Comunicaçao Nao-Violenta - Marshall Rosenberg

Eu tive o privilegio de passar um final de semana aprendendo os fundamentos da Comunicaçao não violenta, num workshop aqui em Porto Alegre promovido pelo grupo da Justiça Restaurativa...e assim conheci de pertinho o próprio Marshall Rosenberg e foi uma aula de humanidade ... ❤️🙏
Aqui um relato, da época que encontrei no meu computador, ainda precisando muuuuuito aprender a falar girafês...

LOBO

. 1. Zool. Mamífero canídeo, selvagem e carnívoro, do tamanho de um cão grande. 2. . Indivíduo cruel, de maus instintos, sanguinário.

GIRAFA

1. Zool. Grande mamífero africano, notável pelo comprimento do pescoço, patas dianteiras mais altas que as traseiras e um par de chifres curtos. 


Esses bichos foram os escolhidos pelo psicólogo Marshall Rosenberg para incorporarem e explicarem a Comunicação Não Violenta, segundo ele os humanos não fazem nada que não seja a serviço de uma necessidade, e até um ano de idade conseguimos ser muito claros na expressão dessas necessidades*, clareza que ele atribui a Girafa, porém logo começam as manipulações e lentamente aprendemos uma linguagem que nos desconecta das necessidades, a qual ele atribui ao Lobo.

Ele afirma que vivemos numa sociedade de lobos, com uma educação com base no poder/dominação/medo/premio e castigo/punição/julgamento.

Assim sendo temos uma “comunicação” de reação, enfrentamento, de autopreservação, recheada de condicionamentos e diagnósticos. Somos ensinados a avaliar, julgar e nos desconectar de nós mesmos e dos outros.

É um processo de (des) comunicação, que além de violentar, não aproxima. Exemplo: “Só faço... se tu fizeres...” / “Não adianta falar contigo, tu não ouve, tu é burro, intransigente, egoísta...”./ E assim se perpetuam NÃOs e agressões diversas.

 Quando simplesmente reagimos e /ou agredimos, estamos nos defendendo e mais que isso, estamos nos escondendo, não permitindo que a nossa verdade interna, o que está vivo em nós, vaze. Numa posição de LOBO que mete medo, somos limitados e nos afastamos de visão mais ampla do todo e de nós mesmos, que teríamos caso optássemos por ser GIRAFA.

O LOBO não só fere pra fora, quando acuado fere a si mesmo, o que brilhantemente o Marshal exemplifica usando uma tiara de orelhas de lobo, que podem estar “acionadas” para fora ou para dentro. (Exemplo de lobo pra dentro: “eu faço sempre tudo errado”, dito internamente).

E a GIRAFA? Por que escolher a girafa pra representar o antagonismo ao lobo? Ao que ele responde: Que som emite a girafa? Talvez nenhum, talvez baixo, mas não tem característica de ameaça, de ranger de dentes e com aquele pescoço enorme, deve ter uma visão privilegiada do todo.

O “girafez” humano é uma característica difícil e linda de se buscar e voltar a atingir, já que ao optarmos pela comunicação Não-Violenta, devemos  abandonar posições de defesa ou ataque, e sermos muito especialmente claros, diretos e inteiros , entregarmos nossa verdade e realmente enxergarmos no outro, além de suas palavras, que necessidade não está sendo atendida, para gerar esta ou aquela resposta, esta ou aquela reação,  devemos e isso é realmente comunicação, buscar o ENTENDIMENTO a EMPATIA com nosso interlocutor, questionarmos se nossa percepção do que ele está sentindo está acertada, sermos claros no nosso sentimento e solicitarmos com clareza nossas necessidades.

Desarmarmos nosso coração e nesse movimento buscarmos o coração do outro, sem luta de poder ou posse.


Essas são em linhas gerais as necessidades humanas:

Subsistência (necessidades físicas humanas)

Segurança (proteção)

Amor

Empatia

Descanso (divertimento e lazer)

Criatividade

Comunidade (fazer parte – ninho)

Autonomia (responsabilidade e liberdade)

Sentido (necessidade e poder de contribuir para a vida)




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