terça-feira, 25 de outubro de 2011

e anjos falam comigo...

Um anjo falou comigo um dia e eu espero conseguir, compartilhar um pouco do que entendi, como uma grande dica:
Venho do centro pós-almoço, numa lotação, quase dormindo e na altura da independência uma senhora senta ao meu lado, sorrio e comento com ela:
_ Que soninho dá na gente essa hora, né?
Ela sorriu e me disse:
_Que cara doce é frágil fizeste ao dizer isso, quando estiver com teu amor repete... (é importante saber ser frágil e acessível)
Eu querendo agradecer ao comentário, sorri e disse o que realmente acredito:
_ São seus olhos, a gente não enxerga o que não tem...
Ao que ela me responde com olhar triste:
_ Quem dera, eu já não enxergo assim há muito tempo...Trabalho com o judiciário e no correr da vida, fui perdendo tanta crença e esperança, fui engolindo tanto lixo, fui me contaminando tanto...A gente não é ostra que consegue nacarar o lixo e transforma-lo a gente não é um tipo de animal que possui dois estômagos, um capaz de reprocessar lixo, a gente vai adoecendo...eu já passei por 10 cirurgias pra retirar os lixos que guardei, e há 10 anos, fiquei tão amarga, com todas as perdas, que desenvolvi uma diabete...Perdi as lentes coloridas, quem me dera ainda pudesse usa-las pra enxergar o mundo mais bonito...
Nisso ela me sorri, levanta e pede pra descer...Muito próximo de onde havia entrado. Não sem antes me dizer: Não te deixa contaminar...Não deixa que a vida te faça mal...
Boa sorte nos dissemos quase em coro.
Tenho certeza era um anjo que veio falar comigo, um anjo que veio me alertar, que não posso deixar de acreditar, que não posso adoecer de descrença, que eu preciso usar o olho bom, por mais clichê pareça, por que toda situação, toda perda e tudo enfim tem algo pra ensinar.
Passei a semana inteira usando o nick: "o photoshop e a política me fazem duvidar de tudo hoje em dia", péssima postura, péssimo pensamento percebi logo após o encontro com meu anjo.
Pela manhã, recebi o telefonema de uma pessoa, que não vejo há mais de ano, e que me ligou pra comunicar a boa vida nova, que longe das drogas está vivendo, o quanto de auto-estima desenvolveu, o quanto está pleno e apto pra recomeçar, essa mesma pessoa me disse: Eu não quero falar mal de ninguém, não preciso me sujar julgando e criticando ninguém, eu estou limpo, eu estou bem, e só isso é o que queria te contar.
Não tenho dúvida, Deus andou me espiando, viu alguns maus pensamentos e julgamentos meus, veio falar comigo hoje, por que assim como eu, não gostou dessa pessoa feia que eu estava quase me tornando, precavida, defensiva, desconfiada, ele usou dois bons anjos, pra me soprar uma música antiga do Lulu Santos de 1982, que me lembrei subitamente e percebi nunca havia prestado a atenção devida: " eu quero crer no amor numa boa e que isso valha pra qualquer pessoa, que realizar a força que tem numa paixão...eu quero um novo começo de era, de gente fina elegante, sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não."

Eu peço luz e força, para que a gente não se contamine, que a gente não crie, nem guarde lixo, que a gente continue capaz de fazer e enxergar o bem...

Boa sorte...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

eu sou...



ah, meus diários virtuais...acabo de encontrar uma tentativa de definição, que apesar de escrita em 2006, ainda me define...aliás estão aqui o azul e o lilás que fotografei pela manhã...

eu sou feliz
e isso pode soar babaca,
dito assim de cara,
mas sou esse tipo de gente
que vê motivos pra ser feliz em detalhes
e isso é uma grande alegria

importante ressaltar
li Pollyana quando pequena,
e essa visão, pode ter influência do jogo do contente

por exemplo, acordo bem feliz
quando vejo que tem sol e o dia está azul
(como hoje)
quando minha filha ri e no bom dia, me diz te amo
quando dormi enroscada e nua
e posso continuar assim toda manhã
beijando na boca sem pressa

sou feliz quando uma musica me interpreta
quando uma poesia me escancara
quando a primavera colore tudo
e chove flor lilás de jacarandá
quando o outono derrama folhas de plátano
quando chove ( e estou quentinha em casa)
e depois a terra cheira molhada

quando converso-ouço-entendo
e sou igualmente entendida
quando recebo um carinho
em forma de torpedo
lembrança
presente
quando consigo tocar
e fazer alguém feliz
quando faço um brinde
quando dou risada alto
quando o sol muda de cor
quando a lua me surpreende redonda e enorme no céu
sou feliz viajando sem destino
sendo turista até mesmo por aqui
molhando os pé da água
andando de bicicleta

gosto de gente
e suas histórias
sou curiosa
tenho incontinência verbal
cumprimento até quem eu não conheço (ainda)
gosto de dar sorrisos e bom dia
gosto de me sentir ativa
sou feliz trabalhando
(até trabalhando..ahah)
sou feliz no escuro do cinema
sou emoção á flor da pele

sou também um pouco solitária
não que seja opcional
fui aprendendo
um pouco racional
e as vezes perco as esperanças
e as ideologias
e isso é um pouco triste
assim ás vezes
fico prá baixo
introspectiva
carente
ás vezes não tenho rima
nem palavra
e pareço corroer em silêncio
sem saída
aí escrevo - respiro fundo
olho pra longe
e passa
e depois quase não me reconheço
nas cenas que descrevi
já vivi histórias duras
que me parecem roteiros mal redigidos do Almodovar
mas de um jeito
quase infantil
ainda acredito em boas pessoas
em lindas intenções
em olhares
em abraços
me emociono
me sinto viva

e sempre volto a ser
feliz...

sábado, 15 de outubro de 2011

"conformidade mata a alma"







Hoje eu vesti preto e sai por aí... Não só pela corrupção,mas por uma reforma tributária, por uma educação que mereça esse nome e tenha esse crédito e esse respeito, por uma saúde pra todos, pelo direito a segurança, pelo fim dos salários milionários e todas as demais regalias de deputados e senadores...É lamentável um país funcionar a base de propina... como é lamentável que a carga tributária absurda que de paga, não seja distribuída efetivamente e revertida ao que deve saúde educação e segurança... Vou vestir luto pela impotência e por tudo que imagino precisa Urgentemente mudar, pra que nos reste DIGNIDADE E ESPERANÇA!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

minha benção...conquistada!

Engravidei de surpresa, nada planejado. Pra minha tristeza, meu medico disse numa das primeiras consultas:" provavelmente tu terá dificuldade em amamentar, por que anatomicamente teu seio, sem bico dificultará muito". Perguntei se existia alguma coisa a fazer...Ele não muito entusiasmado me ensinou exercicios que poderiam, talvez, ajudar...Passei meses conversando/curtindo minha barriga e fazendo os tais exercicios...Eu dizia que o que mais queria era vê-la nascer e saborear aquele momento lindo que eu supunha seria alimentar minha cria...
Tive a Alice num hospital que tinha um jeito bem tradicional de “embalar” bebês...Lembro que nosso segundo encontro, pós-parto, já no quarto, ela veio embrulhada, como se fosse um "pacotinho" de gente, meu primeiro movimento foi livrá-la daquilo tudo, queria ver e tocar nas mãozinhas, na pele, no corpo, queria vê-la inteirinha, cheirá-la, bem mãe-bicho. Ao pegá-la no colo, ela instintivamente começou a mamar. Foi LINDO e pude amamentá-la por mais de um ano, uma benção!!



Por que estou falando tudo isso?
Por que o “meu pacotinho” logo estará fazendo 15 anos, quinze anos é um tempo enorme numa vida...e tudo floresce!
Daquela fragilidade muda de humano recém nascido, até os passos de hip-hop que hoje ela ensaiava na sala, houve um caminho enorme de primeiros passos e tombos, de primeiras palavras balbuciadas e erros, de choros intermináveis, que a pobre mãe de primeira viagem desconhecendo a origem chorava junto, houve muito pra aprendermos e com certeza muuuuuuuuuito mais descobriremos e aprenderemos juntas, estamos crescendo juntas!
Muitas vezes eu fico me perguntando se sou suficientemente capacitada pra tarefa, se não estou errando nas proibições e nas liberdades, ser mãe não é exatamente uma facilidade, caímos em contradições, temos culpas, dúvidas, medos, ficamos frágeis, queremos manuais que ensinem e eles não existem, queremos a certeza de que estamos cumprindo bem o legado e só ás vezes, numa postura do filho, numa frase pronunciada, num olhar, num momento, ela existe, quando sentimos um breve alívio: Isso eu ensinei..e é bom!
O que eu queria mesmo era dizer pro “meu pacotinho”, que por mais contradições e receios que a tal maternidade me faça viver, nenhum momento na minha vida, foi ou será mais importante que o nosso primeiro olhar, trocado na sala de parto e nenhuma palavra será suficiente pra expressar o tanto de amor e entrega e plenitude, que aquele segundo momento onde nós bichinhos nos reconhecemos, encostando as peles e os olhares, ficamos fortes, alimentando-nos, ela de amor e leite, eu de amor e paz,
Momento mágico, momento lindo!

Mil vezes obrigada, meu amor, por ter me escolhido pra ser tua mãe, acredito naquela tua história de que ficou espiando lá do céu, e disse: aquela lá é a mulher que eu escolhi! Sou muito melhor e muito mais mulher depois disso.
Desculpa as vezes que erro, o ser humano adulto é tão frágil quanto tu me pareceu naquele pacotinho, estamos sempre reaprendendo a sentir, a tocar, a ser e isso é confuso e lindo!
É muito gostoso ter alguém pra compartilhar a vida, é maravilhoso e mais seguro, cumprirmos o caminho bem acompanhados, nós estamos!

sábado, 8 de outubro de 2011

quem eu sou? o que me inspira?

..
Como fazer um breve historico vejamos, eu nasci fruto de um amor apaixonado , embalado por The Plater- Only you....numa cidade pequena , Itaqui, na beira do rio, com gente simples e cadeiras nas calçadas, antes na Tv ter cor e tamanha importancia nas salas, no tempo que existiam leiteiros com tarros deixados nas portas das casas ao amanhecer. Na infância tive muito tempo pra fazer nada, brincar no pátio, comer fruta no pé e imaginar imagens nas nuvens, na adolescência fui pra Santa Maria que tem um vento norte quente e inspirador, lá
dancei musica lenta, namorei de mãos dadas e depois já na universidade ,estudando comunicação, fiz protesto, passeata, greve..,conto tudo isso por que sei que somos a soma de todas as nossas vivências e emoções...um fato fundamental na minha historia, engravidei e vi nascer a Alice que amamentei por mais de um ano e que cresce linda e especial, a maternidade foi a maior e mais significativa emoção e me transformou pra sempre, o tal amor incondicional é o que temos pelos filhos...é sempre isso que escrevi por anos em crônicas e poesias, gosto de emoção registrada...viver é rápido sentir é lento, escrever é se adonar do movimento...
A arte da Clarissa Motta me chegou assim por pura emoção, gosto da leveza e dos significados que a inspiram...e só posso agradecer a vida por ter nos apresentado, ela é maravilhosa e deu as minhas palavras um novo e lindo sentido. Ter minhas emoções em louças brancas cheias de arte é um luxo!
Sou feliz por tudo isso!