sexta-feira, 15 de julho de 2011

Texto da Eliane Brum...me atingiu em cheio!

Me tornei mãe tarde, aos 32 anos,quando minhas amigas e colegas de escola já criavam adolescentes. Bobamente em função da idade e de já ter vivido um pouco mais, me supunha mais preparada para o papel, o que vira e me mexe percebo, nunca se está.

No terreno da maternidade tateamos: entre teorias que lemos em livros e práticas que vivemos e não queremos repetir, entre as megeras que não gostaríamos de ser e as liberais que também não somos, entre cobrativas e displicentes, entre ocupadas demais e culpadas, enfim é um exercício diário de frustração e felicidade, de inabilidade e subida habilidade, um infinito aprendizado.

Não estou reclamando, acho e repito mil vezes, a maternidade foi a minha MAIOR e MAIS EMOCIONANTE experência de vida, nada me motivou e me preencheu mais do que me saber gerando, me saber mãe e depois dia á dia, me saber criando um outro humano.

Mas o fato é que sei que cometo erros primários.
Vendo Super Nanny ás vezes fica claríssmo, mas agora lendo esse texto da Eliane Brum, tomei praticamente uma "tunda" como diriam na minha terra natal.
O texto a que me refiro, está AQUI...imperdível!

Entre as tantas passagens que me reconheci e me envergonho, por me reconhecer favorecendo o crescimento de um adulto despreparado se assim continuar, um em especial me coube em cheio : " ...Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para
dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade."

Pois bem, me reconheci essa mãe malabarista, mais preocupada com o bem estar da filha do que muitas vezes com a minha própria vida,muitas vezes pagando uma conta um pouco maior e muitas vezes parcelada, daquele sonho de consumo,que provavelmente vá nos fastar um pouquinho mais, por que vem equipado de fones e garantirá um distanciamento ainda maior do que a própria adolescência já gera.

Garantindo ou tentando garantir essa FELICIDADE que sei eu, e todos vocês, que nem sempre vem, ou mais precisamente nem sempre dura muito, já que estamos diante de um mundo fugaz de desejos e "necessidades" idem. Aliás quase esquecemos que felicidade mesmo, não se compra, é coisa bem boa, sem custo e sem grandes equipamentos e recursos além da capacidade interna de senti-la.

Por outro lado, e isso é um erro muito comum: a maioria das mães, ou tentando ser supermãe ou tentando ser imprescindível, costuma dizer e fazer: O que não nos custa!

Essa é a palavra chave pra no dia a dia, facilitarmos a vida, entregarmos na mão, atendermos ao primeiro pedido,lavarmos as louças que deveriam ter lavado, arrumarmos a cama que eles esqueceram, recolhermos as roupas que espalharam (desses ultimos já me livrei),e com essas "facilidades" que "não nos custam", criaremos adultos sem iniciativa, que acreditam que a vida virá sempre na bandeja, despreparados e infelizes logo adiante...

Por isso reconheço que a minha filha está certa quando me repete um frase que leu no twitter:"parem de reclamar da nossa geração, quando foi a geração de voces que nos criou"

Um comentário:

rishi disse...

outra visão do assunto. também tenho filho

http://amoralpoetica.blogspot.com/2011/07/pai-quem-te-pediu-alguma-coisa.html