quarta-feira, 17 de julho de 2013

amor por correspondência...

“Amor por correspondência tem problema de fuso horário, ele me entende tarde demais e eu desisto dele muito cedo”. Martha Medeiros.
Eu tive um lindo e raro amor por correspondência, e ao contrário do que diz a Martha aí em cima, não tínhamos grandes problemas de fuso horário...
Mas eram outros tempos, quando tínhamos mais gosto por rituais apaixonados, menos ansiedade e horas pra ver nuvens tomarem forma no céu, pra brincar de enroscar tatu-bola com toques de dedos, tempos outros, tempos de escrever a mão e caprichar na letra, de perfumar cartas, de esperar por dias uma respostas, e quando elas chegavam de abraçar e cheirar o envelope, de ler e rir e suspirar repetidas vezes, bons tempos onde os envelopes tinham bordas verde e amarelo e se lambiam selos.
Suspirei por esse tempo, hoje a tarde, com a caixa de entrada recheada de e-mails urgentes.
Lembrei tudo isso, ao ler o texto abaixo no blog O telegrafista http://www.otelegrafista.blogspot.com.br
“Com um objeto pontiagudo com tinta em seu interior
Esfreguei e marquei letras do alfabeto em sequência sobre uma superfície lisa, branca e fina.
Dobrei-a duas vezes sobre ela mesma, em dois quadrados que pudessem caber no interior de um outro retângulo oco que tinha uma espécie de tampinha de igual material, mas na forma quase triangular.
Coloquei o quadrado dobrado no interior desse retângulo.
Com um liquido branco e viscoso fixei uma espécie de pequeno brasão colorido, com as bordas recortadas, no cantinho superior direito do retângulo branco.
Marquei mais letras na face do retângulo para indicar paro onde ele deveria ir.
Passei o liquido pegajoso na ponta do pequeno triângulo e pressionei , alisando com a mão, na parte traseira. O retângulo fechou, impedindo assim que a superfície lisa marcada com letras que estava no seu interior pudesse cair para o lado de fora.
Depositei o retângulo branco, com o quadradinho dobrado e marcado com tinta azul, no interior de uma caixa de plástico amarelo, fixa por um pé de ferro, na calçada de minha rua.
Ouvi o quadradinho caindo dentro da caixa colorida e fiquei pensando como aquele retângulo branco chegaria ao lugar indicado. Sem fio, sem energia, sem bluetooth, sem wifi, sem qualquer conexão?
Inventam cada coisa. Difícil acreditar.” Caio Batista


Difícil acreditar que passei longos 3 anos trocando cartas semanais e adorando, eu adorava aquele jeito mais artesanal de cuidar do amor, de construir o amor nos mínimos detalhes, eu gostava dessa emoção que durava dias, gostava da espera pelo carteiro, por que como dizia o Pequeno Principe “quando eu sei que você vem, eu fico feliz uma hora antes” algo assim, a felicidade se estendia por mais tempo e eu sei que é difícil de acreditar, que era mesmo possível fazer conexões desse tipo.
Hoje com essa pressa maluca, uma pessoa on line sem um oi, já pode render uma DR, um ruído de comunicação por erro de digitação ou troca de janela,  outra...e a fugacidade.
Eu que sempre gostei de nuvens, tatu-bolas, tardes longas com pátio e varais, preciso receber uma carta, pro tempo e o coração voltarem pro prumo...


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