quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Memórias fotográficas...

Numa casa simples de madeira, morava um senhor idoso, pouco se sabia dele, viúvo arriscavam umas vizinhas, parece que perdeu toda a familia de forma trágica “tricotavam” outras, de fato só se sabia que era um homem de hábitos simples e sozinho, por que não recebia nenhuma visita e todo fim de tarde sentava para tomar chimarrão na porta da casa acompanhado de um rádio de pilha. A casa um sobrado de madeira, carecia cuidados e pintura, mas permanecia inalterado até uma noite, que incendiou, muito rapidamente, o sobrado virou enormes labaredas e mesmo com os bombeiros e a ajuda dos vizinhos, virou tocos de madeiras chamuscados. Não sei o que foi feito do pobre homem, logo o espaço virou uma obra, um edificio e ficou essa memória arquivada entre tantas.
Lembro que curiosa, cheguei muito perto do vizinho, que desconsolado só repetia: “Não consegui salvar nenhuma fotografia, nenhuma fotografia...”
Volto a cena, entendo por que aquela dor me tocou tanto e por que a solidão daquele homem me pareceu ainda maior e sem possibilidade de consolo, estavam queimadas suas memórias.
Numa noite, em minutos perdeu de novo toda a família, seus sorrisos, os casamentos, os batismos, os aniversários, a infância da filha,etc... mas isso, já é minha ficção, não sei nada do meu ex- vizinho, além de que era um homem sozinho, de hábitos simples, que não recebia visitas e não teria agora, nem música, nem álbuns de retratos para folhear.
Triste assim. Simples assim...

Na minha tentativa pollyanesca de jogo do contente, torço que ele tenha virado a página... refeito fotografias sorridentes, e que more bem acompanhado num outro sobrado, branco com janelas azuis.

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