na Bahia vou fazer um doutorado de mar...
Fomos passear no mato, mata nativa e totalmente harmônica, deveria fazer esses exercícios de contemplação mais seguido. Dão lição de vida!
Estão ali nascendo, sendo e morrendo todas as formas vivas em comunhão, sem a pressa humana de superação, sem a competitividade de quem ficará maior, mais colorida e ou mais próxima do rio, vão cumprindo seus ciclos tranqüila e sabiamente e fazendo beleza.
A natureza é e ensina AMOR o tempo inteiro...
Ficamos por ali sentadas numa pedra na beira do rio, que parecia esculpida especialmente para essa parada, depois mais adiante um tronco perfeito para sentar mais um pouco, o dia pedia essa tranqüilidade e felizmente os aparelhos celulares e quase todas as tecnologias invasivas não funcionam por lá, o que nos garantia ainda mais paz.
Há tempos percebi que muitas das minhas dificuldades (se não todas) eram criadas por mim, em ânsias de crescer mais depressa ou de não ser simplesmente, ou de ter respostas ou o talvez pior, de tentar antecipar a vida e controla-la.
Fiz até uma poesia dizendo isso:
“por que não tive tempo
de aprender que é vento
nem cair do vôo
feito passarinho
fiz de mim urgência
sobressalto, susto
fiz de mim arbusto
com ânsia de coqueiro
grama que não sabe
ser só verde e rala
lua que não quer
minguar para crescer
me forcei atalhos
desfiz natureza
assim voando presa
ao tronco que criei...
Ali respirando aquela vida toda ficou ainda mais claro, quanto peso extra já coloquei nos ombros, para justificar o não vôo, para negar a natureza, ou para tentar forjar uma normalidade, como me afastei de mim, forçando atalhos e alterando as rotas, desaguando sem sentido em terrenos áridos, sendo árida!
Uma borboleta estava pousada numa flor rosa e essa é a imagem que guardei de lá, na memória e como página de abertura do meu computador, por que convém que eu me lembre todo dia de ser NATURAL..
Me parece que foi Mário Quintana quem disse: “um dia descobrirão que seres extraterrestres há muito visitam a terra, só para estudarem e observaram a perfeição da vida dos insetos”.
Tenho que fazer uns estágios de formiga, abelha, rio, umas pós-graduações de árvore , uns doutorados de lua, serei melhor!
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