domingo, 26 de junho de 2011

Pátio

Hoje sei de onde vim e quanto fui moldada na minha primeira casa,nos detalhes, fui tramada junto aos crochês dos panos de prato,temperada com gostos e cheiros, sei o quanto me senti nutrida e tantas vezes não, calada e estimulada, amada e esquecida, o quanto subi nas árvores e em alguns muros, aprendendo o que posso, o que consigo ou não, testando minha capacidade de escalar perigos e obstáculos, fui esculpida nos barros que pisei com os pés descalços, minhas alegrias e tristezas partem dessa vertente...é de lá que brotou toda a água, se ela permanece limpa, se ela virou rio, se ela secou ou fez enchente...é minha parte da história, é o meu enredo, é a minha capacidade de sair de casa e ainda assim trazê-la dentro...
Algumas peças talvez nunca encaixem e posso ao reescrever ter o ímpeto de mudar o roteiro ou negar a origem da série...mas é lá!

Sonho que amar, seja voltar a brincar no pátio...com aquela leveza, que as tardes risonhas e curiosas seguidas de cafés com leite, me imprimiram como felicidade&paz, ideais que me acalentam desde sempre...desde daquele início onde aprendi a ser, a sentir, a olhar!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Solidão contente... de Ivan Martins

Solidão contente
Ou, o que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas...

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.


Coluna de IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA

quinta-feira, 16 de junho de 2011

o que é o AMOR???


Inspirada por essa graça de visão do amor de crianças entre 4 e 8 anos, encontrei um poeminha, com a minha definição:

Deu vontade
de te encher de sol
grama beijos passarinhos
vontade de te lambuzar
te adoçar ainda mais
catar e te dar de presente
a felicidade que escondi
vontade de dar certas coisas
que nem sei se tenho ainda
uma certa luz que eu via
um jeito de acreditar
minha gaveta de guardados
minha colção de conchinhas
meu pátio e o esconderijos
até minha "monareta"
eu queria te emprestar


ah,isso tudo me me deu uma saudade de amar assim...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um grito necessário!

Hoje com uma certa dor no peito, resolvi procurar uma emergência, no Mae de Deus. Ficaria umas 3 hs pra receber a avaliação de um clinico, desisti... Procurei o instituto do coração , que por possuir convênio me possibilitou um atendimento um pouquinho mais rápido, com direito a eletrocardiograma e avaliação de um especialista, conclusão: sou uma afortunada e tudo bem com meu coração ... Mas se fosse um problema cardíaco realmente e eu dependesse do SUS??? Triste pais onde educação e saúde não são prioridade máxima. Os gritos de protesto há anos atrás  pediam: Arroz, feijão, saúde, educação ... Acho que precisamos continuar GRITANDO!!!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

um lugar mágico...



Essa musica me levou de volta ao Integria, um lugar mágico que quando conheci assim descrevi:
Visitei um lugar mágico, desses tantos que existem pelo mundo e muitas vezes não enxergamos, por que enxergar exige parar, prestar atenção e mudar a partir de...
Um lugar assim, que me fez carinho com sofás gordos, silêncio, beleza, tranquilidade , comidas feitas na hora, pães quentinhos, mas principalmente um lugar que me abençoou com gente feliz e harmônica, um lugar que tem a missão de nos dar sossego e nos dar tempo e espaço para sermos integrados, o que é difícil e lindo!
O Integria, assim se chama, surgiu como projeto de vida de um casal, o que dá ao contexto, toda uma nova luz e um novo gosto. O casal corre muito, mas dão conta de todos os detalhes e são incansáveis servindo, sorrindo, cantando e tocando violão ao fim do dia...Fito Paez no violão do Esteban e no sorriso da Maria Alice, voltei pra lá nessa musica...saudade daqueles dois que não vejo há tanto tempo e que agora tem dois filhos maravilhosos!

Deu saudade do meu amor Eduardo&Mônica...

Grande sacada da Africa e da Vivo, que me fez lembrar do meu amor Eduardo&Mônica, "e quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."

terça-feira, 7 de junho de 2011

Kwaidan número 2 - Paulo Rebêlo

Talvez uma meia dúzia dessas mulheres fantasmas eu nunca mais encontre na vida, sequer sei se ainda estão vivas diante de sumiços repentinos.

Uma outra meia dúzia de fantasmas desapareceu conscientemente, por um motivo ou outro, cada uma com suas razões nem sempre racionais ou explicáveis. Ou simplesmente porque casaram e acham melhor evitar certos encontros.

Em comum, a todas elas, é claro que gostaria de encontrá-las uma vez mais. Não para prosseguir com histórias de um passado tão distante, mas apenas para agradecer o quanto elas nos ensinaram, independentemente do tempo de convívio.

Uma das fantasmas mais doces que conheci, decerto, desapareceu do mesmo jeito que surgiu - do nada, feito aparição - e assim instalou-se na minha memória até hoje.

Ela era piloto em São Paulo, fato que achei exótico e curioso por si só. Tão linda a ponto de me deixar encabulado todas as vezes em que nos encontramos, fosse para tomar um café depois do expediente ou matar a fome nas padarias 24h da paulicéia desvairada.

Por tantas vezes me peguei pensando por que ela perderia tempo, noites assim, com um barrigudinho que mal conhecera, que estava sempre de passagem e, ainda por cima, adorava falar mal da cidade, do quanto preferia ir apenas a trabalho, nunca morar de verdade.

Graças a ela, perdi o medo da turbulência do avião e passei a entender o motivo de tanta gente dizer que helicóptero é um bicho seguro. Mesmo sem (ela) saber, aprendi mais sobre esperanças e frustrações humanas, com ela, do que aprenderia com duzentos livros.

Durante quase um ano, nos encontramos por não mais do que oito vezes. Talvez menos. Ela nunca deu bola alguma, nunca insinuou nada, nunca deu a entender se estava interessada em qualquer coisa que não fosse uma companhia para jantar a qual, eventualmente, teria uma boa história para compartilhar.

Mas também nunca foi objetiva o suficiente para dizer o contrário.

Ciente de minha condição de mero viajante e forasteiro, também nunca sugeri ou insinuei nada. Sobretudo porque na minha cabeça só conseguia pensar na centena de homens cultos e inteligentes que deveriam fazer todos os tipos de convite para uma mulher tão bonita e igualmente inteligente assim.

Nunca houve o passo seguinte. Mesmo depois de horas, de noites inteiras de conversas e frustrações compartilhadas de uma mulher feita que, aos meus olhos, parecia ainda ser uma moça com tanto para descobrir sobre si mesma e sobre o mundo lá fora.

Um belo dia, ela sumiu. Para nunca mais ser encontrada.

Naquele distante ano, cheguei em São Paulo pela décima vez em apenas seis meses e é como se ela nunca tivesse existido.

Durante quase dez anos depois dali, continuei a procurá-la.

O telefone da casa dela disparava e ninguém atendia, nem mesmo algum parente. O celular, desligado ou fora da área de serviço. O e-mail ficou inexistente da noite para o dia. Aquele mesmo endereço de e-mail pelo qual, um mês antes, ela me perguntara em tom de piada e curiosidade: "sabe, outro dia fiquei pensando o seguinte: se eu morresse, como é que você ia ficar sabendo?"

Procurei na lista telefônica e, durante meses a fio, telefonei para quase cem pessoas com o mesmo nome. Durante outro tanto tempo pedi ajuda a Deus (Google) e também nada encontrei.

Na ineficiência de Deus, anos depois surgiu esse capeta do Facebook e tentei negociar. Encontrei mais de 200 pessoas diferentes com o mesmo nome. Cliquei em todas. Pior do que a fila do falido Inamps. Hoje, já passaram de 400.

Cheguei a ir a três delegacias e meia dúzia de cartórios em São Paulo, não cheguei a contar quantas horas passei em cada um, embora sem o menor sucesso porque não tinha o endereço residencial, não tinha o nome completo, não tinha o número do RG ou CPF, não tinha o nome dos pais dela. Aqueles únicos dois nomes, que guardo até hoje, são mais comuns do que imaginei.

No banco de dados da operadora telefônica, o número apareceu como inexistente ou inoperante.

Quando sugeri ao delegado fazer uma descrição para algum especialista desenhar e procurar em algum banco de dados, ele disse que eu estava vendo muito filme americano.

Até hoje, não sei se ela deixou-se levar pela depressão aguda (uma de suas reclamações recorrentes), se fez as malas e foi meditar na Índia, se virou freira, se mudou de nome ou de cidade, se entrou no programa de proteção à testemunha, se virou hippie em Alto Paraíso ou se resolveu casar e ter oito filhos.

Curioso porque minha maior angústia não é apenas saber se está viva ou não. É de lembrar de tantos detalhes e, ao mesmo tempo, não conseguir lembrar quando e onde nos falamos pela última vez.

Porque a última vez nunca é a última. A gente sempre acha que haverá o dia seguinte. E quando não há, deixamos de dormir pensando sobre o quanto teríamos para agradecer, para conversar, para compartilhar.

Um abraço mais apertado, um beijo na testa, um táxi no meio da chuva ou a porta do elevador se fechando. Ou teria sido apenas um "tchau e até a próxima"? Não recordo mais.

Ela simplesmente deixou de existir. Se é que existiu de verdade.


Paulo Rebêlo é jornalista. Site oficial - www.rebelo.org

Ah,essa história me comoveu, eu que sempre torço pelos finais felizes, me impactei com essa historia sem final...e com a constatação bem óbvia de que nunca saberemos qual será a ultima vez, por mais humanamente pretensioso e supostamente contr...oladores de tudo, como bobamente nos julgamos, somos e seremos pra sempre personagens flutuando por aí ao sabor de qualquer possibilidade de encontro e desencontro...simples assim...ps-espero que ela tenha existido.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

aconchego...



domingo perfeito...sol&preguiça curtidos na cama!!!

vida...

ontem vi o Caetano e o Gil falando sobre ser jovem e se tinham saudade ...Caetano disse ter saudade do vigor e da beleza mas o Gil disse que tudo que ele fez e desfez todos esses anos, fizeram dele melhor, mais atento, mais paciente e íntegro...acho que ambos estão certos perdemos e ganhamos com o passar do tempo...e viver é exercitar saudade e desprendimento...

Ciclos da vida...que dizem ser do Charles Chaplin, não acredito, mas compartilho, por que vale a leitura:
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

girinos...

lembrei de uma frase antiga minha:
Ao engolirmos são girinos, só viram sapo, lá dentro!
(do tempo que engoli tantos sapos a ponto de teorizar sobre o tema...)

Trago de volta, só pra lembrar a conclusão...por dentro se misturam com outros guardados e viram monstros maiores...

Burrice armazená-los né?