quinta-feira, 9 de maio de 2013

meu pacotinho...


Alice ( meu pacotinho)
Escolhi te ter no hospital Divina Providência, que na época, tinha um jeito bem tradicional de “embalar” bebês...Lembro que nosso segundo encontro, pós-parto foi no quarto e tu vieste embrulhada, como se fosse um charutinho de gente, provavelmente temendo a ansiedade das mães e conhecedores da fragilidade dos humanos recém nascidos, julgavam empacotar os bebês, o mais seguro.
O fato é que assim que te peguei no colo, meu primeiro movimento foi te livrar daquilo que me pareceu uma prisão, queria te ver e tocar nas tuas mãozinhas, na pele, no corpo, queria te ver inteirinha, cheirar, bem mãe bicho...assim nos tocamos e começamos o grande processo e lindo, de amamentação.
Por que estou falando tudo isso?
Por que tu “meu pacotinho” já tem 16 anos, dezesseis anos é um tempo enorme numa vida, nesses primeiros então, nossa!
Daquela fragilidade muda de humano recém nascido, até os passos de hip-hop que hoje ela ensaiava na sala, houve um caminho enorme de primeiros passos e tombos, de primeiras palavras balbuciadas e erros, de choros intermináveis, que a pobre mãe de primeira viagem desconhecendo a origem chorava junto, houve muito pra aprendermos e com certeza muuuuuuuuuito mais descobriremos e aprenderemos juntas, estamos crescendo juntas!
Muitas vezes eu fico me perguntando se sou suficientemente capacitada pra tarefa, se não estou errando nas proibições e nas liberdades, ser mãe não é exatamente uma facilidade, caímos em contradições, temos culpas, dúvidas, medos, ficamos frágeis, queremos manuais que ensinem e eles não existem, queremos a certeza de que estamos cumprindo bem o legado e só ás vezes, numa postura do filho, numa frase pronunciada, num olhar, num momento, ela existe, quando sentimos um breve alívio: Isso eu ensinei..e é bom!
O que eu queria mesmo era dizer pro “meu pacotinho”, que por mais contradições e receios que a tal maternidade me faça viver, nenhum momento na minha vida, foi ou será mais importante que o nosso primeiro olhar, trocado na sala de parto e nenhuma palavra será suficiente pra expressar o tanto de amor e entrega e plenitude, que aquele segundo momento onde nós bichinhos nos reconhecemos, encostando as peles e os olhares, ficamos fortes, alimentando-nos, ela de amor e leite, eu de amor e paz,
Momento mágico, momento lindo!

Mil vezes obrigada, meu amor, por ter me escolhido pra ser tua mãe, acredito naquela tua história de que ficou espiando lá do céu, e disse: aquela lá é a mulher que eu escolhi! Sou muito melhor e muito mais mulher depois disso.
Desculpa as vezes que erro, o ser humano adulto é tão frágil quanto tu me pareceu naquele pacotinho, estamos sempre reaprendendo a sentir, a tocar, a ser e isso é confuso e lindo!
É muito gostoso ter alguém pra compartilhar a vida, é maravilhoso e mais seguro, cumprirmos o caminho bem acompanhados, nós estamos!

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