domingo, 15 de julho de 2012

será uma sangria desatada?

                              uma noite fria, a luzes amarelas no ambiente prometiam acalanto
Rápido fomos conhecer a Fomentera, o cenário de Lúcia e o sexo me disse um deles e sim, eu lembrava de uma beleza sem fim, do mar azul, do farol e dos precipicios...não conheci, nem consegui me imaginar, morando no bosque, dormindo numa rede embaixo da lua e de uma quantidade absurda de estrelas, que só mesmo um lugar sem concorrência de muitas luzes artificiais permite, mas é interessante ouvir que uma vida assim, pode ser possível, mesmo que eu não consiga sequer imaginá-la...
Sangria e tapas alguém sugere...
Os tapas nunca serão como os espanhóis, até por que os brasileiros tendem a dar toques personalizados a tudo, adulterando-os...lembro de uma pizza que comi em Roma e de uns tapas incríveis de San Sebastian e sou obrigada a concordar...
O basco que conheci há pouco, numa conversa que viaja mundo a fora, de influências e gostos, me convenceu: os brasileiros só tem saudade por culpa dos portugueses, que gostam tanto de sofrer que criaram o fado, se fossemos descendentes unicamente de espanhóis, OLVIDARÍAMOS ... Deixaríamos as memórias tristes no OLVIDO, no ESQUECIMENTO ...e fez sentido ... essas conclusões rápidas, imagino  como seria lindo e livre viver pelada no bosque da Formentera e viver sem essa saudade do não havido, ou pior, saudade do que houve e que devidamente editado na memória, parece bom...
Um brinde a Sangria "desatada" a quem voluntariamente nos entregamos vez ou outra, por que parece mais vivo quem sente...
A Sangria de sábado a noite, faz nascer um domingo lento..domingos gelados como esses, onde o sol fica se escondendo atras de nuvens podem ser lentos, devem ser lentos e curtidos em casa, com essas roupas de mendigo que nos permitimos na intimidade, um brinde ( com suco de laranja) aos domingos, as delicias, as pessoas que dormem nas redes nos bosques da Formentera ,as dores portuguesas e aos olvidos, um brinde as humanidades e aos nossos pátios de infância, pra onde sempre podemos voltar...

feliz de quem tem um pátio
um quintal particular
pra sempre voltar
nem que seja na memória...
o meu tem morangos/goiabas/ameixas amarelas/
barro pra fazer comidinha de boneca/
nuvens fomando imagens/

eternidades...

e quando a tarde cai,
tem também no meu quintal
uma voz que me chama pra dentro
e promete sossego
numa xicara de café com leite...

meu pátio é o esconderijo perfeito
da simples felicidade...

PS-pra quem não conhece o talento do Danilo Christidis e a Isla de Formentera...Vale espiar o SITE

2 comentários:

Viviane disse...

Ótimo blog para leitura... Seguindo.
Venha conhecer o meu tb:
www.israelcompras.com
Vivi-Israel
Bjks

Fanzine Episódio Cultural disse...

Lágrimas de Areia

Lá estava ela, triste e taciturna.
Testemunha de efêmeros conflitos,
Com um olhar perdido no tempo,
Não exigia nada em troca
A não ser um pouco de atenção.

Sentia-se solitária, oca,
Os homens admiravam-na pelos seus dotes.
As crianças, em sua eterna plenitude,
Admiravam-na muito mais além...
... Mais humana!

De sua profunda melancolia
Lágrimas surgiram.
Elas não umedeceram o seu rosto,
Mas secaram o seu coração,
O poço da alma,
Aumentando cada vez mais
A sua sede.

Lá ela permaneceu; estática, paralisada!
Esperando que o vento do norte a levasse
Para bem longe dali!

O dia começou a desfalecer.
Seu coração, outrora seco e vazio,
Agora pulsava em desenfreada arritmia.
Desespero!
A maré estava subindo...

Em breve voltaria a ser o que era:
Um simples grão de areia.
Quiçá um dia levado pelo vento,
Quiçá um dia... Em um porto seguro.


Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan