sexta-feira, 13 de julho de 2012

das levezas e dos pesos da alma..

É preciso
dar ninho pros filhotinhos na alma
que nem todo os bichos assustam
uns fazem companhia
e outros, os mais terríveis
nos pertencem, nos permeiam, 
são tão nossos, quanto os cheiros 
que transpiramos, únicos
fazem nova pele e as vezes couraça
fazem a emoção perder o rumo
e escorrer cara a fora

como o engasgo que surge quando a palavra não basta
como o tecido do coração que de tanto ser , esgaça
quero a leveza das garças

graça e nudez 
livre e sem manto
tua mão fuçando minha alma nua
o brilho do amor recém desperto
acendendo a noite
e eu rindo displicente e tua

tua demora
me faz dobrar esquinas nessa espera vã
que nada costura
faz rasuras com minhas palavras
a fonte que seca por anos, ontem desaguou
com mesmo frescor de um antes

voamos em círculo
seres alados...desaprenderam a parar
como seres calados...que desaprendem de falar
e desacreditam dos verbos
a procura do que já nem sabem
feito oração decorada de domingo
coração guardado pra não gastar
a vontade desenfreada inoportuna

veio com gosto de antigamente
teu amor, que parecia mudo, hoje não cala
transformei-o em acalanto
de repente me fiz rua, só pra te ver passar
em poça me transformei
pra te ver menino brincando
de libertar barcos e cais
quis apagar do dicionários, o jamais
reconstruir catedrais
de translucidas saudades

o amor que me veio, trouxe brisa e rede
me abriu espaço no peito
com jeito, de quem faz ninho
.
aquece-alimenta e cuida
e vibra o desabrochar
esse amor na verdade 
não voltou/ nem veio agora
era uma história 
que não desisti de sonhar
esteve desde sempre 
aquecido em banho-maria
eu sempre uma guria
ele sempre o meu rapaz

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