mofo&desconexão
Eu
acordei sentindo falta de conexão, não dessa WiFi nem dessas bem falhas
dos nossos celulares, aquela outra que é tão mais, de se reconhecer em
olhares, de compartilhar silêncios sem que eles atordoem, de abrir a
alma sem receio, de saber do outro e ter e permitir acesso ao que lhe é
mais íntimo,frágil e grande, de estar perto por estar conectado ...
Esse cinza ininterrupto me mofa por dentro e talvez me bloqueie essa capacidade, será que perdi a minha própria senha?
Esse cinza ininterrupto me mofa por dentro e talvez me bloqueie essa capacidade, será que perdi a minha própria senha?
Ontem ao assistir uma cena linda no cinema,
pautada na dificuldade de expressão de sentimentos entre uma família, fui
invadida por essa sensação doída de que esperamos demais dos outros, e
esperamos muitas vezes o que lhes é impossível e sofremos e nos magoamos pelas
incapacidades alheias, gerando muitas vezes bloqueios e incapacidades em nós.
Ninguém pode medir o quanto uma palavra dita ou calada, o quanto um toque,
feito ou negado, o quanto um conceito, um olhar, uma crítica, um abraço, uma
abandono, uma aceitação podem alterar a nossa vida, pode formar ou deformar
nosso caráter, nossa capacidade se sentir ou expressar.
O sentir como o escrever, pode
despertar empatia, projeção, repulsa, medo, insegurança, pode mexer com quem
está do outro lado, mas sempre será “lido” através da lente das experiências do
outro, o sentimento, e nisso o amor é o maior exemplo, nos pertence de uma
forma tão íntima, que nem sempre mesmo compartilhado em anos, beijos, abraços,
intimidade e dia a dia consegue ser totalmente exposto ou entendido.
Sentimento-humano...difícil-acesso, assim como os detalhes que
necessitamos para nos sentir aceitos e amados, ás vezes são ínfimos e
desnecessários aos olhos alheios, e podem ao não existir, desfazerem qualquer
possibilidade de contato. Uma parte lá fica a descoberto, uma parte lá exige
senha de acesso, senha essa que nós mesmos muitas vezes esquecemos de desbloquear...
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