sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

o inferno...

Em tempos nervosos, nada melhor do que lembrar que a escolha de como VIVER é NOSSA ...

Um tantinho de Italo Calvino (As cidades invisíveis) e o desejo sincero que saibamos:ENCONTRAR, PRESERVAR E ABRIR ESPAÇO para TUDO que é do BEM...
..."O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas
 maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pesssoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar perceber quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço’”

sábado, 1 de dezembro de 2012

acho que tambem eu...

Caí no mundo e não sei voltar

Eduardo Galeano
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os aparelhos de som uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que havia em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de … anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor…. É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com “guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa”, mudar para o “compre e jogue fora que já vem um novo modelo”.
Troca-se de carro a cada três anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado… E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas… por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (porque éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular há poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos…
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros rádios Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia “esta é um 4 de copas”.
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue…
Eduardo Galeano é jornalista e escritor uruguaio

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pra reler e tentar aprender...(de novo e novo)




Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, assina uma coluna no The Plain DealerClevelandOhio.

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou.
É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."

Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

1.. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Deus segundo Barusch Spinoza...


"Pára de ficar rezando e batendo no peito!

O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes
de tua vida.

Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo
o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a Minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos,
nas praias.

Aí é onde Eu vivo e aí expresso Meu amor por ti.

Pára de Me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há
algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade 
fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar
teu amor,
teu êxtase, tua alegria.
Assim, não Me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm
a ver Comigo.
Se não podes Me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos,
 nos olhos de teu filhinho...
Não Me encontrarás em nenhum livro!

Confia em Mim e deixa de Me pedir.
Tu vais Me dizer como fazer Meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de Mim.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito,
 nem te incomodo,
nem te castigo.

Eu Sou puro amor.

Pára de Me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.

Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres,
de sentimentos,
de necessidades,
de incoerências,
de livre-arbítrio.

Como posso te culpar se respondes a algo que Eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se
Eu Sou quem te fez?

Crês que Eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, 
pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei;
essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.

A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau,
nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há
aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida
um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida,
mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,
de amar, de existir.
Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar
 se foste comportado ou não.

Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste...
Do que mais gostaste?
O que aprendeste?

Pára de crer em Mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.

Eu não quero que acredites em Mim.
Quero que Me sintas em ti.

Quero que Me sintas em ti quando beijas tua amada,
quando agasalhas tua filhinha,
quando acaricias teu cachorro,
quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-Me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?

Me aborrece que Me louvem.
Me cansa que agradeçam.

Tu te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde,
de tuas relações, do mundo.

Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria!
Esse é o jeito de Me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio
o que te ensinaram sobre Mim.

A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo,
e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?

Não Me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti ".


BARUCH SPINOZA (Filósofo holandês do século 17)


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

frágil...

"Coração PRA CIMA
Escrito embaixo FRÁGIL"

(Paulo Leminski)




                ps-Falta de ter alguém pra sentir falta e pra dar meus corações de papel...  e o de verdade!                          

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

dois momentos bonitos do dia...

A calma... do Jorge Drexler & Suzana Félix... A idade do céu


E o amor... do Everton Behenck .... do blog lindo http://apesardoceu.wordpress.com
"Pra quem está


O certo
É que temos
Um ao outro
Esticando os braços
Na altura do tombo
Nós estamos
O tempo passa seu vento
Sobre nosso rosto
E nós somos
Nós menos um ano
Mas estamos
A vida nos testa
E nos atira para todos os lados
Dificultando o equilíbrio no barco
E caímos de vez em quando
E nos afogamos
Mas nós
Nós estamos
A vida cotidiana
Nos tortura
Com sua loucura
Implícita
Os capitalistas
Ganham seu dinheiro
A custa do esforço alheio
E nós fazemos nossas economias
De afeto ao meio dia
E acima de todos os contratos
Rasgados
E das crises que reescrevem nossos planos
Nós estamos
O passado
E tudo que os adultos
Sem nenhuma piedade
Marcaram na pele
Das crianças que fomos
São hoje um exercício consciente
De um sofrimento distante e latente
Um cuida
Da memória do outro
Para que se cure o presente
Para que seja possível
Atravessar todos esses anos
Nós estamos"
Everton Behenck

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Amor?



Sempre gostei dessa música , acho que é do Chico, quem melhor canta o amor e seus assemelhados? Bom, o Tango de Nancy tem uma estrofe que sempre me impressionou muito e me faz lembrar o vazio deixado por esse sentimento que muita gente almeja, chama de "amor/paixão" e que beira a insanidade, tamanha a sede, a entrega e a necessidade de eco... o musica diz: "quem sou eu para falar de amor, se de tanto me entregar, nunca fui minha? O amor jamais foi meu o amor me conheceu, se esfregou na minha vida, e me deixou assim..." talvez eu tenha aprendido com o tempo, que esse desassossego não é amor , é a falta dele por dentro, o tal do amor próprio quando escasso, vira isso, uma busca insana... O amor me parece agora um admirar e querer profundo, um sorriso leve que nos confirma a plenitude e a escolha , um sossego intimo e quase infantil de ter encontrado enfim o nosso lugar, o nosso pátio de infância ...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

das intensidades...



Essa foto/poema da Vicky Fernandez intensidade em pessoa, me fez lembrar um poeminha antigo meu e certeza de que tentar encobrir intensidade, nunca funciona por muito tempo...

uma calmaria
pré-vulcânica
me desassossegou
toda a semana
rachaduras
desacomodações noturnas
disfarcei o que pude
minha natureza
queimei por dentro
fazendo frente fria
depois...
chovi por dias
torrencialmente
transbordei
enchente

Só espero que esse tanto de água, que vez ou outra precisamos desaguar, faça verdadeiros arco-íris em algum lugar...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Um brinde: a vida!


Lembrei de uma frase  bonita do Galeano (eu e minhas citações) que diz mais ou menos isso: " quando aprendi todas as respostas, mudaram as perguntas..".
         Talvez seja só esse o exercício mesmo do tal viver, conviver com as dúvidas, procurar as respostas e ter lá no fundinho, uma única: a de que nunca teremos mesmo certeza do caminho e seremos obrigados a escolher, e e ao escolher sempre teremos o que abandonar...
         Ah, e isso deve ser o que chamam maturidade, mas parece muito mais uma sacanagem certas decisões que a vida nos coloca na cara, sem nenhuma pista, haja intuição, haja sublimação...
         Mil outras nádias que não vivi, que escolheram a outra parte da encruzilhada ou que pegaram carona enquanto resolvi seguir a pé, voam por aí e vez ou outra me assombram com suas mil possibilidades...totalmente irreais!
         Uma viagem sem volta e ficcional é perguntar pras outras, se as escolhas que fizeram foram mais interessantes que as minhas, se estão nesse exato momento, mais felizes, mais plenas, mais... enfim...Quero crer que elas me olhem lá dos seus espaços infinitos e também não tenham a convicção de terem tomado as melhores decisões, nunca saberemos!
         Como disse um dia, num tom levemente "sábio" totalmente óbvio, embalado por uma conversa boa cercada de gente do passado e umas cervejas: não somos mais donos das escolhas que fizemos, FOMOS!
         Foram todas elas reunidas que nos trouxeram até aqui...e pronto, encruzilhada novinha em folha...hora de sermos donos de novo.. donos do novo passo, dessa escolha de agora que é SEGUIR ou não, MANTER ou não, se temos algum domínio é pelo HOJE...e haja tudo que houver...principalmente coragem.
         Isso é tão clichê que quase vejo o muxoxo da minha filha, dizendo “que profundo!” com toda a ironia que sua adolescência lhe permite, fazer o quê né?
         Ela ainda precisará fazer grandes escolhas e deve estar começando a sacar, como pode ser boba e dura a tal da vida, como podemos ser rasos, profundos, equivocados e incertos na tal caminhada.
        Ela nem sonha com a cena que inspirada por um conto do LF Veríssimo visualizei há pouco:

Estava ali sentada no balcão de um bar, eu com minha vidinha atual, debatendo com outras nádias, uma levemente hippie recém chegada de Arraial d’Ajuda, outra totalmente yuppie recém chegada de SP, outra mulher de um fazendeiro lá de Itaqui. Quer saber? Gostei muito mais da eu de agora!
         Façamos um brinde, sugeri as Nádias, é fundamental aprender a comemorar a vida: A NÓS!!!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eu estava lá...



Um auditório lotado, viu surgir um Oswaldo Montenegro parecendo mais magro e com longos cabelos brancos, talvez só esses detalhes visuais o distinguem do jovem Oswaldo que há 25 anos colocou o pé na estrada e conquistou a legião de fãs fiéis, que ontem mantinham ouvidos e corações colados em cada acorde e palavra cantada.
          “Ando devagar por que já tive pressa e levo esse sorriso por que já chorei demais...” Foi à música escolhida para abrir caminho, para falar das andanças e do amadurecimento. Belíssima poesia de Renato Teixeira que Oswaldo resgata, como outras tantas lindas letras brasileiras, mostrando que sim, podemos sentir e cantar poesia e beleza, não caindo nas fórmulas simplórias e comerciais que parecem assolar o país. Felizmente fugindo de estereótipos e não se entregando a mídia rolo compressor, há 25 anos ele canta “canções bonitas falando da vida em ré maior”, “canta o que não silencia”, canta emoção pura.
          Homenageou Ramalho, outro símbolo de luta, cantando vida e desassossego: “... vida de gado, povo marcado, povo feliz!”.
Assim cantando e emocionando ele seguiu, acompanhado por músicos preciosos, nos tocando por dentro, revisitando o passado, uma viagem dos sentidos, marejando os olhos com a trilha perfeita: bandolins, intuição, travessuras, léo e bia, lua e flor, a maravilhosa e madura Lista, a oração Metade, entre tantas outras.
         GRANDE OSWALDO, definitivamente ele conhece bem a fonte e a magia de tocar a alma de fãs como eu, que feliz, só posso agradecer a oportunidade de estar no mundo ao mesmo tempo de alguém que saiba descrever e interpretar tão bem minha emoção, minha dor, minhas buscas, minhas metades...

sábado, 6 de outubro de 2012

MOVIMENTO PRA MIM CHEGA!

Gritei bastante, pena que a Mobilização não teve o tamanho que deveria, gente triste, que desistiu de gritar... Desistir de ter voz é muito pior do que ser mudo... 
Infelizmente as pessoas estão acomodadas e descrentes demais, e ai não se mobilizam...por isso a nossa palavra de ordem era: Queremos segurança: NÃO FIQUE AÍ PARADO, VOCE TAMBEM É ASSALTADO!!!

ladrões de sonhos...