lembrando minha folgas de filha...
dia desses falava com a minha filha, que eu pouco questionei os padrões, na minha bolha, muitas mulheres da minha geraçao, assim como eu, nao questionaram: a monogamia, a familia de comercial margarina, a heterossexualidade como "o normal"... fomos vivendo, o que se apresentava, o que esperavam de nós, o que conseguimos realizar.. eu por muito tempo segui sonhando ter e buscando a familia nuclear mais padrão, me sentindo ate desajustada por nao conseguir "dar certo", no tal casamento tradicional e no tal amor felizes para sempre,... fui vivendo e buscando "fazer certo" esse tanto que parecia o "ideal" ou ate mais que isso, o "esperado", o "normal"... hoje leguas desse tempo, vejo que por nao me olhar e me reconhecer, por nao me perguntar o que me nutriria e nao ser suficientemente corajosa ou rebelde, com auto-estima suficiente para dizer não, ou dar limites para as imposições da "normalidade", forcei e me quebrei, muitas vezes... mas nao, esse nao sera um texto de dor, nem de positividade toxica, juro... eu assisti A filha perdida, adaptação do livro da Elena Ferrante e me dei conta, de como uma gravidez fora dos moldes, numa familia idem, me possibilitaram uma leveza que aquela mulher nao tinha, eu felizmente nao me reconheci naquele tanto de dor... e provavelmente eu sou menos doida e doída, por que o sonho nao se cumpriu, e nao fiquei mantendo um casamento padrão e uma relação só pelos filhos, coisa que muita gente diz estar fazendo, e é lamentável...os filhos nao pedem nem merecem essa cota de "sacrifício" e inevitável cobrança adiante... eu tive desde muito cedo, pos maternidade, assim que minha filha deixou de mamar no peito, o que eu chamava "folgas de mãe", eram meus alguns finais de semana, onde podia viajar, namorar, dançar e alguns dias de semana onde me esbaldava em cinemas, saraus, bares, cafes, tinha ferias da filha com o pai, que me deixavam solta, sem essa sensação de precisar voltar pra casa, uma liberdade linda...uma autonomia que só foi possível desfrutar, por que eu tinha convicção da minha filha ter um pai suficientemente responsável para poder deixa-la sem receio, e sim, no inicio eu tive tanta culpa que chegava acordar atordoada como sonambula e ao ver a caminha vazia, me perguntar onde eu a teria esquecido... aquela sensação da filha perdida...durou pouco, felizmente...e eu sou gratissima a tudo que aprendi e vivenciei nessa experiencia...de ser mãe nao em tempo integral, nao por obrigação, nao me abandonando de todo...
estava catando nos meus escritos, algo desse tempo, mas nem sei se um dia escrevi sobre o prazer que eram minhas folgas de mãe... provavelmente não, por que assim como a Elena, que se esconde atras de um pseudonimo, certas verdades, vontades e nao obviedades do padecer no paraíso nao vem a tona...
mas achei esses dois... um momento pleno...já mãe, mas nesse momento, sobretudo mulher...
Estou aqui
repleta e nutrida
tendo repentes de amor
descobrindo cheiros
abraços
sentidos
tranquila e plena
numa paz branca
como manha de domingo
estou aqui
aquecida
cuidada
amando e amada
encontrada
e convicta
gente é pra ser feliz
nao pra estancar
de medo!
e essa explicacao, talvez simplória e cliche...de abandonos que infelicitam...
Dia desses recebi por e-mail um texto divertido, sem citar o autor, o que é sempre uma pena, a proposta era básica, obvia e interessante:
“CASE MUUUUUUUUUUITAS VEZES, com a mesma pessoa!”
O autor defendia, que todas as modificações que normalmente são feitas ao fim de um casamento, quando os ex-cônjuges se preparam “pra entrar no mercado dos amores”, como: emagrecer, começar uma atividade física, começar uma terapia, um novo curso, desenvolver um hobby, fazer novos amigos e descobrir novos interesses, renovar o guarda-roupa, cortar cabelo, trocar os móveis, mudar de casa ou cidade, viajar...enfim, que todas essas “coisinhas” começassem a ser feitas antes, ou mais precisamente fossem feitas durante, para o casamento não ficar com a cara de ranço, de hábito e de cilada que muitos caem...
Eu, uma defensora fervorosa do namoro, me dei conta, lendo o texto, que aquela proposta de uma relação ativa e não acomodada, até poderia me fazer mudar de idéia...
Por que sou favorável ao namoro, por tudo de contrário que ele tem ao casamento padrão, pela manutenção do romance, pelas surpresas e saudades, pelas novidades, pelo desejo genuíno de encontrar, beijar, abraçar e dormir junto e não pela obrigação.
Odeio as obrigações, as cobranças compulsórias, as posturas consideradas ideais, as esperadas respostas, tudo que seja feito obrigatoriamente me é desagradável, me tira a espontaneidade, tira a luz de todas as situações.
Até que a morte os separe, uiiiiiiiiiii....como fazer uma promessa tão fúnebre como essa?
Proponho uma alteração: Prometo permanecer, enquanto a vida nos unir, enquanto o prazer nos fizer sorrir juntos, enquanto nossos sonhos e planos se complementarem, enquanto viver juntos for a melhor forma de vida...e principalmente enquanto não nos abandonarmos.
È bom que permaneçamos boas companhias e bons parceiros, “na saúde e na doença”,mas não falo disso, falo é do auto-abandono, de deixar de se cuidar, de esquecer de crescer, de deixar de ser novidade, de deixar de ser admirável, não acredito em relações onde a admiração não exista.
O cuidado deve ser geral, dos grandes planos e sonhos compartilhados até os detalhes, como tirar da gaveta aquele cetim que ficou aguardando uma grande oportunidade, comemorar as sextas-feiras, aproveitar as folgas e os finais de semana pra conversar, pra se olhar, pra parar e se curtir, tomar banho juntos, os bons detalhes que são o antídoto contra a monotonia, o dia-a-dia é devastador
Precisa ter muito fôlego um amor pra não morrer, já que no terreno das emoções moram as maiores fragilidades, é preciso um que outro reforço em palavras, é preciso um elogio, uma massagem de vez em quando, é preciso intimidade, clareza, vontade de permanecer, desejo e prazer na permanência e não falta de escolha, quem está do nosso lado, merece nosso eu melhor , assim como nós o merecemos.
O Artur da Távola dizia que nos permitimos ser piores com as pessoas que mais amamos, supondo que quem nos ama, vai sempre nos entender, assim muitos casamentos permanecem, num agüentar os piores momentos um do outro, numa troca de farpas, frustrações e barbaridades, no meu ponto de vista esse é um equívoco absoluto, não são os estranhos e os “conhecidos” que devam receber nossas gentilezas e boas palavras, quem merece nossa melhor parcela e nosso melhor carinho, são os próximos, os íntimos, é quem cuida do nosso coração e com quem queremos somar na vida.
Se tivermos a sorte e a sabedoria de continuarmos namorando com o amor, podemos fazer casamentos eternos, com a única razão a eternizar: a manutenção da felicidade e da troca.
Minha filha no auge da sua sabedoria infantil, diz que é preciso APROVEITAR as pessoas e os momentos , então pra quem tem um amor, eu digo, aproveitem-se!!!
Agora, se vocês não conseguem mais sequer se olhar, tamanha a mágoa que armazenaram por anos, e não resta mais um pingo de alegria, carinho ou cuidado, peguem as malas e sigam sem culpa, foi isso que prometeram: “até que a morte os separe”.... Viver juntos, sem querer, é a morte!
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