quinta-feira, 17 de abril de 2014

acredito!

o meu amigo poeta Mário Pirata disse:

"não acredite em deuses que não dancem
não acredite em pessoas que não sonhem
não acredite em políticos que não cantem
não acredite em crianças que não voem
não acredite em palavras que não quebrem
não acredite em páginas que não cheirem
não acredite em flores que não rasguem
não acredite em poetas que não amem"

eu que estou precisando acreditar e me afastar dos nãos, vou parafraseá-lo poeta:


acredito que a dança nos faz deuses e leves
acredito que pessoas que sonham, salvam
acredito em políticos que buscam ser melhores
acredito que todos somos crianças, voadoras
acredito em palavras que quebram certezas e amolecem
acredito em paginas que cheiram lembranças
acredito em flores que rasgam sentidos e muros
acredito que o amor nos poetiza

e preciso desesperadamente acreditar!

terça-feira, 15 de abril de 2014

o amor que merece...

Quando vi esse filme super legal "As vantagens de ser Invisível" lembro que essa frase me tocou fundo. É a mais pura verdade e é bom sempre lembrar!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ele que já chega me arrepiando.....

Ele de Elisa Lucinda

"Já começa a beijar o meu pescoço

com sua boca meio gelada meio doce,
já começa a abrir-me seus braços
como se meu namorado fosse,
já começa a beijar a minha mão,
a morder-me devagar os dedos,
já começa a afugentar-me os medos
e dar cetim de pijama aos meus segredos.
Todo ano é assim:
vem ele com seus cajás, suas oferendas, suas quaresmeiras,
vem ele disposto a quebrar meus galhos
e a varrer minhas folhas secas.
Já começa a soprar minha nuca
com sua temperatura de macho,
já começa a acender meu facho
e dar frescor às minhas clareiras.
Já vem ele chegando com sua luz sem fronteiras,
seu discurso sedutor de renovação,
suas palavras coloridas,
e eu estou na sua mão.

Todo ano é assim:
mancomunado com o vento, seu moleque de recados,
esse meu amante sedento alvoroça-me os cabelos,
levanta-me a saia, beija meus pés,
lábios frios e língua quente,
calça minhas meias delicadamente
e muda a seu gosto a moda de minhas gavetas!

É ele agora o dono de meus cadernos, meu verso, minha tela,
meu jogo e minhas varetas.
Parece Deus, posto que está no céu, na terra,
nas inúmeras paisagens,
na nitidez dos dias, no arcabouço da poesia,
dentro e fora dos meus vestidos,
na minha cama, nos meus sentidos.

Todo ano é assim:
já começa a me amar esse atrevido,
meu charmoso cavalheiro, o belo Outono,
meu preferido."

Elisa Lucinda

segunda-feira, 7 de abril de 2014

anotações de uma noite...

 
almas na mesa

Ele / ela são parecidos um a cada canto da mesa fazendo 
piada da dor, 
não da dor alheia, fazem piada da própria dor e rindo , 
escancarando a alma, 
sem que ninguém na mesa perceba.

Ele bebe goles largos e come com voracidade, o olhar guloso, 
passeia
sobre as moças até, que uma alma decotada, lhe sorri e 
estende o copo, 
ele serve e tudo começa.

Ela presta atenção em silêncio e no meio da conversa
sobre decoração, 
abre a alma de um jeito tão comedido que poucos conseguem 
vê-la: 
o feng shui indicou que meu quarto tinha energia estagnada,
precisava mudança, 
mas não consegui mudar nada, acho que tenho dificuldade
 com a intimidade...
Ninguém comenta, lhe estende a mão ou um olhar 
cúmplice, a conversa continua 
sobre cores de paredes, 
ela e o quarto, seguem intactos...

Eles duelam com palavras ásperas e áridas, as almas se 
aturam, 
fica evidente, se agridem com silêncios
e olhares de desprezos.

Ela esconde o rosto e o enrubescer com mãos torneadas, 
feito obra de arte, 
o artista ao lado, se apaixona pela suavidade /força do gesto, 
enxerga a alma da moça, naquela escultura alva, que vibra 
sangue nas extremidades...

Ele vê filmes infantis, lembra trechos, músicas, traços, 
personagens, ri, 
como que enfeitiçado pela magia, 
cativa como o gato de botas de Sherek, quando queria ser 
dócil, 
com seu olhos lacrimosos de pupila redondas, 
só que no moço da frente a alma infantil e doce, é genuína.

Ela retoca o batom no banheiro, ensaiando dizer vontade 
no ouvido dele.
Ao voltar, gente demais, e ela perde, não a vontade, mas a 
coragem.
Morde o desejo e um beijo quase escorrega do canto da boca, 
alma sedenta e tímida.

As almas gastam o tempo ali sentadas, na mesma mesa, 
brindam, se entreolham, nem sempre se encontram 
e a noite sempre termina.

mosaico...

Viajei agora que a vida não é reta e construída inteirinha num único definitivo e bem traçado projeto, a vida tem altos e baixos, tem surpresas, vem em pedaços, faz curvas e e depende da nossa criatividade e empenho conseguir fazer beleza e cor com o que ela traz ... 
O Park Guell é uma metáfora da vida, formas inusitadas, luz e cor,  mosaicos multicoloridos, nenhuma forma reta e óbvia...e é legal estar aqui, viva montando esse mosaico e vendo onde dá pra seguir construindo, sou grata a todos que me ajudaram ate aqui com os pedacinhos de amor e lembranças lindas pra minha vida... o mosaico está grande, a la Gaudi :)


e mais, já aprendi vivendo, que encarando de perto,  todo "bicho" tem nuances e muita cor... e as vezes faz mais barulho por medo e pânico do que por ser efetivamente perigoso. :)