quinta-feira, 14 de julho de 2011

Opinião alheia, ouça, pense e esqueça!!!

No facebook acabo de entrar na comunidade dos Centenaristas, colegio que estudei no auge da minha adolescência e do qual guardo ótimas lembranças e outras nem tanto... Segue uma que lembrei agora, que tem o Centenário como palco: minha tentativa de fazer ginástica ritmica.

Ontem vendo o Saia Justa, citando o quanto uma roupa pode prejudicar um bom rendimento, vi a Rita Lee contar uma experiência triste lá no início da vida, na primeira audição de piano, onde sua mãe lhe colocou um vestido rosa cheio de topes, babados e “fru-frus” e a então menina Rita, não conseguiu tocar nada e pior, ainda fez xixi nas calças em público, o que fez a professora constatar e comentar com os pais:”ela não leva jeito é com palco e público”, já que nas aulas ela era boa aluna.
O Raul Cortez em uma entrevista disse que lá no início do que pretendia ser uma carreira ator, foi aconselhado por um “bam-bam-bam” das artes dramáticas, a desistir do ofício e buscar um emprego burocrático, por que não levava mesmo jeito pra coisa ...
Conheço inúmeras dessas histórias, eu mesma fui vítima de três bem marcantes:
1ª- entrei no coral da escola, o que era uma distinção, quase honra, tínhamos ensaios, apresentações, uniformes, um luxo. Um dia chamaram nas salas de aula solenemente os integrantes do coral, para uma gravação. Começamos a gravação, a professora interrompe, retorna a fita e diz: “Nádia,tu está semi tonando, vamos começar novamente”, na terceira tentativa e chamada de atenção, ouço rispidamente: “ Nádia, pode voltar a aula!”
2ª- tentei fazer ginástica rítmica, achava aquilo tão lindo, minha mãe comprou uma malha e lá fui eu para o teste de seleção, meio gordinha e desajeitada, no meio da série já me reconhecia um fracasso, mas ouvi ao passar atrás dos professores responsáveis pela avaliação o comentário fatal: “coitadinha, parecia um elefantinho lilás...”
3ª - tentei então as artes plásticas, sei lá quanto tempo e sem maiores orientações, passamos pintando um quadro, no final do ano, deixamos as telas para serem emolduradas e as mesmas seriam nosso presente de natal para os pais...não vou me estender muito, mas ao buscar a minha “obra prima”, ela estava irreconhecível, foi “levemente” retocada pela minha professora...

O fato é que isso acontece o tempo inteiro, existem professores que não sabem ensinar e despertar nossas qualidades e existem talentos que não possuímos, apesar de tão sonhados.
Mas existem e é importante ressaltar, talentos que não se enquadram, que por não cumprir
ou seguir as regras do estabelecido, podem caso o portador desista, virarem nada, virarem trauma e aquela sensação incômoda do “não dou pra isso”.
É importante acreditar e se dedicar ao que se supõe ser o nosso talento...Ir, fundo! Mas esgotadas todas as provas, chances, oportunidades e nossas próprias forças é fundamental reconhecer nossa incapacidade, “enfiar a viola no saco” e buscar noutro lado, o que de talento e sonho restarem...
Quanto a mim, acreditei que era um fracasso pra dança ,o que estendi á toda atividade física...uma burrice! Fiz o mesmo com o canto e as artes plásticas, mas como vocês podem ler, estou tentando escrever...

O Raul Cortez nunca foi, felizmente, um funcionário público...
E a Rita Lee, que gerou toda essa história, não sei se ainda toca piano, mas sei, que não acreditou que não levava jeito para o palco...

A opinião alheia pode, e muitas vezes é, equivocada, não acreditem em tudo que lhes carimbarem na testa, no corpo ou na alma...

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