sexta-feira, 22 de março de 2013

entendam esse post como um GRITOOOOOO!!!

"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas" hoje lembrei dessa estrofe do Caetano Veloso...e constatei triste e bem desestimulada que CADA VEZ MAIS é a tal força que MANDA e que justifica: posturas, comportamentos e toda a M que assola nossa vida. Quando me formei em comunicaçao há 28 anos atrás, fizemos uma festa anarquica, rejeitando as pompas, togas e circunstancia e entramos no salão cantando os PODRES PODERES que rejeitavamos e INFELIZMENTE segue atualíssima, e é tambem do Caetano...(aqui com a Gadu pra parecer que é uma novidade)...
Não gosto de fazer parte de um mundo assim...
fico TRISTE , MUITO CANSADA E FRUSTRADA com a TREVA que é o DINHEIRO MANDAR EM TUDO!!! E destruir tanto...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Quando a amargura vira armadura...


Há muitos anos atrás eu assisti a um filme, onde o John Travolta ainda novinho, era o menino da bolha, vitima de uma doença que lhe tirava a imunidade, o menino passava a vida ali, naquele universo intocável.
Nada podia entrar ali, e as mãos que os tocavam eram igualmente revestidas de plástico.
Na época fiquei impressionadíssima com aquilo tudo, pra mim foi praticamente um filme de terror. Alguém nunca ser tocado e não ter qualquer contato, me pareceu a pior coisa do mundo.
A vida dele era restrita aquelas quatro paredes transparentes, que lhe garantiam a sobrevivência.
Por que lembrei disso?
Porque ontem um amigo me disse o quanto esteve anestesiado.
Era como se eu estivesse numa bolha, como se nada pudesse me atingir! Ele me disse.
Só que esse meu amigo da bolha, felizmente sofreu uma grande crise, foi vítima de uma injustiça, e com isso, a bolha protetora se rompeu, e ele percebeu o quanto precisava ser tocado, ouvido, entendido e acalentado.
Eu fiquei aqui em silêncio pensando, o quanto temos todos virado bolhas, pra nos proteger, pra nos preservar, por que reconhecemos nossas imunodeficiências, por que temos medo e o mundo, não anda um lugar seguro pra se viver, amar e ser.
Somos gente-bolha quando assistimos as cenas de guerra do Oriente Médio e de São Paulo, e vemos os mortos, os feridos, os números todos, como números, tirando do fato, a dor, o sangue e toda e qualquer humanidade.
Somos gente-bolha quando viramos o rosto, pra quem nos pede comida, um “troquinho”, quando atravessamos a rua pra não passar por mendigos, quando tentamos não ver, ou nos defendemos dizendo que isso não é problema nosso.
Somos gente-bolha quando desistimos de acreditar e ficamos fingindo conforto, num limbo de não sentir, negando a falta de ter esperança, sonhos, ideais e todas esses outros sentidos, que por anos nos serviram de motor pra viver e acordar.
Naquele tempo não éramos bolhas.
E nos permitíamos de peito aberto e cara limpa enfrentar o que viesse.
Talvez tenha vindo muito mais do que podemos suportar.
Talvez tenhamos desistido de dar a cara á tapa.
Ou talvez a crise não tenha sido suficientemente grande, pra nos despertar desse torpor e perfurar essa armadura transparente que nos preparamos.
Quando a amargura vira armadura...e vice versa.

terça-feira, 12 de março de 2013

a cada milágrimas...

sai um milagre...leveza nessa tarde cinza...poesia de recomeços e superarçao, grande Alice Ruiz, grande Itamar Assumpçao...e belissima voz e interpretaçao d Anelis Assumpçao...


segunda-feira, 4 de março de 2013

etc...

em mim uma puta
uma louca
uma poetiza
um homem sério
um jogador inveterado
uma criança desamparada
uma loba uivando
um bicho preguiça
um urso hibernando
um chipanzé palhaço
existem milhões em mim - existindo
simplesmente existindo
me alimento
de sombras, luzes, contradições, palavras, silêncios
ser várias, me tranqüiliza....

sexta-feira, 1 de março de 2013

o passado que se guarda...



"Há um sorriso pequeno
Nos lábios que amei.

Faz tempo que te não via
E ao ver-te pensei
Estás mudada, estou mudado
E dos jovens que um dia se amaram
Nasceu este fado.

Há um sorriso pequeno
No homem que eu sou
Iniciámos o amor
Quando o amor nos cegou.

Não me esqueço
Não te esqueças
Que inocentes escondidos
Escondemos o amor feito às pressas.

Não penses que te vejo como outrora
A Vida esgota a Vida hora a hora.
O Tempo gasta o Tempo e marca a gente
O espelho mostra como eu estou diferente
Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim.

Há um sorriso pequeno
Nos olhos dos dois.

Há uma duvida triste que existe e depois
Fico à espera
Estas à espera
Mas a voz não se atreve
Uma lágrima em mim desespera.

Não penses que te vejo como outrora
A Vida esgota a Vida hora a hora
O Tempo gasta o Tempo e marca a gente
O espelho mostra como eu estou diferente
Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim.

Não estou novo, não sou novo
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim"

Tão bonito esse fado que acabei de conhecer e entender tão profundamente, talvez o passado seja assim, uma eternidade pra levar por dentro , não para repetir.

Sincrônico com dois textos que recebi há pouco:
"Caminhar pelas ruas de um lugar habitado mais na memória do que no cotidiano é sempre estranho...vamos compreendendo os lugares onde somente a memória é capaz de visitar. As coisas que não existem mais mas que ainda acontecem, tornam-se eternas. Quem será capaz de matar uma beleza que, tendo-nos atravessado, constitui-se em nós?
... A sabedoria de quem registra o presente é conseguir criar memórias futuras."
(Ismael Caneppele/ A Estetica do calor- Menino Deus)


"Se você gosta muito de um lugar e tem boas lembranças dele, não volte mais lá. Você vai em busca do tempo, e este, não estará mais lá". (Eduardo Alves, escritor e educador). 

E vai ficar lá bem guardadinho o tanto que amamos e rimos em tardes sem pressa, o quanto fomos enredando a vida a outra com o cuidado e a naturalidade de uma planta que vai crescendo e se pegando nas paredes pra subir e vão ficar alguns poemas, milhões de fotografias, lembranças que ao final serão só boas, por que o tempo é um editor preciso quando se quer bem guardar um amor que foi importante, e  assim quando quem sabe os olhos se encontrem, talvez não tenhamos mais nenhum resquício de fogo ou dor,  talvez um tantinho de pena, e provavelmente essa não seja a palavra certa, um tantinho de qualquer sentimento entre saudade e falta do que sentimos em dia, o que provavelmente fará o abraço ser grande e o sorriso um pouco menor que antes...e os olhos um pouco úmidos...


 

Me sentia mal amada...

Uma vez escrevi um poema...

A primeira vez que não me amaram
Levaram a leveza que do amor me vinha
Agora toda vez que me desamam
Levam a capacidade de amar que eu tinha...


Me sentia mal amada...
Isso foi antes de entender que a sensação de ser mal amada, era anterior ao próprio amor, era uma ânsia minha, uma postura de quem primeiro espera receber para só depois ser capaz de também doar...
Ser mal amada, não estava direta ou proporcionalmente ligado ao tanto de amor que me deram ou me sonegaram, ser mal amada era ser amada de outra forma, diferente e aquém da minha expectativa.
Ser mal amada era não ter sido olhada na hora que o olhar me faria aprovada e aceita. Na hora que meus olhos procuraram em outros olhos o que me faltava.
Não ter sido abraçada no momento em que eu estava ínfima..
Ser mal amada era ter ouvido silêncio enquanto uma unica palavra já me acalentaria.
Eu fui assim me sentindo mal amada, um pouco por que julguei que o amor era um super herói invencível, infalível e esperei que ele me salvasse. E o amor coitado, não tem super poderes, não salva ninguém, quando existe dá vontade de vôo, quando muito mostra que tem azul além, quando grande dá certeza de asas. O amor é um herói lindo e frágil.
Assim me sentia mal amada por que faltou mão, faltou ombro, faltou tempo, faltou cuidado, faltou colo, mas principalmente me sentia mal amada por que sobrou espera, sobrou desconhecimento, sobrou frustração, sobrou espaço não preenchido, faltou sentido.
Me sentir mal amada, me fez ansiosa, apressada, latente, me fez carente e ávida.
Me fez falar na frente, me fez forjar força e independência. Me fez negar por muito tempo minha necessidade de amor!
Antecipei palavras, adivinhei roteiros e próximas cenas. Fui controladora, por puro receio da destruição que o descontrole de um desamor me gerou e geraria.
A sensação de ser mal amada me roubou paciência, persistência e outras dessas ciências que facilitariam os encontros, me sentir pouco ou mal amada me deu urgência e uma antecipação de rejeição que de nada ajudaram na manutenção dos afetos, me tornando inábil, me tornando arredia, me cobrindo de medo e dor: medrosa da intimidade, da exposição, da entrega... me sentir mal amada, quase me roubou o amor.