nos deixar tocar
Esperança é provavelmente a palavra que mais citei em tudo que escrevi até hoje, talvez só ganhe em citações a palavra amor, eu era "viciada" em amor ou sou membro fundador do fã-clube, assim como fui até agora uma espécie de fã da esperança, como se todo o sentido da vida estivesse contido em crer e como se crer e esperar fossem sinônimos. Des-esperança sempre me pareceu muito próxima do desespero e da dor.
Bobagem que reconheci há pouco, iluminada pelas palavras de uma budista, esperança assim como o apego são danosos. E são danosos por que ¿jogam¿ com cartas viciadas, jogam com o ter e o pseudo-ser.
Não temos nada, por mais que possamos possuir e não seremos nada logo adiante, o que temos e somos é o agora, só precisamos crer no que somos e viver o que se apresenta sem nada esperar.
O des-esperar pode ser um alívio, já que significa deixar de adiar, reconhecer a fugacidade e a força desse minuto, e se reconhecer plena neste minuto é SER.
Ser é nossa maior luta e dificuldade, para ser é preciso urgentemente deixar de criar esperanças, planos futuros, expectativas esses sentimentos gera-dores.
A frustração é prima-irmã da esperança, estão intimamente ligadas e a queda do frustrar será proporcional a capacidade criativa e o vôo da espera.
Nunca o sonhado será idêntico ao real, como a adaptação de um livro para o cinema estará sempre aquém da nossa capacidade imaginativa, assim será a esperança um "trailer" irreal !
Uma vez tive um namorado em outra cidade, tínhamos encontros em finais de semanas esporádicos e cheios de expectativas, a necessidade desses encontros serem excepcionais, marcantes e conterem todos os nossos planos davam um peso insuportável as nossas horas, fatalmente os finais de domingo eram tristes, por tudo que só sonhávamos, por tudo que não querendo problematizar não falávamos e por tudo que idealizávamos sem chance de realizar, tínhamos a força de um amor bonito, só não sabíamos vivê-lo, supondo que deveríamos ter e ser mais, não nos aproveitávamos e não aproveitávamos nossos minutos. Assim perdemos bons momentos e nos perdermos!
Essa é uma boa fórmula de perdermos bons momentos e perdermos vida.
Viva o AGORA1
Um grande amigo me ensinou: "somos a soma de todos os agora" que nos marcaram e só por isso perpetuam em nós, nos tocando como uma sinfonia, nos acendendo a certeza de que sim, podemos sempre musicar.
Somos felizes quando conseguimos ter os sentidos abertos não só as musicas já feitas, quando desapegamos, abandonando a expectativa de perpetuar o mesmo ritmo e esperar repetir "aquele" acorde. Somos felizes agora, quando cremos na nossa capacidade infinita de fazer melodias e nos deixamos tocar.
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