segunda-feira, 29 de julho de 2013

reaquecendo...

Escrevi uma vez um poema que ao final dizia assim:

"há anos aqueço, em banho-maria, as esperanças de sempre"

lembrei dele ontem, quando ouvi o Papa Francisco falar (ate então não tinha visto nada da visita e normalmente me canso do jeito dos padres falarem, parecem teatrais, teóricos e todos iguais)
Bom, mas voltando a entrevista, gostei de reaquecer minha esperança, não necessariamente numa igreja, mas em pessoas que possam em suas devidas posições, propor mudanças, se comprometer com elas, ter convicções e postura, agir de acordo ... me lembrei do Mujica que igualmente admiro e me aquece esperanças, o mundo precisa de pessoas assim, que SEJAM e por SEREM, simplesmente mudam o fluxo, e por dormir assim, aquecida, acordei mais feliz! 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

cheiros que aquecem...


Hoje precisei o fogão a lenha da casa da minha avó, aquele aconchego, aquela sensação quentinha de ser amada e estar protegida de tudo, aquele cheiro de leite de rosas do abraço, de comida gostosa sendo feita e de lenha queimando...


 Sempre existe um cheiro marcando forte cada lembrança minha, o leite de rosas da vó , o cheiro de bolo e café nas tarde da infância, o perfume do pai e da mãe, o cheiro de quentão, pinhão, das festas juninas, o cheiro de lenha queimando pra aquecer o inverno, as frésias na primavera, o cheiro das roupas da Argentina, o cheiro de macela do meu primeiro amor, o cheiro de sexo quando o descobri, o cheiro da filha recém nascida, o cheiro de leite após a amamentação , o cheiro de terra molhada nas chuvas de verão, o cheiro de comida caseira , o cheiro do mar, dos primeiros pêssegos , das bergamotas, dos abacaxis de terra de areia, o cheiro de lençol limpo de hotel, o cheiro de citronela em Ilha Bela, o cheiro triste de eucalipto no leito de morte da minha vó( que antes cheirava a rosas), o odor que vira perfume quando nos apaixonamos, o cheiro ruim de quem deixamos de amar, o perfume que senti nas ruas de Paris, o cheiro do vinho que bebi em Brugges... Ah, o quanto todos esses cheiros passados acabam sendo também personagens da minha história, mais que isso, autores, quando me assaltam inesperadamente e me levam de volta...De repente um cheiro antigo num abraço novamente, um café da tarde, nas tardes que quase desisto, uma primavera de frésias em pleno inverno e rastros daquele amor de descobertas e crenças.Depois Paris, Ilha Bela, Itaqui, bergamotas no pé...Ecos de gargalhadas...A minha filha, com seus novos cheiros diariamente, framboesa, morango, pipoca, chocolate...e o cheiro dela, doce por natureza.
Ah, o cheiro bom do beijo, misto de respiração e  saliva, quando nos apaixonamos...
Sou um arsenal de cheiros e saudade e são eles me aquecem em dias como hoje.
 

saudade de ocê...

vai com Deus Dominguinhos...quem espalhou doçura e sorrisos por aqui, já está na LUZ!

lembrei de uma linda que muito cantei;

" Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero
Um abraço para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade

Que bom poder estar contigo de novo
Roçando teu corpo e beijando você
Pra mim tu és a estrela mais linda
Teus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter.

É duro ficar sem você vez em quando,
Parece que falta um pedaço de mim.
Me alegro na hora de regressar,
Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim"



ah, essa e "tô com saudade de tu meu desejo" e "que falta eu sinto de um bem, que falta me faz um xodó" me embalaram muitas saudades e vontades de um carinho...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

anos...

"um bom poema leva anos 
cinco jogando bola, 
 mais cinco estudando sânscrito, 
seis carregando pedra, 
nove namorando a vizinha, 
sete levando porrada, 
quatro andando sozinho, 
 três mudando de cidade, 
dez trocando de assunto, 
uma eternidade, eu e você, caminhando junto"
Paulo Leminski 


assim como um bom poema, um bom amor  leva anos... as cartas e os tempos amarelados de antes me ensinaram isso... 
(chorei vendo esse desenho)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

amor por correspondência...

“Amor por correspondência tem problema de fuso horário, ele me entende tarde demais e eu desisto dele muito cedo”. Martha Medeiros.
Eu tive um lindo e raro amor por correspondência, e ao contrário do que diz a Martha aí em cima, não tínhamos grandes problemas de fuso horário...
Mas eram outros tempos, quando tínhamos mais gosto por rituais apaixonados, menos ansiedade e horas pra ver nuvens tomarem forma no céu, pra brincar de enroscar tatu-bola com toques de dedos, tempos outros, tempos de escrever a mão e caprichar na letra, de perfumar cartas, de esperar por dias uma respostas, e quando elas chegavam de abraçar e cheirar o envelope, de ler e rir e suspirar repetidas vezes, bons tempos onde os envelopes tinham bordas verde e amarelo e se lambiam selos.
Suspirei por esse tempo, hoje a tarde, com a caixa de entrada recheada de e-mails urgentes.
Lembrei tudo isso, ao ler o texto abaixo no blog O telegrafista http://www.otelegrafista.blogspot.com.br
“Com um objeto pontiagudo com tinta em seu interior
Esfreguei e marquei letras do alfabeto em sequência sobre uma superfície lisa, branca e fina.
Dobrei-a duas vezes sobre ela mesma, em dois quadrados que pudessem caber no interior de um outro retângulo oco que tinha uma espécie de tampinha de igual material, mas na forma quase triangular.
Coloquei o quadrado dobrado no interior desse retângulo.
Com um liquido branco e viscoso fixei uma espécie de pequeno brasão colorido, com as bordas recortadas, no cantinho superior direito do retângulo branco.
Marquei mais letras na face do retângulo para indicar paro onde ele deveria ir.
Passei o liquido pegajoso na ponta do pequeno triângulo e pressionei , alisando com a mão, na parte traseira. O retângulo fechou, impedindo assim que a superfície lisa marcada com letras que estava no seu interior pudesse cair para o lado de fora.
Depositei o retângulo branco, com o quadradinho dobrado e marcado com tinta azul, no interior de uma caixa de plástico amarelo, fixa por um pé de ferro, na calçada de minha rua.
Ouvi o quadradinho caindo dentro da caixa colorida e fiquei pensando como aquele retângulo branco chegaria ao lugar indicado. Sem fio, sem energia, sem bluetooth, sem wifi, sem qualquer conexão?
Inventam cada coisa. Difícil acreditar.” Caio Batista


Difícil acreditar que passei longos 3 anos trocando cartas semanais e adorando, eu adorava aquele jeito mais artesanal de cuidar do amor, de construir o amor nos mínimos detalhes, eu gostava dessa emoção que durava dias, gostava da espera pelo carteiro, por que como dizia o Pequeno Principe “quando eu sei que você vem, eu fico feliz uma hora antes” algo assim, a felicidade se estendia por mais tempo e eu sei que é difícil de acreditar, que era mesmo possível fazer conexões desse tipo.
Hoje com essa pressa maluca, uma pessoa on line sem um oi, já pode render uma DR, um ruído de comunicação por erro de digitação ou troca de janela,  outra...e a fugacidade.
Eu que sempre gostei de nuvens, tatu-bolas, tardes longas com pátio e varais, preciso receber uma carta, pro tempo e o coração voltarem pro prumo...