de se olhar, reconhecer e refazer...
“queria poder voltar
ao ponto exato
onde perdemos a intimidade
um minuto antes
de nos tornarmos distantes
com uma máquina do tempo
revisar,editar, fazer novas cenas
e nos resgatar...”
Um dia a intimidade como que por encanto se desfaz, palavras que não se disse ou se disse além, atos realizados ou adiados, opiniões que desconhecíamos, sabe se lá o que, mas de repente podemos olhar para o lado e desconhecer quem um dia julgamos conhecer intimamente.
Junto com esse despertar de consciência, algumas realidades tornam-se inviáveis, alguns sonhos evaporam, alguns projetos perdem totalmente o sentido.
Como é preciso muita coragem para enfrentar rupturas, por um tempo, tentamos refazer as cenas, colar cacos, mudar móveis e conceitos de lugar, inventar outros sentidos, criar roteiros de férias, tentar novos brilhos, negando o óbvio...
“já somos imagens desfocadas
insisto
lustro nossa lembrança embaçada
tenho medo de esquecer
e esqueço e refaço
e repenso e recrio
imagens
visões - oásis - mais nada”
Um dia o nada vem e nos desmascara e aí, o jeito é recolher os restos, reinventar a vida.
E para seguir em frente talvez tenhamos que aceitar que nos iludimos e criamos expectativas grandes demais e para isso a frustração é inevitável.
Calma se sobrevive! E não se cobre em demasia esse processo é humano, tentar, inventar, viver pela metade, querer retornar, conseguir refazer, desistir, insistir, mil coisas...Crescer pode doer, mas no fim das contas, alivia.
Por que crescer é reconhecer o que não volta, tirar da bagagem o que não nos pertence e seguir a viagem mais leve...
tantos dias horas anos
que vivi só no futuro
ou remoí em passado
tanta vontade escondida
e a fantasia babaca
que o tempo resolveria
hoje sei e já é tarde
a vida começa e termina
a cada minuto do dia
Não dá pra projetar felicidade pra outra hora
Se é pra ser feliz (e é), que seja AGORA!
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