quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Turista em Porto Alegre


Descobri meu lugar, onde consigo ser todas as outras que me habitam, sem conflito.
Sentindo falta daquela eu interiorana, que como criança, acreditava nas pessoas, nas boas intenções, acreditava em tudo incontestavelmente, saio a me procurar nas ruas da cidade baixa, no menino deus, na auxiliadora, cumprimento àqueles poucos que ainda sentam nas calçadas, me vejo nas crianças que brincam na rua e prossigo.
Para esquecer de mim, me exilar, caminho na rua da praia, ao meio-dia, sinto a pressa das pessoas, a neurose cronometrada do centro da cidade e sou ninguém tranqüilamente.
Quando romântica, querendo enxergar beleza, sento na beira do Guaíba e vejo ele receber brilhante, o sol que se põe vermelho, para mim e para alguns casais que se beijam e siluetados, viram um só.
Se acordo subitamente comunicativa e quero encontrar e abraçar pessoas, procuro o Bric aos domingos e muito sociável, tomo chimarrão e sou feliz.
Querendo extravasar, xingar, gritar, vibrar, sentindo a força de ser massa, vou ao Beira-Rio e sossego o stress me sentindo multidão. 
 Quando quero me sentir na Europa, caminho entre os plátanos do DMAE da Vinte e Quatro, tomo um café no Teatro São Pedro, passeio da Casa de Cultura, no Margs, no Santader , me sinto no primeiro mundo e me orgulho.
Para assumir toda a culpa do mundo, encaro as crianças na sinaleira, a falta de perspectiva dos sem-teto que crescem dia após dia, me sinto impotente e enfraqueço.
Quando preciso natureza, caminho no Morro do Osso ou me permito uma sombra no Parque da Redenção e viro árvore, vento.
Para sentir a leveza, o descompromisso, a sensação de “beira-mar”, passeio por Ipanema, tentando esquecer que poderíamos
andar por ali de biquini e nos refrescar, se não tivéssemos poluído tanto o nosso quase mar.
Ah, e quando eu quero a “boêmia que aqui me tem de regresso”, vou pra parte festiva da cidade baixa, e entre boa música, violões e vozes, ficarei até de madrugada.
É assim, caminhando entre plátanos e jacarandás por tantas ruas mágicas, que vou compondo meus pedaços, vivendo minhas metades, fazendo de Porto Alegre meu esconderijo.



























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