mexendo no passado
Lá no ultimo espaço que resta, a dispensa, me aguarda o passado que resistiu a algumas mudanças, por piedade ou apego.
As lembranças que permaneceram silenciosas por tanto tempo, devem temer meu veredicto.
Me aguardam poesias e já nem lembro que emoção que as provocaram, fotos de outros tempos, cadernos rabiscados, hora da faxina...
Estou disposta a limpar terreno, hoje estou achando quase tudo, lixo seco.
Pego um caderno muito antigo e tento adivinhar folheando o que registrei ali.
Antes do blogs, eu tinha diários, que foram substituídos ao morar sozinha por cadernos sem chave, ninguém me leria a menos que eu permitisse.
Por que será que me permiti tão exposta? Penso no meu blog-diário e não acho resposta.
Uma poesia com letra quase adolescente, ali perdida, me lembra:
Ah, essa dificuldade
que torna vago
o gesto apaixonado
que torna muda
a palavra e a vontade
que já não brinca´
por que está cansada
que já desiludiu
até perder a conta
que quer e mente
por que vê perigo
e deixa a vida
sem nenhum sentido
tornando amargo
o que devia ser doce...
e mais adiante, como um toque de Iching, uma outra poesia toda rasurada:
lavar com confort
o corpo
com omo
lavar a alma
deixar de molho
a cabeça
com q-boa
pra clarear
amaciada-branca-alva
podia recomeçar...
Guardo o caderno e respiro resignada,emoções e passado orgânicos demais pra que eu tenha pretensão de me livrar deles num saco de lixo seco.
As lembranças que permaneceram silenciosas por tanto tempo, devem temer meu veredicto.
Me aguardam poesias e já nem lembro que emoção que as provocaram, fotos de outros tempos, cadernos rabiscados, hora da faxina...
Estou disposta a limpar terreno, hoje estou achando quase tudo, lixo seco.
Pego um caderno muito antigo e tento adivinhar folheando o que registrei ali.
Antes do blogs, eu tinha diários, que foram substituídos ao morar sozinha por cadernos sem chave, ninguém me leria a menos que eu permitisse.
Por que será que me permiti tão exposta? Penso no meu blog-diário e não acho resposta.
Uma poesia com letra quase adolescente, ali perdida, me lembra:
Ah, essa dificuldade
que torna vago
o gesto apaixonado
que torna muda
a palavra e a vontade
que já não brinca´
por que está cansada
que já desiludiu
até perder a conta
que quer e mente
por que vê perigo
e deixa a vida
sem nenhum sentido
tornando amargo
o que devia ser doce...
e mais adiante, como um toque de Iching, uma outra poesia toda rasurada:
lavar com confort
o corpo
com omo
lavar a alma
deixar de molho
a cabeça
com q-boa
pra clarear
amaciada-branca-alva
podia recomeçar...
Guardo o caderno e respiro resignada,emoções e passado orgânicos demais pra que eu tenha pretensão de me livrar deles num saco de lixo seco.
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