quarta-feira, 6 de junho de 2012

Use sua chance!!!

Do it do Lenine... é a grande dica pra viver direito...

"Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...

Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô!, Hum!...

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta..."

cacos...

No meio de um feriado quente, onde todos parecem ter abandonado a cidade e eu me recuso as obrigações e companhias, lendo um livro estirada na rede, sou chamada pelo apito estridente do porteiro eletrônico, não espero visitas, não costumo recebê-las , estranho aquele zunido que me chamada no inicio da tarde de um domingo, no meio de um feriadão que só trará as gentes de volta ,na terça.
No fone uma voz em ladainha me pede roupa, sapato comida, qualquer coisa que me diz, posso atirar pela janela, mas como diz isso como um texto decorado , com uma voz chorosa e cheia de auto-piedade, me causa um emaranhado de repulsa e raiva. Reconheço que aquela necessidade pode ser legítima, mas como nunca me permiti pedir, e muito menos mostrar tão escancaradamente minhas carências, através daquele choro, me sinto á mostra. Nem chego próximo a janela, desligo e me esqueço.
De algum jeito torto, sempre esperei receber tudo, sem precisar pedir.
E mesmo sem receber, algo barrava o pedido, algo barrava o movimento, como se fosse um demérito precisar, precisar e pedir um demérito elevado a segunda potência.
E se segui e sigo, e muitas vezes até me pareço feliz, é por que aprendi a viver assim, muitas vezes com menos, mas sem auto-piedade aparente, ou por que num processo inverso de auto-preservação, comecei a precisar menos.
E por que, como uma pollyanna levemente débil , me alegro com detalhes mínimos e os elevo, minha felicidade possível é assim de raios de sol, de flores que nascem sem meu cuidado, de pessoas que me chegam sorrindo, de palavras, filmes e musicas que me chegam inesperadas e me interpretam, de vento , lua e primavera. Fui aprendendo a ser assim, uma catadora de instantinhos, não uma mendiga de mão estendida e olhar lacrimoso, mas uma andarilha que cata e coleciona feito pedras preciosas, cacos de vidro. Rio e me delicio dos prismas que com meu próprio movimento sou capaz de fazer. Como se andar sozinha e ver nesse menos, mais, fosse a minha escolha.

....................
Olho minhas unhas com comprimentos disformes e penso que deveria cuidá-las, pintá-las quem sabe, mas não, eu quando muito, as corto rentes, como se precisasse cortar a vaidade.
Fiz isso seguidamente com os cabelos, um corte quase rente, me livrando de cuidados, um atestado de desimportância, uma clara negação.
Não sei quando relacionei a vaidade de com futilidade, com valores falsos como os sorrisos da revista Caras, que casualmente são lidas nos salões de beleza.
As poucas vezes que me sentei em um salão do tipo, folheando essas revistas, me senti uma igual, uma sorridente e fotoshopada celebridade momentânea. Triste, por que reconheço que é um preconceito. Mas meu preconceito supera minha vaidade.
Talvez eu sem querer tenha estirpado meu feminino, por entender e querer negar , que uma mulher precisa estar bonita para agradar um homem.
Não quero que esses agrados superficiais me representem, sou agradável no convívio, e mesmo esses agrados diários, ás vezes me adulteram e me sufocam. E me afastam. Não gosto quando me sinto representando, me entristeço em circo. Os batons que não uso e as maquiagens todos me parecem máscaras, as vezes minha própria expressão alegre assim me parece.
Queria ser amada com todos os meus “pesares” e não fui, o que me coloca nessa posição revoltada de unhas não feitas e descuidada de mim mesma, virei um enigma bem intransponível , uma intransigente que não se prepara pra ninguém, e ainda assim, em plena negação e incongruência, como essa mulher frágil e sem beleza externa, careço um amor pleno de reconhecimento e admiração , espero que alguém me veja e me escolha, e me ame, apesar... com um olhar benevolente que enxergue uma beleza além, que o tempo nem água tirasse, e que sinceramente temo não possuir...o que eu queria era uma garantia de permanência, um amor seria assim?

Alguém admira a minha capacidade de reciclar mágoa e quase acredito que definitivamente sou uma mulher mais leve com tudo que me tiraram.
Quase acredito que estou sábia, por que subitamente resolvo entender que tudo que me arrancaram foi no intuito de me fazer chegar até aqui sem pesos extras, quase acredito, por que trago as mãos limpas e aceno e rio, quase acredito por que me faz bem me imaginar tão superior e grata a vida por ter me tirado ilusões e sonhos que pesavam toneladas, e quase acredito que atrás desse sorriso que elogiam iluminado só restou beleza e asas, como se voar fosse meu caminho. Boba uma voz de alguma parede escura dos intestino me acusa, boba uma outra voz no canto esquerdo da cabeça me condena, tão boba repetindo os gestos mecânicos e insistindo em acender com fósforos usados a luz do fim do túnel.
Eu me abandonei por aí, e sinto falta dos pesos que me sustentavam, por mai ilusórios que fossem, eu era mais segura com raízes do que com asas que não me pertencem ...e boba e triste me condeno.

Inventei um trauma e uma justificativa...meu amigo homossexual não foi seduzido por um padre, nem sequer abusado na infância... eu o profanei.
Minha visão do mundo, percebo atônita é ficcional.
Passo a temer minhas memórias, quantas serão fraudes e roucos silêncios,diálogos ou gritos nunca havidos, quantos serão sonho, filme ou pesadelo, e quantas meu Deus serão única e exclusivamente medo travestido de verdade, serão justificativa e desistência.
Será que como cometendo uma auto-lobotomia, desligo os fios de sentir por mecanismos irreais? Será que reconstruo a cena e limpo os indícios que me recriminam? Será que intervenho tão inconseqüente sobre tudo inventando uma verdade que me redima?
Desacredito de mim, e já não sei se os cacos que usei pra refazer o quebra-cabeça me pertenceram de fato, sequer lembro se não fui eu mesmo que os estilhaçei.
Suponho agora que tenho uma memória cúmplice, e como se desperta de uma grande falha espio meus cantos em busca de alguma verdade que escondi voluntariamente , embora alheia.
Eu poderia dizer que tenho lapsos, se fossem vazios...mas o que tenho são imensos containers lotados de registros que catei e apesar de terem me servido, sei que não são uma herança legitima, afanei dores e traumas pelo caminho e agora não sei ao certo se o que parece meu sangue me pertence ou foi transplante. E ainda assim sangro...

medo de quebrar?

.. os filmes, a vezes os mais obvios do tipo sessão da tarde tem algo pra nos ensinar ou relembrar...
 Uma vez eu vinha de Santa Maria, nesses ônibus que passam filme e entre um cochilo e outro vejo a cena, de um menino conversando com uma moradora de rua, ela dizia:
 “eu me desiludi com um grande amor, e agora vivo assim, não falo nem confio em mais em ninguém, com receio de quebrar meu coração”.

O menino lhe dá um conselho simples e direto:
“um coração que não vai ser usado, não importa se está quebrado ou não...”, e acrescentou ainda sua própria experiência:
“uma vez ganhei um patins de natal, e como não queria estragá-lo só usei dentro do quarto, duas vezes, quando resolvi que poderia usá-lo na rua, ele já não me servia mais, acho que pode acontecer o mesmo com teu coração...”

Uma mensagem perfeita no meio de um filme infantil: Perdido em Nova York 2, que já devo ter assistido 3 vezes e nunca registrei.É realmente muito bom, quando uma criança, um desconhecido, uma cena, uma poesia, uma música nos dizem o óbvio, e a verdade é sempre muito óbvia  depois que se vê, mas pode passear na nossa frente inúmeras vezes sem que tenhamos a capacidade de enxergá-la...