sexta-feira, 27 de março de 2015

da felicidade...

Felicidade é saber se deliciar com os detalhes... A Ligia amiga dos tempos da faculdade e dos ipês amarelos, anotou essa frase que eu disse e segundo ela, é o que mais eu sei fazer, e eu torço que o tempo não me tire essa capacidade, um dos poucos talentos que consigo reconhecer em mim, e não me achar ridícula por reconhecê-lo. Eu me delicio com os detalhes e pode parecer fútil ou doido isso, pra quem não faça o mesmo, mas eu posso efetivamente andar na rua e ficar tremendamente tocada com a árvore enorme que faz um outono fora de hora, com o passarinho que aprende a voar e parece um bebê nos primeiros passos, eu tenho assim umas ilhotinhas de felicidade no dia, que podem ir desde um café expresso perfeito, que tomei sentada e desfrutando o unico raio de sol da semana, até o aconchego de minha roupa "de ficar em casa" e minha filha me abraçando sorridente depois de um dia pesado, como quando toca a musica que eu mais gosto bem na hora que coloquei os fones no ouvido, quando alguém desconhecido me sorri e dá bom dia, quando alguém me faz cumplice da sua emoção e trocamos um olhar de reconhecido entendimento, quando encontro, quando abraço, quando beijo, quando brindo, comendo empadinha de camarão com uma tal "massa podre" que a minha mãe não faz mais, ou feijão novo de colher, quando uma fruta guarda o gosto que a minha memória guardava, feliz quando uma saudade me pega no colo, uma amizade me pega na alma, quando a palavra cabe perfeita ou o silêncio diz tudo,quando alguém fotografou o momento exato ou um filme me abala escancaradamente, quando acordo, me espreguiço e me enrosco, quando faço café da manhã ,leio o jornal sem pressa por que é sábado e tenho dois dias pra me pertencer inteira, quando nasce uma florzinha num lugar imprevisto, detalhes enormes, que me fazem carinho quente, que me dão sorrisos, suspiros, lágrimas, de pura felicidade... No livro que ganhei ontem diz: "o apaixonado é um comovido á toa" , talvez seja isso, mais do que talento pra detalhes ou pra felicidade, eu devo ter talento para a comoção ou para paixões á toa...E isso me delicia!

sexta-feira, 20 de março de 2015

reencontrando o Quintana....


Ontem fui dar uma entrevista na Rádio Guaíba, na famosa Empresa Jornalística Caldas Junior e me emocionei por estar andando pelos caminhos e no mesmo elevador que por anos recebeu diariamente o meu ídolo... Vira e mexe quem me conhece sabe que sai uma citaçao ou poeminha do Quintana, como esse : "dizem que os homens são todos iguais e nisso eu não acredito, tem quem nasça em Paris eu nasci em Alegrete".

 Mário Quintana é uma espécie de manual, é consenso, AMO tanto esse "velhinho" que parece até meu avô... Meu amigo diz que de certa forma ele é mesmo avô de todos nós!
         Um dia eu vinha caminhando na Praça da Alfândega e o vi sentado de pernas cruzadas, tranqüilo, observando o movimento, senti um misto de vontade de falar e receio de invadir, e emoção por que para mim ele sempre foi um mito, aí não pensei muito, cheguei , sentei ao lado e trocamos umas palavras e ele riu de um jeito querido, constrangido com o meu deslumbre e minha tietagem, falamos das ruas de Porto Alegre, de sermos ambos filhos do interior, lá pelas tantas já me sentindo mais íntima,  falei que escrevia e pedi um conselho, ele me deu o maior conselho: “ não fica mostrando aos outros pedindo que corrijam ou que julguem o valor literário, ninguém pode avaliar sentimento e poesia é só isso...”

         Ás vezes acho que só sonhei com esse encontro e com esse conselho básico que deveria ampliar para todos os sentimentos e momentos da vida. Parar de esperar que me julguem ou aceitem, seria a mais pura e genuína liberdade. 



quarta-feira, 11 de março de 2015