sexta-feira, 1 de março de 2013

o passado que se guarda...



"Há um sorriso pequeno
Nos lábios que amei.

Faz tempo que te não via
E ao ver-te pensei
Estás mudada, estou mudado
E dos jovens que um dia se amaram
Nasceu este fado.

Há um sorriso pequeno
No homem que eu sou
Iniciámos o amor
Quando o amor nos cegou.

Não me esqueço
Não te esqueças
Que inocentes escondidos
Escondemos o amor feito às pressas.

Não penses que te vejo como outrora
A Vida esgota a Vida hora a hora.
O Tempo gasta o Tempo e marca a gente
O espelho mostra como eu estou diferente
Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim.

Há um sorriso pequeno
Nos olhos dos dois.

Há uma duvida triste que existe e depois
Fico à espera
Estas à espera
Mas a voz não se atreve
Uma lágrima em mim desespera.

Não penses que te vejo como outrora
A Vida esgota a Vida hora a hora
O Tempo gasta o Tempo e marca a gente
O espelho mostra como eu estou diferente
Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim.

Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim"

Tão bonito esse fado que acabei de conhecer e entender tão profundamente, talvez o passado seja assim, uma eternidade pra levar por dentro , não para repetir.

Sincrônico com dois textos que recebi há pouco:
"Caminhar pelas ruas de um lugar habitado mais na memória do que no cotidiano é sempre estranho...vamos compreendendo os lugares onde somente a memória é capaz de visitar. As coisas que não existem mais mas que ainda acontecem, tornam-se eternas. Quem será capaz de matar uma beleza que, tendo-nos atravessado, constitui-se em nós?
... A sabedoria de quem registra o presente é conseguir criar memórias futuras."
(Ismael Caneppele/ A Estetica do calor- Menino Deus)


"Se você gosta muito de um lugar e tem boas lembranças dele, não volte mais lá. Você vai em busca do tempo, e este, não estará mais lá". (Eduardo Alves, escritor e educador). 

E vai ficar lá bem guardadinho o tanto que amamos e rimos em tardes sem pressa, o quanto fomos enredando a vida a outra com o cuidado e a naturalidade de uma planta que vai crescendo e se pegando nas paredes pra subir e vão ficar alguns poemas, milhões de fotografias, lembranças que ao final serão só boas, por que o tempo é um editor preciso quando se quer bem guardar um amor que foi importante, e  assim quando quem sabe os olhos se encontrem, talvez não tenhamos mais nenhum resquício de fogo ou dor,  talvez um tantinho de pena, e provavelmente essa não seja a palavra certa, um tantinho de qualquer sentimento entre saudade e falta do que sentimos em dia, o que provavelmente fará o abraço ser grande e o sorriso um pouco menor que antes...e os olhos um pouco úmidos...


 

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