bandeja"/ ja digo que é exagero/ antecipo uma rejeição e ja libero que vá... e provavelmente viro as costas ate antes.....
" inventei o amor eterno
só pra disfarçar
minha incapacidade
de ser presente"
" por que nao tive tempo
de aprender
que é vento
nem caí do voo
feito passarinho
fiz de mim urgencia
sobressalto, susto
fiz de mim arbusto
com ansia de coqueiro
grama que nao sabe
ser só verde e rala
lua que nao quer
minguar para crescer
me forcei atalhos
desfiz natureza
assim voando presa
ao tronco que criei"
Eu aqui, me relendo e revendo esses voos que foram talvez por isso pouco arriscados e de baixa altura, sou obrigada a reconhecer que o tronco que abraço e levo junto é ainda uma tentativa de escudo, o que certamente nunca evitou nada de dor... bem ao contrario, me levou pra baixo muitas vezes, me esborrachou noutras tantas..
"ansiedade é um buraco
que se escava por dentro,
uma erosão auto imposta,
gerada pelo medo
de um buraco
de onde
nunca mais se saia... "
"antecipo
intuo
me apresso
como falando com gago
completo a frase
imagino
sofro antes
criança esquecida
na porta do colegio
cultivei a sensação
doída
de ser deixada
eternamente "
um buraco ou um tronco podem (de um jeito torto) fazer companhia...
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