quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A memória é uma doidivanas.
Nem sempre soube disso, mas quando ela começou a me atormentar, fui obrigada a encará-la e olhos nos olhos reconhecer: uma inconseqüente!
Por isso hoje já não confio muito nos meus “pseudo” registros de passado, percebo neles algumas intenções claras, umas desculpas, umas justificativas e a sempre estúpida tentação de “ter razão”.
Acho que em relação à memória podemos ter várias posições bem distintas:
- Vítimas: quando deixamos a doidivanas tomar conta e fazer a história ter a cor, o propósito e o formato necessário para agirmos desta ou daquela forma. Assim conheço montes de pessoas que amargam lembranças escabrosas que lhes tolhem qualquer movimento.
(importante ressaltar lembranças nem sempre reais)
- Cúmplices (co-autores): sabemos que a história teve outros meandros e que a memória vai fazer seus cortes e suas super produções, mas seremos comparsas, vez ou outra nos defenderemos usando-a, teremos a clareza de que ela não é isenta, e que pode como nós ter intenções escusas.
- Displicentes: quando simplesmente não vamos levá-la a sério.

Sei que nas Tpm e nas crises, talvez ela me queira fuçar por dentro e nas vezes que deixo, normalmente tenho rinite emocional de tanto levantar pó da memória, mas logo digo como que falando com um companheiro íntimo: Agora deu! Não quero mais ficar nessa gastura, me deixa!

Por isso intercalo minhas relações com a memória usando cumplicidade e displicência.
Sei que ela me usa, e também vira e mexe uso-a e assim seguimos.
Com um respeito recheado de senões, trato a memória, com o rigor e o pré-descrédito que uso para rever meus ídolos infantis, depois de madura.
Sei que ela por muito tempo esteve me enganando, assim como sei que fomentei esses enganos.
Não sei se a de vocês é diferente, mas a minha, não é confiável!
Imagino que ela possa dizer o mesmo de mim!!!

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