domingo, 9 de janeiro de 2011

o que é mesmo que preciso aprender?

Eu passei um final de ano, completamente diferente do que havia longamente planejado e pago, nosso cruzeiro pelo nordeste em família, embarcados e sorridentes, subitamente foi cancelado. Passado o primeiro momento em que frustrada como uma criança de 6 anos de idade ameacei “beicinho” e morri de pena de mim, cai na real e fui grata, mil vezes grata, por que a manutenção dos meus planos iniciais poderiam e certamente teriam nos custado muita dor e perda.
É difícil reconhecer, mas Deus (e digo Deus por que é Nele que eu creio) escreve sempre certo, mesmo que nos pareça torto, já que muitas vezes vem contra o que planejamos
Eu divido com vocês a certeza que hoje tenho, de que Deus, destino, vida, ou seja, lá como vocês chamam essa energia que está muito além do nosso pseudo-controle, tem sempre razão e muitas vezes vai alterar as peças e mudar os planos, tendo por trás disso um porquê, que muitas vezes revoltados, não entenderemos.
O fato é que inúmeras vezes estamos forçando a barra, estamos insistindo no improvável, estamos teimando, fazendo queda de braço, estamos querendo provar poder, estamos querendo fugir ou estamos querendo controlar e bobamente acreditando que podemos tudo.
Podemos muito, podemos quase tudo, mas em algum momento seremos ínfimos, e todo e qualquer planejamento anterior, toda forma de poder que supomos ter inclusive da mente, não darão respostas e não serão suficientes, e aí é pensar: o que é mesmo que preciso aprender com tudo isso?
E tentar aprender...
Eu sempre nutri um ódio velado à palavra resignação, que segundo alguns era um componente necessário na manutenção dos casamentos, e sempre me soava como uma carga de ressentimento e frustração sem preço, mas talvez o que eu tenha aprendido, ao passar a virada de ano num hospital, é que resignação é um componente que a maturidade e a sabedoria ensinam, e que é mesmo fundamental.
Se as coisas não saíram exatamente como planejamos, é por precisamos parar e aproveitar pra olhar em volta, olhar pra dentro e tirarmos alguma alegria nesse aprendizado, que alguma sempre há.
Nos corredores daquele hospital vi de tudo: câncer, AIDS, infecção generalizada, leucemia e vi sorrisos e esperanças atrás de sintomas e dores, mas também vi amores. Também vi na emergência gente esperando um leito sem conseguir, por que aquele era um ótimo hospital particular em Copacabana ao qual só alguns planos de saúde davam acesso. A doença não escolhe por classe social, não faz distinção alguma, a doença é democrática, já o acesso a saúde, infelizmente não.
Aprendi que podemos pedir muito e esperar amores, bens, viagens, abundância, etc. Mas só mesmo a saúde interessa, e na falta dela, um bom plano de saúde, paz de espírito e uma família que nos ampare. Adoecer tem um custo monetário impagável por aqui e um custo emocional, que só um bom amor incondicional pode dar alento, pode oferecer ombro, pode acompanhar passos lentos.
Aprendam a pedir saúde e um amor parceiro, por que não é á toa que fazem nos casamentos a promessa na saúde e na doença, na fragilidade é onde infinitamente o amor se mostra.

ps- preciso contar que como minha mãe, fraca que estava, adormeceu muito cedo, aproveitei e “fugi” do hospital, pouco antes da meia-noite, queria ver os fogos de perto. A beira da praia estava há umas seis quadras do hospital e lá fui, sozinha e foi encantador, não só os fogos que são mesmo um espetáculo, mas o clima, as famílias vestindo branco e confraternizando, a paz. Foi lindo, emocionante estar ali, receber tudo aquilo, como benção e então sorri como uma criança e agradeci.

Nenhum comentário: