quinta-feira, 11 de abril de 2013

ah, um amor Only You....

Li “amor é prosa sexo é poesia”crônicas afetivas do Arnaldo Jabor e fui subitamente tomada por uma necessidade de poesia, de AMOR POESIA!

No livro Jabor descreve com brilhantismo o sentimento que me assalta: “estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu a aura... estamos com fome de infinito em tudo, na vida, na política, no sexo.”

Jabor se diz “do tempo que as namoradas não davam”, nós os quarentões apesar de sermos de uma geração posterior, adolescentes pós-pílula, somos os filhos dos casamentos virgens, dos casamentos os últimos provavelmente a comemorar bodas de prata. Então se nos permitimos “dar” o que era nosso de direito, demoramos um tempo danado para associar sexo a amor, se é que chegamos a gozar, no pleno sentido da palavra, nossa sexualidade, perdida que andava a tal, entre sonhos casamenteiros e príncipes hollywoodianos. Não só demoramos a associar amor e sexo, como feito pescadores caímos muitos, nos cantos sedutores das sereias e nos atiramos nos prazeres vastos do sexo pelo sexo, do prazer como fim.

Sexo tinha cara de revolucionário, amor pareceu meio careta por um tempo, quase como poesia arcaica, como um soneto, muitos como eu hoje devem ter essa sensação de vazio saudoso, do amor que distanciado, tinha uma aura mais nobre do que o sexo, nos negamos a considera-los “farinha do mesmo saco”. Ah, como amor e sexo nos confundiu e confunde... até hoje!

Faço todo esse papo sexual, por que de certa forma não concordo quando Jabor diz que sexo é poesia, sexo virou crônica diária em qualquer jornal (nem sempre bom) e o Amor incorporou a própria poesia: utópico, inatingível.... inspirado/inspirador no seu distanciamento.

Por isso eu que mal conheço e ou me permito as graças do gozo gratuito, que sem amor, promíscuo sempre julguei, caio nesse saudosismo de amor sagrado...

Tenho muita saudade do amor que se instalava sem aviso prévio, que ruborizava, que nos tirava do chão em devaneios, impossível não reconhecer, tenho saudade de mim.. em minha crença inabalável no amor, na sua  força e na sua eternidade... Muitas vezes ao me ler, me sinto a própria Xuxa fantasiada de pré-adolescente vivendo num limbo cor-de-rosa...agora novamente!

Uma Nádia que anda aprendendo preceitos budistas, me pergunta se não seria este um tipo de amor de apego, um dos tantos conceitos ocidentais que valeria a pena desprezar? Ao que a outra reage e como criança sapateando reafirma: “Eu quero o amor poesia... mais do quero, eu preciso crer na sua existência! Tu não?”

Pode ter mudado o mundo, mas não sei se mudei eu e mais que sonhos hollywoodianos de encontros mágicos, de música tocando, de felizes para sempre em beijos a beira mar... Mais que essa “poesia” forjada e implantada feito chip na minha cabeça-coração, sinto falta do desarmamento do amor, da entrega, do não receio, da minha virgindade emocional...

“Amar exige coragem e hoje somos todos covardes” mais uma vez o Jabor me socorre e me interpreta, sinto falta de amor heróico, de um amor bravio, que “não se mixa” como diriam lá no Itaqui, que não se entrega, que não desiste de tentar encaixar, não simplesmente um sentimentozinho frágil e mixuruca que só busque encaixe, mas que saiba o tanto de sagrado deveria ser o contato dos ossos “sacros” e por que não esse amor sagrado ser também um “amor feliz para sempre?”

Minha alma que é antiga&saudosista,  toca a musica que embalou o amor do meu pai e minha mãe, The Platters  e mais uma vez a Nádia, Xuxa, cor-de-rosa, pré adolescente sapateia e faz bico: “eu quero um amor Only you!” com suspiros pré musica lenta.


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