sexta-feira, 29 de julho de 2011

Inicios...

Esta coluna é a ultima que postei no QUEB, em homenagem ao Clóvis Duarte... que foi decisivo no meu início profissional... E que, com certeza, deve estar sorridente nos observando lá de cima, agora sob novas luzes!
Não sabia que seria ultima lá no meu espaço, que graças a motificações, deixa de ter colunistas, mas como tudo é sempre harmônico..essa ultima fala do meu inicio e do quanto devemos reconhecer e aproveitar oportunidades, foi o que fiz por tantos anos aproveitando o convite do Fábio Gomes. Grande e valiosa experiência foi ser colunista do QUEB, ao Fábio e toda equipe, assim como ao Clóvis Duarte , ao Laerte Martins, ao Enio Lindenbaum e há tantas especiais pessoas que me apoiaram em todos os meus inicios, serei pra sempre grata!

Janeiro. 1985

Recém formada estreando na capital, procurando trabalho, com um minguado currículo embaixo do braço, ouvi toda gama de nãos, numa tarde estou esperando mais um, no saguão de uma agência de publicidade, quando entrou um figurão da TV e do mercado, sentou perto. E eu muito dada e curiosa puxei assunto, papo vai papo vem, perguntei o que mais me interessava:
_ Na tua opinião, qual a melhor produtora de comerciais de Porto Alegre?
_ A Sabiá! Disse-me assertivo.
_ Do Laerte, Martins, não conhece? Fica ali na Santa Terezinha.
_ Ah, sei... Sem saber e por que a nossa breve conversa chegava ao fim, já que a pessoa a qual eu aguardava, neste momento havia me preterido e recebia, naturalmente, ele: o Clóvis Duarte.

Muito prontamente pedi para a secretária um “Achei”, salvador mapa de ruas de Porto Alegre, que muito recorri até me acostumar com essa cidade que de inicio parecia enorme, confusa e caótica.
Dispensei minha entrevista agendada, agradeci e lá fui eu, rua a fora.

Bato na porta, uma secretária me recebe e pergunto quase íntima:
_ Oi, o Laerte está?
_ Sim, Quem gostaria? Ela nem tão simpática me pergunta.
_ Oi, eu sou a Nádia e quem me falou da Sabiá foi o Clóvis Duarte e ele me comentou... Nem terminei a frase.
_ Entra, por favor, vou chamá-lo.
O próprio Laerte em carne e osso, me busca na sala de espera e para minha surpresa num sorriso.
_Pode passar, Nádia!

Na sala, enorme e bem decorada sento e eu prontamente disparo:
_ Laerte, o negócio é o seguinte: acabo de me formar em Santa Maria em comunicação social, quero trabalhar com produção de comerciais. O Clóvis me disse que a tua produtora é a melhor, e eu quero trabalhar na melhor! Como não tens como avaliar se eu tenho algum talento, e eu sei que tenho, vim aqui te propor, trabalho por um mês de graça, e depois conversamos. O que te parece?
Ele um pouco tonto me sorriu, e disse amistoso: Parece ótimo!
Então levantei apertei a sua mão e disse:
_Ótimo, começo amanhã!
Assim comecei e permaneço no mercado, há mais de 20 anos!

O que eu quero dizer com tudo isso?
Que é preciso acreditar e não desistir no primeiro não, é preciso além de confiança ter talento pro negócio, e eu não tinha dúvidas disso quando propus meu primeiro mês trabalhando de graça, e é preciso e isso é fundamental, reconhecer oportunidades... e saber usá-las a nosso favor....

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos invisíveis - Fabrício Carpinejar

Amigos Invisíveis - Fabrício Carpinejar

"Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.
Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.
Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.
Amizade não é dependência, submissão.
Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.
É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa.
Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas.
E já se está falando mal dele por falta de notícias.
Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva?
A proximidade física nem sempre é afetiva.
Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto.
É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios.
São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.
Aqueles que não estão perto podem estar dentro.
Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.
Não vou mentir a eles ¿vamos nos ligar?¿ num esbarrão de rua.
Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados.
Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos.
Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.
Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação.
Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?
Amigo é o que fica depois da ressaca.
É glicose no sangue.
A serenidade."

domingo, 17 de julho de 2011

com muito prazer eu serei logo,logo, uma "velha louca"...

Ontem lendo a Claudia Laitano, vi que serei mesmo logo,logo uma "velha louca", dessas que são simplesmente curiosas e felizes como se estivessem inaugurando a vida... e desprezam as travas, etiquetas e as críticas...E considerando meu horror a uisques e tabacos, tudo indica que serei louca por muuuuuuuuuuuito tempo! Leiam o texto e enlouqueçam também...

A velha louca de Claudia Laitano

Era uma dama que não passaria despercebida nem na ala mais festiva de uma parada de orgulho gay – dessas que usam colares de bolas verdes do tamanho de um morango graúdo e combinam o chapéu usado no casamento de um cunhado do doutor Borges com os chinelos comprados semana passada no mercadinho da esquina.

Por diversão, adorava narrar em detalhes picantes a vida amorosa de personalidades aparentemente amorfas e ria muito revelando aos inocentes a ninfomania notória da mulher de um político conhecido, com a qual tomava chá todas as quartas-feiras na mesa mais concorrida da Confeitaria Rocco – no tempo da Confeitaria Rocco e de encontros para o chá às quartas-feiras.

Gostava de ler e de conversar sobre livros, sem se levar tão a sério a ponto de soar pedante aos amigos menos lidos. Lia Proust em francês desde menina-moça, mas para enfrentar doença ou insônia preferia Harold Hobbins.

Nunca recusava um convite para dançar, fosse para uma valsa vienense ou uma macarena, e não tinha o menor pudor em tirar os sapatos no meio da festa em atenção aos joanetes, instigando as moças penduradas em saltos muito altos a trocarem a elegância pelo conforto a certa altura da festa: “Depois da terceira taça, ninguém repara nos detalhes”.

Gostava de dormir tarde e de uísques importados e jamais – jamais – pensou em diminuir o número de cigarros para preservar a saúde e esticar os anos que lhe cabiam na atual encarnação (se dizia agnóstica convicta, mas acreditava em vidas passadas e nas muitas coincidências que indicavam sua passagem pelo Antigo Egito e pelos braços de Júlio César e Marco Antônio). Morreu bem velhinha, ligeiramente caduca, dizendo que quem ficava velho sem perder um pouco a compostura acabava ranzinza e com tendência ao mau hálito.

As velhas loucas são eternas e universais – quase todo mundo conhece uma. A maioria de nós, as mulheres muito responsáveis e adequadas, passa boa parte da vida em um esforço insano para passar a limpo a existência e suas circunstâncias.

Enquanto os homens parecem abstraídos por um assunto de cada vez, suas mulheres se ocupam em prestar atenção em tudo, sinceramente convencidas de que isso é possível.

Querem a casa mais aconchegante, o marido mais completo, os filhos mais perfeitos, o trabalho mais reconhecido – mesmo quando dizem que não, porque tanta mania de perfeição irrealizada não pega nem bem.

A velha louca é a mulher que, a certa altura, liberta-se da fantasia de controle e se entrega à entropia inevitável. Fala o que tem vontade e escuta só o que quer. A velha louca não perde tempo implicando com o marido e os vizinhos nem reclamando que os filhos não visitam mais: a velha louca tem vocação para a alegria.

Sua única loucura, na verdade, é ser imprevisível e ainda achar muita graça no que as pessoas dizem e fazem – como quem recém chegou neste mundo e não pretende sair tão cedo.

Cláudia Laitano

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Texto da Eliane Brum...me atingiu em cheio!

Me tornei mãe tarde, aos 32 anos,quando minhas amigas e colegas de escola já criavam adolescentes. Bobamente em função da idade e de já ter vivido um pouco mais, me supunha mais preparada para o papel, o que vira e me mexe percebo, nunca se está.

No terreno da maternidade tateamos: entre teorias que lemos em livros e práticas que vivemos e não queremos repetir, entre as megeras que não gostaríamos de ser e as liberais que também não somos, entre cobrativas e displicentes, entre ocupadas demais e culpadas, enfim é um exercício diário de frustração e felicidade, de inabilidade e subida habilidade, um infinito aprendizado.

Não estou reclamando, acho e repito mil vezes, a maternidade foi a minha MAIOR e MAIS EMOCIONANTE experência de vida, nada me motivou e me preencheu mais do que me saber gerando, me saber mãe e depois dia á dia, me saber criando um outro humano.

Mas o fato é que sei que cometo erros primários.
Vendo Super Nanny ás vezes fica claríssmo, mas agora lendo esse texto da Eliane Brum, tomei praticamente uma "tunda" como diriam na minha terra natal.
O texto a que me refiro, está AQUI...imperdível!

Entre as tantas passagens que me reconheci e me envergonho, por me reconhecer favorecendo o crescimento de um adulto despreparado se assim continuar, um em especial me coube em cheio : " ...Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para
dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade."

Pois bem, me reconheci essa mãe malabarista, mais preocupada com o bem estar da filha do que muitas vezes com a minha própria vida,muitas vezes pagando uma conta um pouco maior e muitas vezes parcelada, daquele sonho de consumo,que provavelmente vá nos fastar um pouquinho mais, por que vem equipado de fones e garantirá um distanciamento ainda maior do que a própria adolescência já gera.

Garantindo ou tentando garantir essa FELICIDADE que sei eu, e todos vocês, que nem sempre vem, ou mais precisamente nem sempre dura muito, já que estamos diante de um mundo fugaz de desejos e "necessidades" idem. Aliás quase esquecemos que felicidade mesmo, não se compra, é coisa bem boa, sem custo e sem grandes equipamentos e recursos além da capacidade interna de senti-la.

Por outro lado, e isso é um erro muito comum: a maioria das mães, ou tentando ser supermãe ou tentando ser imprescindível, costuma dizer e fazer: O que não nos custa!

Essa é a palavra chave pra no dia a dia, facilitarmos a vida, entregarmos na mão, atendermos ao primeiro pedido,lavarmos as louças que deveriam ter lavado, arrumarmos a cama que eles esqueceram, recolhermos as roupas que espalharam (desses ultimos já me livrei),e com essas "facilidades" que "não nos custam", criaremos adultos sem iniciativa, que acreditam que a vida virá sempre na bandeja, despreparados e infelizes logo adiante...

Por isso reconheço que a minha filha está certa quando me repete um frase que leu no twitter:"parem de reclamar da nossa geração, quando foi a geração de voces que nos criou"

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Opinião alheia, ouça, pense e esqueça!!!

No facebook acabo de entrar na comunidade dos Centenaristas, colegio que estudei no auge da minha adolescência e do qual guardo ótimas lembranças e outras nem tanto... Segue uma que lembrei agora, que tem o Centenário como palco: minha tentativa de fazer ginástica ritmica.

Ontem vendo o Saia Justa, citando o quanto uma roupa pode prejudicar um bom rendimento, vi a Rita Lee contar uma experiência triste lá no início da vida, na primeira audição de piano, onde sua mãe lhe colocou um vestido rosa cheio de topes, babados e “fru-frus” e a então menina Rita, não conseguiu tocar nada e pior, ainda fez xixi nas calças em público, o que fez a professora constatar e comentar com os pais:”ela não leva jeito é com palco e público”, já que nas aulas ela era boa aluna.
O Raul Cortez em uma entrevista disse que lá no início do que pretendia ser uma carreira ator, foi aconselhado por um “bam-bam-bam” das artes dramáticas, a desistir do ofício e buscar um emprego burocrático, por que não levava mesmo jeito pra coisa ...
Conheço inúmeras dessas histórias, eu mesma fui vítima de três bem marcantes:
1ª- entrei no coral da escola, o que era uma distinção, quase honra, tínhamos ensaios, apresentações, uniformes, um luxo. Um dia chamaram nas salas de aula solenemente os integrantes do coral, para uma gravação. Começamos a gravação, a professora interrompe, retorna a fita e diz: “Nádia,tu está semi tonando, vamos começar novamente”, na terceira tentativa e chamada de atenção, ouço rispidamente: “ Nádia, pode voltar a aula!”
2ª- tentei fazer ginástica rítmica, achava aquilo tão lindo, minha mãe comprou uma malha e lá fui eu para o teste de seleção, meio gordinha e desajeitada, no meio da série já me reconhecia um fracasso, mas ouvi ao passar atrás dos professores responsáveis pela avaliação o comentário fatal: “coitadinha, parecia um elefantinho lilás...”
3ª - tentei então as artes plásticas, sei lá quanto tempo e sem maiores orientações, passamos pintando um quadro, no final do ano, deixamos as telas para serem emolduradas e as mesmas seriam nosso presente de natal para os pais...não vou me estender muito, mas ao buscar a minha “obra prima”, ela estava irreconhecível, foi “levemente” retocada pela minha professora...

O fato é que isso acontece o tempo inteiro, existem professores que não sabem ensinar e despertar nossas qualidades e existem talentos que não possuímos, apesar de tão sonhados.
Mas existem e é importante ressaltar, talentos que não se enquadram, que por não cumprir
ou seguir as regras do estabelecido, podem caso o portador desista, virarem nada, virarem trauma e aquela sensação incômoda do “não dou pra isso”.
É importante acreditar e se dedicar ao que se supõe ser o nosso talento...Ir, fundo! Mas esgotadas todas as provas, chances, oportunidades e nossas próprias forças é fundamental reconhecer nossa incapacidade, “enfiar a viola no saco” e buscar noutro lado, o que de talento e sonho restarem...
Quanto a mim, acreditei que era um fracasso pra dança ,o que estendi á toda atividade física...uma burrice! Fiz o mesmo com o canto e as artes plásticas, mas como vocês podem ler, estou tentando escrever...

O Raul Cortez nunca foi, felizmente, um funcionário público...
E a Rita Lee, que gerou toda essa história, não sei se ainda toca piano, mas sei, que não acreditou que não levava jeito para o palco...

A opinião alheia pode, e muitas vezes é, equivocada, não acreditem em tudo que lhes carimbarem na testa, no corpo ou na alma...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Desejos de Victor Hugo

Victor Hugo diz tudo que é preciso:
 
"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar."

sexta-feira, 1 de julho de 2011

é tão bonito...



Caminhos do CoraçãoGonzaguinha
Composição: Gonzaguinha

Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz

Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto prá dormir e sonhar

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar

É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração