quarta-feira, 29 de agosto de 2012

na chuva...


Acabei de ver um menino tomando banho de chuva, era pouco mais que um bebê, dois anos talvez, estava no colo do pai, que pra tornar o incômodo uma brincadeira dizia bem alto: Socorro, a chuva está molhando meu filho...Socorro!
O menino no colo ria muito, lambia a chuva e tinha tal deslumbramento nos olhos, e tanto brilho que fiquei me perguntando, há quanto tempo será que perdi isso, essa capacidade de brincar com o imprevisto, de transformar um banho num acontecimento, um colo no melhor lugar do mundo.
Em que momento a mágica capacidade do deslumbramento nos abandona? Ou somos nós, que nesse exercício de gente grande, abrimos mão dela?
Será que só temos essa capacidade nas inaugurações? Seria aquele o primeiro banho de chuva do menino?
         Por que as chuvas não mudam, a natureza continua a fazer coisas interessantes: arco-íris, luas enormes ou mínimas, pôr do sol multicolorido, lagartas que viram borboletas, flores, primavera, outono, etc... Isto falando só em fenômenos naturais.
Fora às outras possibilidades de deslumbramentos: palavras que nos interpretam, olhares que se cruzam e param, músicas que nos tocam, arrepios e suspiros, toques, abraços, beijos, etc...
Será que com o tempo, perdemos a capacidade de nos surpreender?
Será que o “correr da vida”, ao nos apresentar surpresas não divertidas, nos cria defesas e olhares opacos?
Será que os exercícios adultos, de pressa, urgência, seriedade e maturidade, nos paralisam?
Será que ficamos tão bestas, a ponto de considerarmos besteira, rir por encantos passageiros?
      Vendo aquela alegria brilhante do menino sinto uma vontade enorme de esquecer a dor de garganta, fechar o guarda-chuva e brindar com ele, essa capacidade sábia, que as crianças tem e alguns adultos não abandonam,
de curtir o que a vida oferece, pra ser feliz!
      Deslumbrante...Cada dia que nasce sempre é...O resto do dia é o que fazemos dele...
Eu quis como o menino, aprender a curtir tudo, rir aberto, provar e lamber as oportunidades, viver e ser feliz hoje me pareceu, uma escolha simples, estar na chuva pra se molhar!

Por isso decidi hoje mesmo vou comprar uma bota de chuva colorida pra brincar!

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