quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

25 coisas estressantes que você tolera mais do que devia (e você pode ter culpa nisso)

Passar a vida tolerando coisas que não gostaríamos de tolerar descarrega nossas energias e torna impossível uma vida equilibrada.
Abaixo estão listadas algumas coisas que a maioria das pessoas tolera mais do que deveria:
1. Manter uma atitude negativa – Escolha ser infeliz e você encontrará um milhão de motivos para reclamar e fazer cara feia. Escolha ser feliz e encontrará um milhão de razões para sorrir.
2. Fazer parte de círculos de drama – Tente se manter afastado (a) de grupos que priorizam o julgamento e as fofocas. A vida é muito curta para ser gasta falando mal de pessoas e se metendo em problemas sem relevância. 
3. Achar constantemente que você poderia ter sido mais gentil – O menor ato de bondade vale mais do que uma intenção grandiosa. Portanto, trate as pessoas direito. A bondade é um presente que qualquer um pode se dar ao luxo de praticar. Seja o doçura na vida amargurada de alguém, seja sempre gentil com as pessoas e com o que você sente e não precisará sentir culpa por não ter feito “o suficiente”
4 Cultivar pensamentos autodepreciativos – Se você sente que os outros não estão te tratando com amor e respeito, verifique o seu valor. Talvez você inconscientemente transmita uma mensagem de que “Não é bom o suficiente”. Saiba que é você mesmo (a) quem diz aos outros sobre o seu próprio valor. Mostre-lhes que você está disposto (a) a aceitar o seu tempo e atenção. Se você não valorizar e respeitar a si mesmo (a), de todo o coração, ninguém mais o fará.
5. Viver o presente preocupado (a) com um passado doloroso – O primeiro passo para viver a vida que você quer é deixar para trás a vida que você não quer. Deixar de lado o passado é o primeiro passo para a felicidade. Pare de ser um prisioneiro de seu passado e torne-se o arquiteto do seu presente. Aprenda com seus erros, mas não passe a vida se martirizando por eles . Viva além de suas cicatrizes e concentre-se nas imensas possibilidades que aguardam a sua atenção imediata.
6. Estar sempre tão ocupado (a) e disperso (a) a ponto de não apreciar a doçura da vida – algumas vezes, lembrar-se da doçura da vida pode ser mais difícil que esquecer a dor. Há beleza em tudo; às vezes você apenas tem que olhar um pouco mais para vê-la.
7. Basear-se em expectativas de perfeição – A vida nunca será perfeita, não importa o quanto você tente. Sempre existirão momentos de incerteza e dias em que nada dá certo.
8. Não responsabilizar-se pelos próprios atos- Responsabilidade significa reconhecer que, independentemente do que aconteceu até este ponto em sua vida, você é capaz de fazer escolhas para mudar sua situação, ou para mudar a maneira de pensar sobre isso.
9. Ser obcecado (a) pelo controle – Lembre-se de que as únicas coisas que você pode verdadeiramente controlar são as escolhas que você tem frente a tudo o que acontecer ao seu redor.
O estresse prospera quando a sua lista de preocupações é maior do que a sua lista de gratidão. A felicidade prospera quando a sua lista de gratidão é maior do que a sua lista de preocupações. Então, encontre algo para ser grato. 
10- Sentir-se culpado (a) por não ser capaz de fazer tudo – Sim, é saudável trabalhar diligentemente para atingir metas significativas, entretanto não é saudável repreender-se por não fazer mais do que você é capaz. Encontre o seu equilíbrio entre atividade e recuperação. Aprenda a relaxar quando você precisar de uma pausa.
11- Manter a ideia de que a felicidade só pode ser encontrada no futuro – Se você está sorrindo agora, você está fazendo certo. O futuro está nascendo a cada segundo em seus pensamentos e ações. Pare de esperar e comece a viver.
12. Não apreciar o que você tem quando “você tem” – Às vezes a gente acaba traindo aos outros e a nós mesmos simplesmente porque nós prestamos mais atenção no que está faltando do que no que temos. Quando você começa algo pequeno, você quer mais. Quando você tem mais, você deseja ainda mais. Mas quando você perde tudo, você percebe que as pequenas coisas eram realmente as coisas mais importantes. Portanto, não vá à procura de algo melhor a cada segundo. Em vez de pensar sobre o que está perdendo o tempo todo, lembre-se mais vezes do que você tem.
13. Manter uma lista de preocupações muito maior do que uma lista de gratidão – O estresse prospera quando a sua lista de preocupações é maior do que a sua lista de gratidão. A felicidade prospera quando a sua lista de gratidão é maior do que a sua lista de preocupações. Então, encontre algo para ser grato.
14.  Manter-se resistente ás mudanças – Experimente um milagre simplesmente mudando sua perspectiva.
15. Deixar que as situações que não deram certo definam quem você é – Às vezes as transições da vida são a oportunidade perfeita para deixar para trás uma situação desagradável e abraçar algo melhor que está vindo em sua direção. Por favor, não deixe que circunstâncias incontroláveis ​​definam quem você é ou lhe forneçam uma desculpa para ser desagradável.
16. Deixar-se levar pelo condicionamento social – Saber quem você é uma coisa, mas realmente acreditar e viver como você acredita é outra. Com todo o condicionamento social em nossa sociedade às vezes nos esquecemos de permanecer fiéis a nós mesmos. Não se perca por aí. Você não pode atrair as pessoas certas em sua vida quando você está fingindo ser outra pessoa. Então, seja você mesmo, e se você não pode encontrar um grupo cujos valores e consciência corresponde ao seu próprio, seja você a fonte inspiradora para os outros.
Perdoe aos outros, não porque eles merecem perdão, mas porque você merece paz. Liberte-se do fardo de ser uma eterna vítima, e siga em frente com ou sem eles.
17. Concentrar-se em pessoas erradas – coisas erradas acontecem quando você confia e se preocupa com as pessoas erradas. Não deixe que pessoas que fazem tão pouco por você controlem seus sentimentos e emoções. Não dedique muito tempo para as pessoas que raramente fazem o mesmo por você. Conheça o seu valor. Saiba a diferença entre o que você está recebendo a partir das pessoas e o que você merece.  Algumas vezes é melhor deixar que algumas pessoas se afastem, ao invés de permaneceram junto de você.
18. Ter comportamentos desonestos- Na vida e nos negócios a nossa reputação é sempre mais importante do que o nosso próximo salário e nossa integridade vale mais do que a nossa próxima emoção. Quem age de maneira desonesta vive uma vida de desconfiança e incerteza. Eles vivem em constante medo de que as pessoas que eles traíram também os enganem.
19. Cultivar raiva excessiva – O que o irrita, controla você. Lembre-se disso. Às vezes pensamos que o ódio é uma arma que ataca as pessoas que não gostamos, mas o ódio é uma lâmina curvada, e os danos que fazemos, fazemos a nós mesmos.
20. Gastar argumentos com pessoas antagônicas – Não desperdice palavras com pessoas que merecem o seu silêncio. Às vezes, a coisa mais poderosa que você pode dizer é nada.
21- Guardar rancores e ressentimentos – Perdoe aos outros, não porque eles merecem perdão, mas porque você merece paz. Liberte-se do fardo de ser uma eterna vítima, e siga em frente com ou sem eles.
22. Conservar velhos hábitos que já se mostraram ineficientes – Só porque você sempre fez algo de uma mesma maneira, não significa que você tem que continuar a agir da mesma forma. Só porque você nunca fez algo, não significa que você não possa começar agora.
Só porque você sempre fez algo de uma mesma maneira, não significa que você tem que continuar a agir da mesma forma. Só porque você nunca fez algo, não significa que você não possa começar agora.
23. Persistir em uma realidade de desculpas – É melhor parar de inventar desculpas (para si e para os outros)  se você realmente não tem a intenção de fazer algo. Concentre-se no que você realmente fará.
24. manter uma rotina estagnada – Lembre-se, a moeda mais importante na vida é a experiência. O dinheiro vem e vai, mas suas experiências ficam com você até o seu último suspiro. Portanto, não tenha medo de misturar as coisas e desafiar-se com novas experiências de vida. Às vezes, uma pausa de sua rotina é a coisa que você mais precisa.
25. Aprenda a somar, mas também a subtrair – Quando as coisas não estão somando em sua vida, comece a subtração. A vida fica mais fácil quando você aprende a excluir as coisas e as pessoas que a tornam difícil. Livrar-se de complexidades desnecessárias em sua vida para que você possa passar mais tempo com as pessoas que você ama e fazer mais das coisas que você realmente quer.
E lembre-se, a vida é um processo de constantes mudanças, mas o crescimento é opcional. Então, escolha sabiamente. Pare de tolerar o que não deve ser tolerado.
Traduzido e adaptado por Josie Conti
Revisão: Má Âmbar


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

a carta que recebi...do Verissimo, e guardo feito tesouro!

Hoje catei na lembrança e agora nos guardados uma carta que recebi do Veríssimo, lá no século passado, quando eu escrevia muita poesia e queria uma opinião real... Imaginem a emoção que foi receber uma carta dele, elogiosa ainda por cima... Não lancei nenhum livro, mas guardei a carta, que hoje amareladinha, me emocionou de novo, emoção é coisa bem linda né? Por isso compartilho...

domingo, 2 de novembro de 2014

Meus desacontecimentos...

Fui assistir uma mesa redonda na feira do livro, promovido pela APPOA, trazendo Eliane Brum ... Que estava lançando Meus desacontecimentos, autografado hoje e que felizmente
 ( infelizmente pra mim), esgotou antes que eu pudesse adquiri-lo...
Catei pedacinhos pra relembrar do papo pra registrar nuances de toda a conversa...

"Aprendi ali que ninguém é substituível. Alguns se tornam substituíveis ao se deixar reduzir a apertador de parafusos da máquina do mundo. Alienam-se do seu mistério, esquecem-se de que cada um é arranjo único e irrepetível na vastidão do universo. Quando a alma estala fingem não saber de onde vem a dor. Então engolem a última droga da indústria farmacêutica para silenciar suas porções ainda vivas. Teriam mais chance se ousassem se apropriar de sua singularidade. E se tornassem o que são. Para se perder logo adiante e se buscar mais uma uma vez, já que ser é também a experiência de não ser. – pág 104"

Uma psicanalista fazendo a sua leitura da leitura disse:" o homem carrega um mal estar provocado pela natureza, pela decadência física ou pelas relações com os demais,  o que gera uma fenda. Como consegue expressá-la: a arte, a palavra, a tentativa de entendimento é o que nos torna aptos.
Manoel de Barros dizia:.. "Sempre me ocupei de coisa do chão , um dia encontrei um pente perdido ao lado de uma arvore, sem utilidade, mais parecia uma folha  dentada se desfazendo , ali aprendi a novidade do velho-novo, a função do desobjeto."

Pensei ao ouvir isso, que a arte, a palavra, a expressão são capaz de nos reinventar...
Entendi que é a capacidade de se aproximar da fenda, desvenda-la e resignifica-la, nossa única chance de sermos sãos... Que esse mal estar/ fenda nos aproxime, se revele através da arte e nos salve...

Respondendo a uma pergunta da platéia: O que permite aos sobreviventes escreverem?
Eliane Brum diz:"Eu escrevo para suportar o buraco, pra criar sentido o que não tem sentido.., não encontro vida fora das palavras... Me ancoram... Eu escrevo para suportar , para não matar e para não morrer."

É delicioso quando nos deparamos com alguém capaz revelar seus desacontecimentos e esquisitices com familiaridade, com  naturalidade até, gerando cumplicidade,  de forma a acolher os nossos estranhamentos com doçura ou assim nos permitir...

 Momento bom seguido de uma chuva, apreciada inteiramente e sem guarda-chuva
enxurrada boa me lavando a alma e me acendendo os olhos pras cores do caminho...



E um olhar mais apaziguador à todo quebra-cabeça ...




quinta-feira, 30 de outubro de 2014

medos travestidos de certezas e verdades...

 

   Tempo de poucas e estéreis palavras, pode ser o tempo ou a vontade de não ter conceitos e desfazer “verdades”, a incômoda sensação de que as certezas foram invenções, criadas pela necessidade de controlar, delimitar, forjar uma normalidade e sossegar ou pior, foram medos travestidos.
          Só que o sossego não vem quando a consciência desperta e todos os conceitos ficam frágeis e burros.
          Revendo desde o início, como se criam os conceitos? A partir de experimentação, que é o jeito mais real ou por cópia e aceitação plena do que alguém julgou verdade.
          Darei um exemplo bobo, um cachorro morde um bebê, por experimentação ele pode concluir que cachorros são animais perigosos e que fazem “dodói”. Criou-se um conceito, um medo e talvez um trauma. Porém pode ser que logo em seguida outro cachorro chegue perto do bebê e em vez de morder lamba e faça brincadeiras, boas chances do conceito ser ampliado, e que o bebê reconheça que existem cachorros que mordem e cachorros amigos.   Pode ser também que a mãe do bebê tenha sido mordida e receie pelo filho e para “preservá-lo” incuta o conceito de que cachorro é perigoso. E assim infinitamente, criam-se conceitos, pré-conceitos e toda uma série de dificuldades.
         O fato é que criamos uma rede de verdades e certezas e estruturamos o que seja “nossa personalidade” encima de conceitos, que podem ser falhos e mutantes, mas que custamos a reconhecer por uma necessidade bem infantil e maniqueísta, de sabermos quem é bom, quem é mau, o que é certo, o que é errado, o que podemos ou não podemos fazer, nisso se baseiam os contos de fada, nisso se baseiam as religiões, nisso nos baseamos quase todos os dias diante de situações, que só não são mais extremas, por que já estamos vivendo e bem acomodados na engrenagem que nos moldamos, para sermos aos olhos alheios e aos nossos, seres bem ajustados.
        Ah, quanta estupidez já fizemos em prol da normalidade, quando desejo virou abstração para correspondermos a papéis, metaforicamente quanto cachorro querido foi enxotado por temermos mordidas.
        E assim queremos que os outros correspondam as nossas expectativas e façam jus aos carimbos e verbetes que escolhemos dar a eles, como um dicionário passamos a catalogar pessoas e sensações, com o propósito de não sermos surpreendidos, se estamos construindo nosso eu em cima de bases tão frágeis e encima de relacionamentos, é normal que sejamos muitos duros e críticos com qualquer mudança brusca que possa fazer desmoronar todo um lado da nossa construção. Por isso ás vezes preferimos a mordida á brincadeira, por que reforça nosso trauma, por que reforça o nosso eu, e não nos coloca na situação limite em que me encontro agora, de duvidar das certezas.
        Milhares de vezes ao nos relacionarmos, e é nos relacionamentos que mais utilizamos mecanismos de defesas e “carimbos”, repetimos textos e cenas, ás vezes inconscientemente ás vezes não, mas repetimos ações que não nos servem e/ou nos infelicitam, por que em algum canto, criamos conceitos como: “os relacionamentos fazem sofrer”, “ felicidade é coisa passageira”, “os homens são todos iguais”, ou qualquer outra estupidez do gênero, damos de ombro e seguimos a dinâmica e não estamos buscando ser felizes e plenos, estamos unicamente reforçando o conhecido, criando novas bases para o trauma, justificando nossas deficiências em cima das deficiências alheias, o que é racional, prático e terrivelmente triste.
          De onde surgiram os teus conceitos? E os pré-conceitos? Quem é teu fornecedor de carimbos? E isso te garante? E isso te faz feliz?
          E quem é essa pessoa que te dita regras e te atordoa internamente? Esse é teu EU? E de que te serve um eu criado assim, cercado, delimitado e medroso?
          O cachorro te mordeu ou foi aprendido? 
          Onde andam teus medos? E tuas asas?


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

o olhar...


oque todo mundo precisa?
um olhar que acolha
nossa esquisitice
nossas manias
nossos medos
um olhar que ilumine
nossos escuros
e nos garanta
que mais adiante
o caminho segue
e saberemos seguir
como soubemos
andar sem sermos segurados
pedalar sem bandear pros lados

oque todo mundo precisa
é da permanência do olhar
doce
que nos amamentou
e deu colo
como uma certeza
que nem sempre nos alcança
de que ali estaremos seguros
e que a nossa fragilidade
não será contra nós usada

O que todo mundo precisa

é de um amor, como o primeiro
que nos deu útero, alimento
espaço pra crescer
tempo para ser
e depois de
um parto abrupto
nos deu no olhar/peito
sossego
capaz de alimentar
nossa fome, de segurança

mesmo sabendo
desde o primeiro abrupto
que a vida é susto
e impermanência
a gente precisa amar

sem nenhuma garantia
e todas as esperanças
...
quem te ama
te autoriza
a ser
quem se ama
se autoriza
a ser...
 

Talvez virar adulto 
seja incorporar o olhar, 
se auto-olhar 
 com aquela doçura... 
 
E isso, o que dificulte tudo ...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

a conformidade mata a alma!

Hoje eu acordei indignada e reedito esse álbum antigo... Não só pelo nojo desse auxílio-moradia para o judiciário, mas pelos desvios de verbas para manutenção e corrupções variadas, por reconhecer a necessidade de uma reforma tributária digna, por uma educação em tempo integral e com professores bem remunerados, uma educação que mereça esse nome e tenha esse crédito e esse respeito, por uma saúde pra todos, pelo direito a segurança, pelo fim dos salários milionários e todas as demais regalias de deputados, senadores e juízes...É lamentável um país funcionar a base de propina... como é lamentável que a carga tributária absurda que de paga, não seja distribuída efetivamente e revertida ao que deve saúde, educação e segurança... Imagens para acalmar a sensação de impotência e e pela minha necessidade de ESPERANÇA!!!

















terça-feira, 2 de setembro de 2014

o que podemos deixar aos filhos?... Texto lindo do Carpinejar

"O que podemos deixar aos filhos? O que fará um filho acreditar na vida mais do que a gente acreditava? Não devemos prevenir as crianças com o nosso ceticismo. São frases que retiramos da primeira gaveta do medo: ?Não insiste?, ?Quebrará a cara?, ?Não vale a pena?, ?Não dará resultado?. Pessimismo não é sinônimo de inteligência.
Há papo mais chato do que de ex-petista, ex-fumante, ex-seminarista, ex-carnívoro, ex-fanático por futebol, ex-marido, ex-mulher, ex-pecador? Além de arrependidos, mostram-se curados do passado. Insuportáveis com suas lições empíricas.
Articulam acrobacias com a língua para desfiar seu rosário de decepções. São imbuídos da missão sagrada de alertar aos colegas e amigos dos horrores de suas vivências. Evangelistas do apocalipse, pregam suas conversões com a capa preta do diário.
Amaldiçoam a divergência. Numa conversa, vão desconsiderar qualquer opinião diferente da sua com uma ameaça: "Você ainda vai entender!"
É o ciúme da fé. Temos que extrair a fé do próximo, para não sentirmos falta da nossa.
Sofrer não pode eliminar a esperança. Sofrimento sem esperança é masoquismo.
Se a trajetória não saiu conforme planejamos (e nunca sai), não significa que a nossa prole mereça seguir o nosso descrédito. Prefiro alguém que seja bem crédulo a outro que somente destrói as opiniões com seus testemunhos.

Ingenuidade é sabedoria. Precisamos preservar as ilusões. Sou favorável a mais ilusões, menos realidade.
Qual será o ânimo de um adolescente para retirar seu título eleitoral se os pais falam sempre que todos os políticos são corruptos?
A infância está carregada de miragens. Saudade do tempo em que eu não enxergava. Na cegueira, a imaginação - pelo menos - avançava.
O que posso transmitir aos meus filhos é uma história de amor. Assim mesmo, bem sentimental. De legado, nada é mais precioso do que uma história de amor. Que os casais tenham se amado mais do que vivido. Contem como os dois se encontraram: as coincidências, a atração, a resistência, as gafes, os alumbramentos. Não poupem detalhes. Sejam babacas, mas que permitam que seus filhos sejam românticos. Dêem a eles a mesma chance que vocês tiveram.
Minha filha nunca cansou de me perguntar: "Por que você se separou de minha mãe?"
Explicava ponto por ponto que a paixão acabou, que começamos a brigar por bobagens, que já não nos entendíamos, que foi melhor assim, senão ela teria que crescer sob um permanente temporal. Segui a receita psicológica de expor a verdade para os filhos. De não esconder nada.
Fui um idiota. A pergunta era outra, e me escapou.
Ela procurava saber: "Você amou minha mãe? Como foi a história de vocês?"
O que posso fazer pelos meus filhos é não estragar a fé deles. É minha herança."

Lindo texto, me botou a pensar: até que ponto tenho contribuído na manutenção da fé e da esperança da minha filha? Até que ponto tenho cuidado que a alma e o coração dela, tenham essa força que só os que  CREEM são capazes de ter? A necessidade de manter acesa a certeza de que pode ser diferente e melhor, que contrariando todos os maus presságios (e o mundo está cheio deles) a vida pode ser justa, dar certo e ser feliz? Até que ponto tenho garantido as janelas bem abertas, pra esse tanto de luz necessário pra condução dos dias?
 Li a crônica pra ela, emocionada e já me desculpando, auto censurando as tantas vezes que fui negativa, na tentativa estúpida de preservá-la: como se não fosse sempre preferível o joelho esfolado do tombo da bicicleta do que a vida sem arranhões e emoções, guardada atrás do medo...a vida espiada da janela, não tem vento na cara e risada aberta de pátio. A vida é pra ser vivida agora e com fé.
Com uma sabedoria adolescente linda, ela me diz: "sossega mãe eu sou do tipo que acredita nas exceções", e eu fiquei feliz, por que reconheci ali na expectativa da exceção alguma herança minha, algum desenho de coração onde ninguém veria nada :)

E vendo esse filme que eles fizeram, também vi que ela já sabe que a vida, fazemos nós, diariamente, curtindo os pequenos e deliciosos detalhes :D
https://www.youtube.com/watch?v=HyW2RonSw4s&feature=youtu.be


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

deixando decantar, o que turva...e enxergando melhor :)

Ontem mesmo, ainda abençoada por constatações do ultimo encontro com a minhas amigas (só quem nos conhece há bastante tempo pode bem avaliar o que a vida fez conosco e como reagimos e seguimos), reafirmei a importância de deixar PASSAR...o que é bem bonito, por que "tudo passa, tudo passará" (né Nelson Ned?)
E aí hoje pela manhã, carimbando a certeza, esse baita conselho do Tarot
"a importância de deixar ir

Cultivar o desapego é um dos conselhos fundamentais dado pelo arcano chamado “O Ceifador”, Nadia. Existem momentos da vida em que somos desafiados a perder cascas, a compreender a importância de caminhar, deixando paisagens para trás. Ainda que isso doa, uma vez que nosso ego se estrutura a partir de apegos e identificações, é a compreensão meditativa de que tudo passa que lhe permitirá seguir caminhando e, enfim, abrir-se ao novo que belamente se introduz em sua vida, pouco a pouco, passo a passo, até que você apareça com a alma totalmente renovada. Procure se interiorizar neste momento, evitando grandes atividades sociais. Faça este contato com o núcleo da sua alma e você entenderá quais são as coisas que precisam ser deixadas para trás.

Conselho: Viver é perder cascas continuamente!"
Que assim seja estar na vida plenamente é um presentão 


"já tive dias piores 
e dores muito maiores 
e sobrevivi a tudo, 
como um parto 
ou um susto, 
o depois 
acalma a dor "

terça-feira, 19 de agosto de 2014

e assim se passaram 20 anos...

Ai, ai que o tempo voa a gente sabe, mas esses 20 eu juro, não vi passar... queria mandar um super beijo saudoso à todos que fizeram esse evento acontecer, ao Paulo Guerra que sempre tem um túnel do tempo pra trazer a tona e acender a memória, um super obrigada a Milene Zardo que foi fundamental ensaiando a gurizada e que segue linda trabalhando com a Super Agency , aos finalistas que felizmente tenho quase todos como amigos ainda, espiem que novinhos éramos todos: Aline Orth, Gisele Bündchen, Patricia Silveira, Fabio Gomes, Ricardo Ribas Duarte, Paola Karasck Campos Tatiana Freitas, Alexandre Markovits, Rafael ...vendo essas imagens lembrei daquela viagem doida e inesquecível pra final em São Paulo...é bom ter historias pra contar e lembrar né?

http://vimeo.com/103769842

19 de agosto de 1994, grande ano :D

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/08/20-coisas-que-aconteceram-no-rio-grande-do-sul-ha-20-anos-4578130.html

terça-feira, 5 de agosto de 2014

o tempo...

Por que a vida é assim , sincronia pura, ontem toda uma ideia de tempo perdido e de agora, me visitou em posts e ideias recebidas, até que finalmente buscando um texto meu mesmo, achei esse que finaliza tudo... A gente só tem de verdade HOJE...é como bem disse o Caio F Abreu...“O que descobri, durante e depois da doença, é que a vida é um dom muito precioso. Mas a gente não se dá conta”.


A gente não tem todo tempo do mundo...só a intenção de tê-lo..e a inconsciência de acreditar na eternidade.
Pra continuarmos e nos justificarmos, nos amparamos nesse postergar, estúpido e infantil.
Não é só por que vi meu pai frágil naquelas roupas verdes e desconfortáveis que todos os hospitais colocam nos pacientes.
Não é só por que eu precisei desesperadamente da ajuda daquelas enfermeiras que parecem estagiárias de anjos.
Não é só por que subitamente a força tinha que ser minha e ela me faltou.
Não é só por que vi meu pai e outras tantas pessoas que eu amava morrerem sem que eu tenha tido tempo para dedicar a elas.
Não é só por que sei de tantas palavras mortas nunca ditas à pessoas vivas.
Não é só por que a Mercedes Sosa morreu e minha amiga Carmem nunca vai assistir ao show dela.
Não é só por que ontem estava um dia lindo e virou temporal.
Não é só por que é segunda.
Mas eu sei, hoje mais do que anteontem que o tempo não tem constância, o tempo não tem medida, propósito, previsibilidade...
O tempo não tem nenhuma responsabilidade,nós é que temos!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Uma gargalhada a menos, num Leblon menos feliz...

Uma vez tive a alegria de passar um Reveillon no Rio, foi um tempo bom, acho que eu estava fazendo 40 anos e me dei de presente: a viagem, a companhia da minha amiga, uma festa em alto mar num barco, vendo Copacabana brilhar ao longe, uma massagem ao ar livre numa tenda branca que parecia um sonho, lindas lembranças que voltaram agora... Junto a elas: Uma gargalhada e um aniversário.

A primeira é a gargalhada... estávamos na rua do Flor do Leblon, boteco muito conhecido, muito bem frequentado e onde seguidas vezes  encontrei o João Ubaldo, sempre com amigos e longas conversas arrastadas e risadas deliciosas...

A segunda é um aniversário...Nesse mesmo boteco, vi uma cena comovente...igualzinha a uma que li num livro, anos mais tarde.
Um pai uma mãe e uma menina, muito simples mas com uma certa solenidade nos trajes e cabelos, entraram pediram uma fatia grande de bolo, sentaram num cantinho, cantaram parabéns e ficaram vendo a menina comer...me emociono de lembrar...

Hoje voltei aquele lugar, por que soube que João Ubaldo se foi,  lembrei do passo arrastado, da fala mansa e da risada sem pressa, sempre gostei dos escritos que me levavam pra Itaparica e da figura do João Ubaldo... pena, perda triste...

Ele me disse que é preciso vencer a gente mesmo, e nisso eu acredito:  
 "Todo mundo tem medo, mas a pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos."



Vai bem João Ubaldo, deve ter um lugar bonito onde se possa continuar papeando e dando risada, por aí...Meu pai deve estar por aí também, mande minhas saudades.

E a menina, onde andará? Será que como eu, ainda lembra daquele aniversário? Tomara... Por que ali naquele cantinho do boteco, percebi um amor dos mais puros e necessários de se perpetuar!
 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Santa Esmeralda - Don't Let Me Be Misunderstood (Original 1977)

Bá, essa é túnel do tempo total... clube comercial em Itaqui, baile de
debutantes, meu vestido rosa plissado e meu pai desfilando comigo pelo
salão, enquanto o apresentador ( Braulio eu acho) dizia: Nadia tem
14 anos é filha de Asdrubal e Tania Lopes, tem
Como livro preferido O profeta de Kalil Gibran e música preferida Don't Let Me be Misunderstood....ahaha...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

envelhever, só se for assim...

Ao contrário do Nei Lisboa, eu não quero morrer bem velhinho, ali sozinho, bebendo vinho e olhando a bunda de alguém ...prefiro viver ate ficar bem velhinha, abraçadinha e querendo pegar a bunda do meu bem ...

terça-feira, 1 de julho de 2014

Entre poemas, cangotes e quindins ...


No concurso de 1995/1996 de Poemas no Ônibus, eu resolvi mandar um poeminha, por que sempre admirei imensamente esse projeto e pensei, quem sabe... mesmo sem muita convicção mandei :
Não faço mais festa
não te dou mais quindim
e a felicidade
que queria te dar
não digo, não dou
amasso todinha
num canto de mim


No coquetel onde todos estariam, eu estava feliz feito criança e curiosíssima pra conhecer o poeta de um poema que tinha me encantado, chamado Pai :
Pai
Meu pai tem uma bicicleta velha e eu gosto,
não dela que eu vou de pé e enauseia-me nas curvas.

O cangote dele eu cheiro disfarçado num medo amigo.
Com meu pai, vou onde o mundo desbarranca,
onde as plantas espiam Deus descansando.

Meu pai tem uma bicicleta e a guia.
Não há brisa mais veloz que ele quando
desce a rua e grita:

“Segura...”

E eu grito com ele e fico brisa pra levar-lhe bem
seguro
a cheirar o cangote de Deus

Me acheguei perto de um dos que me pareceu mais acessível e disse: Tu conhece todo mundo aqui? Eu quero muito conhecer um dos poetas...não sei o nome, mas é aquele do cangote de Deus...ele sorriu e me disse, prazer , sou eu Idésio de Oliveira e já estava toda lisonjeada da oportunidade e fiquei ainda mais, ao ouvir ele dizer: já e eu queria conhecer a moça do Quindim.
Foi assim e desde lá que viramos velhos amigos de infância, que bom que a vida nos fez encontro né amigão?

uma delicadeza pro dia...



Eu gostei imensamente desse filme, poesia pura, a relação que constroem a simplicidade de tudo e todos, um carinho pra sempre lembrar ...

nisso eu acredito...


quarta-feira, 25 de junho de 2014

olhos dispostos a ver colorido :)

Hoje meu amor veio tentar me ajudar num momentinho escuro, veio carinhosamente me abraçar e tentar me contagiar com a sua alegria, por que amor bom é assim: contagia e se preocupa com o outro...
Almoçamos, rimos e já com o coração mais colorido fui levá-lo até o carro pra dar um beijo de tchau...pra minha alegria, o carro estava estacionado bem embaixo dessa primavera eterna, que meu vizinho de rua fez... e talvez só com o coraçao mais limpo e tranquilo pude apreciar de pertinho :)

a primavera eterna que meu vizinho plantou...
O autor é meu vizinho que chama Fabiano, morava na aba de uma casa que logo será destruída, agora mora atrás dos tapumes da obra, mas o que eu quero contar, além do fato importante dele sempre varrer a rua e dar bom dia, é que replantou uma primavera na árvore da sua "casa" e eu acho comovente, esse tanto de cor de flores que ele encontra e pendura aqui...as flores de plástico não morrem... ele é um vizinho legal!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Maria Bethania, me interpreta há anos, está lançando Meus quintais e mais uma vez, me fala de mim :)

Falando do novo CD ela diz : “A infância é o broto de tudo”, reconhece ela, que diz ter tido “a felicidade de uma linda família, com oito irmãos e muitos primos em companhia dos quais curtiu a infância, com direito a “educação muito boa, em escola pública, rigorosa, e muito amor”.

“Meus pais se amaram muito. Isto era nítido entre eles”, admite a cantora, cuja infância “era festa o tempo todo”. “A infância pode, sim, construir a pessoa”, diz Maria Bethânia, que pôde desfrutar de muita música em uma das principais fases da vida, conforme reflete agora em Meus quintais.

“Acho o quintal o melhor lugar do mundo, onde aprendi absolutamente tudo, com a característica liberdade do espaço”. “O quintal é família, sexo, agasalho. Tudo começa ali”...

Essa leitura me leva de volta as tardes quentes de Itaqui, de silêncios para não atrapalhar a sesta dos adultos, nem ser descoberta e levada pelo homem do saco, essa lembrança que cheira a bolo de barro e tem a maciez de nuvens que resgatavam por horas meus olhos e ficavam ali se exibindo a construir imagens.

Fui solitária no meu pátio, mas fui dona e sei como ela, que a infância é mesmo o broto de tudo.

http://eusounadialopes.blogspot.com.br/2011/06/patio.html


gosto de gente...

Eu gosto de gente, gente variada, desde os quietos de olhos baixos aos que falam ansiosos e quase sem respirar, gosto de gente quando as sinto vivas, expostas, prontas ou tentando com força se aprontar, pra ser mais gente no próximo minuto, pra se reconhecer e ser melhor, gosto de gente que pede desculpa, gosto de gente que pede perdão, gosto de gente que é grata, gente que abraça, gente que olha, gente que toca, gente que chora, gente que ainda enrubesce, gosto de gente disponível, que tenta acertar, que tenta encaixar, que se posiciona, mas que não é intransigente e ouve a posição oposta, gosto de gente que inclusive se rende a argumentos e muda de opinião, mas gosto mais que tudo, de gente que me ajuda a ser mais gente, esse tipo de gente especial que me humaniza e me ajuda a simplificar a vida... grata a todas as gentes que, felizmente, encontro e me somam por aí...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

aprendi que não existe coraçao de pedra...

Eu achei esses dias uma daquelas bobas descrições do orkut que perguntava: com os relacionamentos anteriores aprendi... E eu aprendi: que coração sempre bate,pode estar receoso, bater baixinho, se fingindo de morto e de pedra, mas como o amor nos pertence, só está esperando que algum emoção forte nos convide pra passear de novo, de mãos dadas... 









nos relacionamentos anteriores aprendi que amor acaba
quase sem aviso,
vai perdendo o viço, a cor

e séca,
sem chance de renascimento
um olhar, uma palavra, um silêncio, uma raiva
e lá se foi o amor...
silenciosamente...

que amor
requer bom humor,cuidados,
atenção, paciência
e algumas doses de infância

que amor
tem pesos e medidas
o fato de ser feito de dois
torna as matemáticas
e as químicas
muitíssimo variávies

que amor
nos embeleza
pondo mais cor
e alegria no olhar

que o fim de um amor
pode escurecer tudo

então...

é preciso fazer luto
não beijar novas bocas
nem tentar consolo
em outro peito
é preciso
ajustar as contas
com as frustrações e os sonhos
arrumar a casa
dentro e fora
ler, caminhar, ouvir musica
ver a natureza completar ciclos
e
esperar
até
que
de algum jeito imprevisto
o amor venha novamente nos encantar

nos relacionamentos anteriores aprendi
que o amor nos pertence
pode recuar, se esconder, fazer casulo
mas é nosso
sempre volta
refaz nossas asas
e nos leva pra passear...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

ah, o amor...

Ah, o amor... Levei 50 anos pra aprender que amor é mesmo pátio e não a montanha russa que
acreditei a vida inteira...



*"Como é possível reconhecer um amor sincero e duradouro de uma paixão que logo, logo se esvai.


Quando se ama, o pior inimigo não é, como dizem por aí, o costume. Ele pode ser traduzido em intimidade, à guisa de elogio. A rotina pode ser deliciosa, porto seguro da alma, lugar onde ancorar a salvo do medo. A mesmice do outro não é chatice, é repouso.

A duração de um amor não esbarra nisso, é a idealização das escolhas que a abala. Somos tolos como insetos em volta da lâmpada. Ficamos trocando de parceiro, renovando a expectativa de algo maior, relançando as apostas num encontro absoluto. Balela. Amar é combater o desencontro a cada dia. Escute Clarice Lispector: "pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente".

O convívio não destrói o mistério, pelo contrário. Viver uma vida toda ao lado de alguém é resignar-se a não decifrá-lo. Não nos saciaremos um no outro. Ele nunca chegará a nos pertencer definitivamente. Um rio separa os amantes, travessias são possíveis, mas as margens não fundirão.

Gulosos, consideramos que a felicidade seria fazer-se um: queremos mais do que encaixe, o objetivo é zerar a distância, virar uma só laranja. Nesse caso, melhor casar com o espelho ou seguir em busca desse par perfeito, pulando de promessa em promessa, procurando no amor o tesouro escondido da felicidade.

O problema é que Amor e Felicidade sofrem da mesma sina. São inflacionados, acima de tudo incompreendidos e costumam não ser reconhecidos quando estão presentes em nossas vidas. Por natureza, eles são discretos, deixam-se estar, dispostos a um bom papo, uma tacinha de vinho. Mas em geral são ignorados. Depois de um tempo, partem incógnitos. Os que não souberam reconhecê-los sequer têm motivo para lamentar por isso, a ignorância os protege.

Já a Paixão e a Euforia nunca passam despercebidas, causam furor quando chegam. São barulhentas, jogam confetes em si mesmas e somem sem que se saiba quando foi que a Ressaca tomou seu
lugar.

Os amantes ingênuos são mais afeitos ao estilo destas últimas. Como num parque de diversões eterno, ficam em longas filas, na chatice da espera, para viver instantes de vertigem. Prefiro gastar meu prazo tomando um vinho com a Intimidade. Essa, é mais próxima da Felicidade. Acho que nunca terminarei de comemorar a permanência do amor como um presente que recebo a cada dia. Um pacote de presente que nunca abro. O mistério de seu conteúdo faz parte da felicidade de tê-lo em mãos."


* Diana Corso é psicanalista em Porto Alegre, RS. E escreve há dois anos para Vida Simples.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

acredito!

o meu amigo poeta Mário Pirata disse:

"não acredite em deuses que não dancem
não acredite em pessoas que não sonhem
não acredite em políticos que não cantem
não acredite em crianças que não voem
não acredite em palavras que não quebrem
não acredite em páginas que não cheirem
não acredite em flores que não rasguem
não acredite em poetas que não amem"

eu que estou precisando acreditar e me afastar dos nãos, vou parafraseá-lo poeta:


acredito que a dança nos faz deuses e leves
acredito que pessoas que sonham, salvam
acredito em políticos que buscam ser melhores
acredito que todos somos crianças, voadoras
acredito em palavras que quebram certezas e amolecem
acredito em paginas que cheiram lembranças
acredito em flores que rasgam sentidos e muros
acredito que o amor nos poetiza

e preciso desesperadamente acreditar!

terça-feira, 15 de abril de 2014

o amor que merece...

Quando vi esse filme super legal "As vantagens de ser Invisível" lembro que essa frase me tocou fundo. É a mais pura verdade e é bom sempre lembrar!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ele que já chega me arrepiando.....

Ele de Elisa Lucinda

"Já começa a beijar o meu pescoço

com sua boca meio gelada meio doce,
já começa a abrir-me seus braços
como se meu namorado fosse,
já começa a beijar a minha mão,
a morder-me devagar os dedos,
já começa a afugentar-me os medos
e dar cetim de pijama aos meus segredos.
Todo ano é assim:
vem ele com seus cajás, suas oferendas, suas quaresmeiras,
vem ele disposto a quebrar meus galhos
e a varrer minhas folhas secas.
Já começa a soprar minha nuca
com sua temperatura de macho,
já começa a acender meu facho
e dar frescor às minhas clareiras.
Já vem ele chegando com sua luz sem fronteiras,
seu discurso sedutor de renovação,
suas palavras coloridas,
e eu estou na sua mão.

Todo ano é assim:
mancomunado com o vento, seu moleque de recados,
esse meu amante sedento alvoroça-me os cabelos,
levanta-me a saia, beija meus pés,
lábios frios e língua quente,
calça minhas meias delicadamente
e muda a seu gosto a moda de minhas gavetas!

É ele agora o dono de meus cadernos, meu verso, minha tela,
meu jogo e minhas varetas.
Parece Deus, posto que está no céu, na terra,
nas inúmeras paisagens,
na nitidez dos dias, no arcabouço da poesia,
dentro e fora dos meus vestidos,
na minha cama, nos meus sentidos.

Todo ano é assim:
já começa a me amar esse atrevido,
meu charmoso cavalheiro, o belo Outono,
meu preferido."

Elisa Lucinda