sexta-feira, 18 de julho de 2014

Uma gargalhada a menos, num Leblon menos feliz...

Uma vez tive a alegria de passar um Reveillon no Rio, foi um tempo bom, acho que eu estava fazendo 40 anos e me dei de presente: a viagem, a companhia da minha amiga, uma festa em alto mar num barco, vendo Copacabana brilhar ao longe, uma massagem ao ar livre numa tenda branca que parecia um sonho, lindas lembranças que voltaram agora... Junto a elas: Uma gargalhada e um aniversário.

A primeira é a gargalhada... estávamos na rua do Flor do Leblon, boteco muito conhecido, muito bem frequentado e onde seguidas vezes  encontrei o João Ubaldo, sempre com amigos e longas conversas arrastadas e risadas deliciosas...

A segunda é um aniversário...Nesse mesmo boteco, vi uma cena comovente...igualzinha a uma que li num livro, anos mais tarde.
Um pai uma mãe e uma menina, muito simples mas com uma certa solenidade nos trajes e cabelos, entraram pediram uma fatia grande de bolo, sentaram num cantinho, cantaram parabéns e ficaram vendo a menina comer...me emociono de lembrar...

Hoje voltei aquele lugar, por que soube que João Ubaldo se foi,  lembrei do passo arrastado, da fala mansa e da risada sem pressa, sempre gostei dos escritos que me levavam pra Itaparica e da figura do João Ubaldo... pena, perda triste...

Ele me disse que é preciso vencer a gente mesmo, e nisso eu acredito:  
 "Todo mundo tem medo, mas a pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos."



Vai bem João Ubaldo, deve ter um lugar bonito onde se possa continuar papeando e dando risada, por aí...Meu pai deve estar por aí também, mande minhas saudades.

E a menina, onde andará? Será que como eu, ainda lembra daquele aniversário? Tomara... Por que ali naquele cantinho do boteco, percebi um amor dos mais puros e necessários de se perpetuar!
 

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