o bom de todo amor...

Encontrei um amor antigo, se é que amor envelhece, e se pode dizer isso, mas encontrei esse amor de anos atrás e fora todas as mudanças básicas que a vida e o tempo gostam de fazer na gente, ainda temos uma grande qualidade em comum, o que nos aproximou lá longe e ainda nos toca, gostamos de poesia, vibramos quando uma palavra ecoa lá no cantinho da alma ou coração, ou seja, lá onde ecoam as emoções e emociona.

E ele que sempre me mostrou músicas-poesias lindas, me brindou com mais uma, que tem lá no meio a seguinte frase: “tens-me aqui trago tudo que é teu.

                          levo só o que ainda é teu em mim.”

Fala de um amor que deixa de ser possível, e nesses inventários de amor, onde algumas coisas são devolvidas, é sempre assim, deixamos tudo e levamos TUDO o que ficou em nós, o quanto amamos e tranqüilamente nos entregamos, o que rimos, o que sonhamos e permanecerá irrealizado, o que se realizou e será lembrança, o que magoou e será dor por mais um tempo, não é possível sair de um amor, bater a porta e continuar como se o tal amor não tivesse existido, amor permanece, mesmo quando não é mais viável.

Podemos desfazer de um amor, processo bem comum no início do fim, excomungar até a primeira geração do “nefasto”, tentar desmerecer tudo que fizemos ou tentamos para “a coisa” funcionar, podemos passar na rua e não cumprimentar, podemos várias dessas bobagens, mas é sabido que o amor não morre, só nos abandona, temporariamente, ou muda de casa. E a culpa de tanta dor, vem da falácia do amor eterno.

 Terminada a crise podemos até rir de uma ou outra lembrança, relaxar nosso gostar frustrado, perdoar e guardar o que ainda ficou em nós de amor, e cá entre nós, só fica o que permitirmos.

Conversando com meu antigo amor, constatei o quanto à memória é seletiva, e o quanto por razões desconhecidas, lembramos só um determinado fato e esquecemos de todo o resto, o quanto super dimensionamos um trecho da história, enfim o quanto só preservamos o amor e a lembrança que nos interessa. É masoquista quem só guarda rancor, o que também pode se cultivar, mas não vale a pena por que faz mal pra saúde, mal pro próprio coração e do próximo que resolver chegar.

Vale guardar o bom do amor, o que me faz concordar mais uma vez com o Nei Lisboa: 

                   “  Fosse por mim era lei

                     Cada paixão que eu guardei

                     Se eu precisar

                     Tava ali 

                     Tava como eu deixei...”

Nós bem podíamos ser mais condescendentes conosco e nossos amores, tirando a carga, o peso, o ranço das impossibilidades, por que em algum momento todo amor é bonito, doce, grande e é esse, só esse que devemos guardar, para bem aguardar: “pronto pra amar uivando, pronto pra dizer que sim e sim mais uma vez... quem diz se é um começo ou fim que tem no meio dessa confusão, vai ver o teu final feliz é minha próxima atração”.

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