quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pra lembrar de ser feliz, AGORA!!

Frase que achei ao acaso no meu computador e que vale compartilhar em um dia feito hoje, feliz por natureza:
"Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade!"

terça-feira, 25 de outubro de 2011

e anjos falam comigo...

Um anjo falou comigo um dia e eu espero conseguir, compartilhar um pouco do que entendi, como uma grande dica:
Venho do centro pós-almoço, numa lotação, quase dormindo e na altura da independência uma senhora senta ao meu lado, sorrio e comento com ela:
_ Que soninho dá na gente essa hora, né?
Ela sorriu e me disse:
_Que cara doce é frágil fizeste ao dizer isso, quando estiver com teu amor repete... (é importante saber ser frágil e acessível)
Eu querendo agradecer ao comentário, sorri e disse o que realmente acredito:
_ São seus olhos, a gente não enxerga o que não tem...
Ao que ela me responde com olhar triste:
_ Quem dera, eu já não enxergo assim há muito tempo...Trabalho com o judiciário e no correr da vida, fui perdendo tanta crença e esperança, fui engolindo tanto lixo, fui me contaminando tanto...A gente não é ostra que consegue nacarar o lixo e transforma-lo a gente não é um tipo de animal que possui dois estômagos, um capaz de reprocessar lixo, a gente vai adoecendo...eu já passei por 10 cirurgias pra retirar os lixos que guardei, e há 10 anos, fiquei tão amarga, com todas as perdas, que desenvolvi uma diabete...Perdi as lentes coloridas, quem me dera ainda pudesse usa-las pra enxergar o mundo mais bonito...
Nisso ela me sorri, levanta e pede pra descer...Muito próximo de onde havia entrado. Não sem antes me dizer: Não te deixa contaminar...Não deixa que a vida te faça mal...
Boa sorte nos dissemos quase em coro.
Tenho certeza era um anjo que veio falar comigo, um anjo que veio me alertar, que não posso deixar de acreditar, que não posso adoecer de descrença, que eu preciso usar o olho bom, por mais clichê pareça, por que toda situação, toda perda e tudo enfim tem algo pra ensinar.
Passei a semana inteira usando o nick: "o photoshop e a política me fazem duvidar de tudo hoje em dia", péssima postura, péssimo pensamento percebi logo após o encontro com meu anjo.
Pela manhã, recebi o telefonema de uma pessoa, que não vejo há mais de ano, e que me ligou pra comunicar a boa vida nova, que longe das drogas está vivendo, o quanto de auto-estima desenvolveu, o quanto está pleno e apto pra recomeçar, essa mesma pessoa me disse: Eu não quero falar mal de ninguém, não preciso me sujar julgando e criticando ninguém, eu estou limpo, eu estou bem, e só isso é o que queria te contar.
Não tenho dúvida, Deus andou me espiando, viu alguns maus pensamentos e julgamentos meus, veio falar comigo hoje, por que assim como eu, não gostou dessa pessoa feia que eu estava quase me tornando, precavida, defensiva, desconfiada, ele usou dois bons anjos, pra me soprar uma música antiga do Lulu Santos de 1982, que me lembrei subitamente e percebi nunca havia prestado a atenção devida: " eu quero crer no amor numa boa e que isso valha pra qualquer pessoa, que realizar a força que tem numa paixão...eu quero um novo começo de era, de gente fina elegante, sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não."

Eu peço luz e força, para que a gente não se contamine, que a gente não crie, nem guarde lixo, que a gente continue capaz de fazer e enxergar o bem...

Boa sorte...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

eu sou...



ah, meus diários virtuais...acabo de encontrar uma tentativa de definição, que apesar de escrita em 2006, ainda me define...aliás estão aqui o azul e o lilás que fotografei pela manhã...

eu sou feliz
e isso pode soar babaca,
dito assim de cara,
mas sou esse tipo de gente
que vê motivos pra ser feliz em detalhes
e isso é uma grande alegria

importante ressaltar
li Pollyana quando pequena,
e essa visão, pode ter influência do jogo do contente

por exemplo, acordo bem feliz
quando vejo que tem sol e o dia está azul
(como hoje)
quando minha filha ri e no bom dia, me diz te amo
quando dormi enroscada e nua
e posso continuar assim toda manhã
beijando na boca sem pressa

sou feliz quando uma musica me interpreta
quando uma poesia me escancara
quando a primavera colore tudo
e chove flor lilás de jacarandá
quando o outono derrama folhas de plátano
quando chove ( e estou quentinha em casa)
e depois a terra cheira molhada

quando converso-ouço-entendo
e sou igualmente entendida
quando recebo um carinho
em forma de torpedo
lembrança
presente
quando consigo tocar
e fazer alguém feliz
quando faço um brinde
quando dou risada alto
quando o sol muda de cor
quando a lua me surpreende redonda e enorme no céu
sou feliz viajando sem destino
sendo turista até mesmo por aqui
molhando os pé da água
andando de bicicleta

gosto de gente
e suas histórias
sou curiosa
tenho incontinência verbal
cumprimento até quem eu não conheço (ainda)
gosto de dar sorrisos e bom dia
gosto de me sentir ativa
sou feliz trabalhando
(até trabalhando..ahah)
sou feliz no escuro do cinema
sou emoção á flor da pele

sou também um pouco solitária
não que seja opcional
fui aprendendo
um pouco racional
e as vezes perco as esperanças
e as ideologias
e isso é um pouco triste
assim ás vezes
fico prá baixo
introspectiva
carente
ás vezes não tenho rima
nem palavra
e pareço corroer em silêncio
sem saída
aí escrevo - respiro fundo
olho pra longe
e passa
e depois quase não me reconheço
nas cenas que descrevi
já vivi histórias duras
que me parecem roteiros mal redigidos do Almodovar
mas de um jeito
quase infantil
ainda acredito em boas pessoas
em lindas intenções
em olhares
em abraços
me emociono
me sinto viva

e sempre volto a ser
feliz...

sábado, 15 de outubro de 2011

"conformidade mata a alma"







Hoje eu vesti preto e sai por aí... Não só pela corrupção,mas por uma reforma tributária, por uma educação que mereça esse nome e tenha esse crédito e esse respeito, por uma saúde pra todos, pelo direito a segurança, pelo fim dos salários milionários e todas as demais regalias de deputados e senadores...É lamentável um país funcionar a base de propina... como é lamentável que a carga tributária absurda que de paga, não seja distribuída efetivamente e revertida ao que deve saúde educação e segurança... Vou vestir luto pela impotência e por tudo que imagino precisa Urgentemente mudar, pra que nos reste DIGNIDADE E ESPERANÇA!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

minha benção...conquistada!

Engravidei de surpresa, nada planejado. Pra minha tristeza, meu medico disse numa das primeiras consultas:" provavelmente tu terá dificuldade em amamentar, por que anatomicamente teu seio, sem bico dificultará muito". Perguntei se existia alguma coisa a fazer...Ele não muito entusiasmado me ensinou exercicios que poderiam, talvez, ajudar...Passei meses conversando/curtindo minha barriga e fazendo os tais exercicios...Eu dizia que o que mais queria era vê-la nascer e saborear aquele momento lindo que eu supunha seria alimentar minha cria...
Tive a Alice num hospital que tinha um jeito bem tradicional de “embalar” bebês...Lembro que nosso segundo encontro, pós-parto, já no quarto, ela veio embrulhada, como se fosse um "pacotinho" de gente, meu primeiro movimento foi livrá-la daquilo tudo, queria ver e tocar nas mãozinhas, na pele, no corpo, queria vê-la inteirinha, cheirá-la, bem mãe-bicho. Ao pegá-la no colo, ela instintivamente começou a mamar. Foi LINDO e pude amamentá-la por mais de um ano, uma benção!!



Por que estou falando tudo isso?
Por que o “meu pacotinho” logo estará fazendo 15 anos, quinze anos é um tempo enorme numa vida...e tudo floresce!
Daquela fragilidade muda de humano recém nascido, até os passos de hip-hop que hoje ela ensaiava na sala, houve um caminho enorme de primeiros passos e tombos, de primeiras palavras balbuciadas e erros, de choros intermináveis, que a pobre mãe de primeira viagem desconhecendo a origem chorava junto, houve muito pra aprendermos e com certeza muuuuuuuuuito mais descobriremos e aprenderemos juntas, estamos crescendo juntas!
Muitas vezes eu fico me perguntando se sou suficientemente capacitada pra tarefa, se não estou errando nas proibições e nas liberdades, ser mãe não é exatamente uma facilidade, caímos em contradições, temos culpas, dúvidas, medos, ficamos frágeis, queremos manuais que ensinem e eles não existem, queremos a certeza de que estamos cumprindo bem o legado e só ás vezes, numa postura do filho, numa frase pronunciada, num olhar, num momento, ela existe, quando sentimos um breve alívio: Isso eu ensinei..e é bom!
O que eu queria mesmo era dizer pro “meu pacotinho”, que por mais contradições e receios que a tal maternidade me faça viver, nenhum momento na minha vida, foi ou será mais importante que o nosso primeiro olhar, trocado na sala de parto e nenhuma palavra será suficiente pra expressar o tanto de amor e entrega e plenitude, que aquele segundo momento onde nós bichinhos nos reconhecemos, encostando as peles e os olhares, ficamos fortes, alimentando-nos, ela de amor e leite, eu de amor e paz,
Momento mágico, momento lindo!

Mil vezes obrigada, meu amor, por ter me escolhido pra ser tua mãe, acredito naquela tua história de que ficou espiando lá do céu, e disse: aquela lá é a mulher que eu escolhi! Sou muito melhor e muito mais mulher depois disso.
Desculpa as vezes que erro, o ser humano adulto é tão frágil quanto tu me pareceu naquele pacotinho, estamos sempre reaprendendo a sentir, a tocar, a ser e isso é confuso e lindo!
É muito gostoso ter alguém pra compartilhar a vida, é maravilhoso e mais seguro, cumprirmos o caminho bem acompanhados, nós estamos!

sábado, 8 de outubro de 2011

quem eu sou? o que me inspira?

..
Como fazer um breve historico vejamos, eu nasci fruto de um amor apaixonado , embalado por The Plater- Only you....numa cidade pequena , Itaqui, na beira do rio, com gente simples e cadeiras nas calçadas, antes na Tv ter cor e tamanha importancia nas salas, no tempo que existiam leiteiros com tarros deixados nas portas das casas ao amanhecer. Na infância tive muito tempo pra fazer nada, brincar no pátio, comer fruta no pé e imaginar imagens nas nuvens, na adolescência fui pra Santa Maria que tem um vento norte quente e inspirador, lá
dancei musica lenta, namorei de mãos dadas e depois já na universidade ,estudando comunicação, fiz protesto, passeata, greve..,conto tudo isso por que sei que somos a soma de todas as nossas vivências e emoções...um fato fundamental na minha historia, engravidei e vi nascer a Alice que amamentei por mais de um ano e que cresce linda e especial, a maternidade foi a maior e mais significativa emoção e me transformou pra sempre, o tal amor incondicional é o que temos pelos filhos...é sempre isso que escrevi por anos em crônicas e poesias, gosto de emoção registrada...viver é rápido sentir é lento, escrever é se adonar do movimento...
A arte da Clarissa Motta me chegou assim por pura emoção, gosto da leveza e dos significados que a inspiram...e só posso agradecer a vida por ter nos apresentado, ela é maravilhosa e deu as minhas palavras um novo e lindo sentido. Ter minhas emoções em louças brancas cheias de arte é um luxo!
Sou feliz por tudo isso!

sábado, 24 de setembro de 2011

toda sentimento...

Ontem ouvi de perto e ao vivo, essa e tantas outras poesias lindas na voz da Bethânia, que vez ou outra cantava, voz forte, linda e limpa... Fiquei na platéia fascinada e agradecida, pensando que delícia, que benção ter alguém que cante e recite há tantos anos, sentimentos & palavras que me tocam e me cabem tão perfeitamente!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

hora de voar!!



A hora é esta, Nadia: arriscar-se, atirar-se destemidamente na direção do novo. Ainda que muitas pessoas possam se apavorar e tentar lhe demover daquilo que sua alma interpreta como um novo impulso criativo, não se incomode. As pessoas falam porque estão viciadas em certezas e seguranças. Mas O Louco, arcano zero do Tarot, vem lembrar que, eventualmente, alguma loucura é mais do que bem-vinda! Ponha sua vida em movimento e lembre-se que é sempre momento de recomeçar. Evite o medo e não espere as coisas tomarem uma forma “certa” para agir. Vá!

ps- as certezas muitas vezes, são medos disfarçados e como tal, são paralisantes...preste muita ATENÇÃO às suas crenças!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

saudade de pátio...



Eu decididamente preciso de um pátio: pra almoçar em dias de sol, pra ler na rede na sombra, pra fazer piqueniques em noites de lua cheia ,pra esquecer do tempo e brincar!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

simplesmente...



Tenho memórias que me geram sorrisos instantâneos, e são acionadas de formas variadas, mas fundamentalmente por músicas e cheiros...Facilmente, pela mágica dos sentidos, me transporto pra um tempo e sou de novo. Tudo isso é uma dádiva que eu desfruto plenamente...

Sei certas músicas e certos cheiros, me farão alada... flutuando, revisitada e cheia de uma emoção de antes, e sempre nova...talvez essa seja a fórmula da eternidade.

domingo, 4 de setembro de 2011

por que nasceu uma flor...



Do nada nasceu essa flor... Adoro quando a vida faz dessas, surge, apesar dos pesares, como árvore num muro, nasceu por que quis...resistente e dona!



Então, se insisto no assunto e na homenagem é por que estou impressionada com a Força e a ânsia da vida..Minhas pobres plantinhas da sacada, estavam em total abandono, primeiro foram as chuvas sem fim, depois o sol que veio forte e esqueci de cuidá- lás, ficaram lá minguando e secando sem nenhuma conversa carinhosa, sem nenhuma terra/ esperança nova , nem água é bem verdade...gosto das florzinhas que só abrem as 11 horas e se espalham pelas ruas, isso me fez uma catadora de galhos que possam vir a brotar... Esse que nasceu agora, era só um galho ,pequeno e meio estranho , que fui deixando ficar... Quando vi que estava seco pensei, terei que jogá-ló fora qualquer dia ... Até que hoje amanhece essa flor iluminada e eu que gosto de criar sentidos, acho que essa flor, tão resistente e com vontade própria, quer me ensinar a brotar...

Nasceu pra me lembrar que a vida não desiste, insiste e brota, por que quer, por que faz sentido, por a semente está viva, e vence a falta de água e o meu descaso...
por que reverenciar o sol e o céu...é sonho de flor, ela renasce!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

salários dignos!!!

Hoje vi na capa da ZH que o TCE barrou o aumento dos vereadores, medida mais que louvável, pois eu tive agora uma idéia que me pareceu ótima: EQUIPARAÇÃO SALARIAL DOS VEREADORES AOS PROFESSORES, não que os vereadores tenham a importancia dos professores, longe disso, mas seria uma forma de sentirem na carne o que é ter um salário indigno e repensarem posturas e aumentos...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

quero colo!!!


A grande sabedoria da vida é saber pedir colo quando se precisa, desarmadamente...e oferecer colo...e reconhecer que é a alternância de "colos" faz qualquer relação mais forte!

sábado, 27 de agosto de 2011

eu dancei muito, todas essas..



Tempos engraçados de coreografias e modas estranhas, adolescência, músicas lentas, descobertas, risadas, descompromisso...uma vida toda inaugural!
I will survive eu vibrava dançando no meio da pista, sem nem saber o tanto de sobrevivência ainda estaria por vir...
As lembranças que todos esses sons um trazem, é bem descrita num poeminha do ALICE RUIZ que só bem depois conheci e compreendi:

"Lembra o tempo
em que você sentia

e sentir
era a forma
mais sábia de saber

E você nem sabia?
"

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Devagar..preste atenção...escute

Minha filha me apresentou ontem uma música linda :Vienna-Billy Joel, pesquisando descobri que é antiga, ela estava redescobrindo..isso é lindo, aprender e reaprender através dos filhos.



Vienna
Billy Joel
(tradução)
Devagar, sua louca criança.
Você é tão ambiciosa para uma jovem.
Mas se você é tão esperta, me diga porque continua com tanto medo?
Onde está o fogo? Pra quê a pressa?
É melhor você aproveitar isso antes que você perca
Você tem muito o que fazer e tão poucas horas em um dia

Você não sabe que quando a verdade é dita
Você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer?
Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho
Quando você perceberá? Viena espera por você

Devagar, você está indo bem
Você não pode ser tudo o que você quer ser, antes do seu tempo
Embora isso seja tão romântico no limite de hoje a noite, hoje a noite.
Tão ruim, mas é a vida que você segue
Você está tão à afrente de si mesma que esqueceu o que precisa.
Embora você possa ver quando você está errada
Você sabe, você nem sempre saberá quando você está certa, certa.

Você tem sua paixão. Você tem seu orgulho
Mas você não sabe que apenas tolos ficam satisfeitos?
Sonhe, mas não pense que todos os sonhos se realizarão
Quando você vai perceber? Viena espera por você

Devagar, sua criança louca
Tire o telefone do gancho e desapareça por um tempo
Tudo bem, você pode permitir-se perder um dia ou dois
Quando você vai perceber? Viena espera por você.

Você não sabe que quando a verdade é dita
Você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer?
Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho
Por que você não percebe? Vienna espera por você
Quando você vai perceber? Viena espera por você!



terça-feira, 23 de agosto de 2011

e nasce mais um dia próprio para abraços...



'Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro.
Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e,
se falta luz, tanto melhor.
Tudo o que você pensa e sofre
dentro de um abraço se dissolve'
Martha Medeiros
Livro: Feliz por nada


Obras - Gustav Klimt

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ok, sou maniqueista!

Bá,Sillero eu tenho horror quando os vilões se dão bem, alias, só assisto final de novela esperando o contrário... Mas ultimamente só quebro a cara.. Por aqui e infelizmente, não só nas novelas, o crime sempre compensa e acaba não tendo nenhuma punição , é uma pena ou pior, uma escola! Triste um pais como o nosso que tem vilão como herói e falta de ética, como capacidade de se dar bem!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Amei..

estes são só os esboços da doce arte da Clarissa Motta Nunes ...e eu já AMEI!!!

Parabens, meu velho!!!!

Hoje meu pai, se já não fosse eterno, estaria de aniversário! Saudade é luz !

Meu velho, boa gente, brincalhão, carinhoso e cheiroso é minha referencia de vida, como cantava o Peninha: "ter saudade até que é bom, é melhor do que caminhar vazio"...e sou grata pelo tempo que pude aproveitar a convivência e o amor dele!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chuva sem fim...

Essa chuva sem fim por aqui me faz Lembrar Leminski e um dos seus poeminhas queridos: " Podem ficar com a realidade/esse baixo astral/ em que tudo entra pelo cano/eu quero viver de verdade/ eu fico com o cinema americano"
Já Eu prefiro viver no cinema francês ... Lá chove mais bonito ... 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mude .,,

Na minha ultima coluna do Queb citei um poema lindo MUDE que sempre imaginei ser da Clarisse Lispector e há pouco, graças a um email do verdadeiro autor Edson Marques soube do meu engano ... Peço desculpa ao Edson e Na minha ultima coluna do Queb citei um poema lindo MUDE que sempre imaginei ser da Clarisse Lispector e há pouco, graças a um email do verdadeiro autor Edson Marques soube do meu engano ... Peço desculpa ao Edson e compartilho com voces um video lindo dele: http://www.youtube.com/watch_popup?v=AZSdGQ-MrXY&rel=0

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Inicios...

Esta coluna é a ultima que postei no QUEB, em homenagem ao Clóvis Duarte... que foi decisivo no meu início profissional... E que, com certeza, deve estar sorridente nos observando lá de cima, agora sob novas luzes!
Não sabia que seria ultima lá no meu espaço, que graças a motificações, deixa de ter colunistas, mas como tudo é sempre harmônico..essa ultima fala do meu inicio e do quanto devemos reconhecer e aproveitar oportunidades, foi o que fiz por tantos anos aproveitando o convite do Fábio Gomes. Grande e valiosa experiência foi ser colunista do QUEB, ao Fábio e toda equipe, assim como ao Clóvis Duarte , ao Laerte Martins, ao Enio Lindenbaum e há tantas especiais pessoas que me apoiaram em todos os meus inicios, serei pra sempre grata!

Janeiro. 1985

Recém formada estreando na capital, procurando trabalho, com um minguado currículo embaixo do braço, ouvi toda gama de nãos, numa tarde estou esperando mais um, no saguão de uma agência de publicidade, quando entrou um figurão da TV e do mercado, sentou perto. E eu muito dada e curiosa puxei assunto, papo vai papo vem, perguntei o que mais me interessava:
_ Na tua opinião, qual a melhor produtora de comerciais de Porto Alegre?
_ A Sabiá! Disse-me assertivo.
_ Do Laerte, Martins, não conhece? Fica ali na Santa Terezinha.
_ Ah, sei... Sem saber e por que a nossa breve conversa chegava ao fim, já que a pessoa a qual eu aguardava, neste momento havia me preterido e recebia, naturalmente, ele: o Clóvis Duarte.

Muito prontamente pedi para a secretária um “Achei”, salvador mapa de ruas de Porto Alegre, que muito recorri até me acostumar com essa cidade que de inicio parecia enorme, confusa e caótica.
Dispensei minha entrevista agendada, agradeci e lá fui eu, rua a fora.

Bato na porta, uma secretária me recebe e pergunto quase íntima:
_ Oi, o Laerte está?
_ Sim, Quem gostaria? Ela nem tão simpática me pergunta.
_ Oi, eu sou a Nádia e quem me falou da Sabiá foi o Clóvis Duarte e ele me comentou... Nem terminei a frase.
_ Entra, por favor, vou chamá-lo.
O próprio Laerte em carne e osso, me busca na sala de espera e para minha surpresa num sorriso.
_Pode passar, Nádia!

Na sala, enorme e bem decorada sento e eu prontamente disparo:
_ Laerte, o negócio é o seguinte: acabo de me formar em Santa Maria em comunicação social, quero trabalhar com produção de comerciais. O Clóvis me disse que a tua produtora é a melhor, e eu quero trabalhar na melhor! Como não tens como avaliar se eu tenho algum talento, e eu sei que tenho, vim aqui te propor, trabalho por um mês de graça, e depois conversamos. O que te parece?
Ele um pouco tonto me sorriu, e disse amistoso: Parece ótimo!
Então levantei apertei a sua mão e disse:
_Ótimo, começo amanhã!
Assim comecei e permaneço no mercado, há mais de 20 anos!

O que eu quero dizer com tudo isso?
Que é preciso acreditar e não desistir no primeiro não, é preciso além de confiança ter talento pro negócio, e eu não tinha dúvidas disso quando propus meu primeiro mês trabalhando de graça, e é preciso e isso é fundamental, reconhecer oportunidades... e saber usá-las a nosso favor....

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos invisíveis - Fabrício Carpinejar

Amigos Invisíveis - Fabrício Carpinejar

"Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.
Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.
Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.
Amizade não é dependência, submissão.
Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.
É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa.
Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas.
E já se está falando mal dele por falta de notícias.
Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva?
A proximidade física nem sempre é afetiva.
Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto.
É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios.
São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.
Aqueles que não estão perto podem estar dentro.
Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.
Não vou mentir a eles ¿vamos nos ligar?¿ num esbarrão de rua.
Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados.
Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos.
Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.
Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação.
Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?
Amigo é o que fica depois da ressaca.
É glicose no sangue.
A serenidade."

domingo, 17 de julho de 2011

com muito prazer eu serei logo,logo, uma "velha louca"...

Ontem lendo a Claudia Laitano, vi que serei mesmo logo,logo uma "velha louca", dessas que são simplesmente curiosas e felizes como se estivessem inaugurando a vida... e desprezam as travas, etiquetas e as críticas...E considerando meu horror a uisques e tabacos, tudo indica que serei louca por muuuuuuuuuuuito tempo! Leiam o texto e enlouqueçam também...

A velha louca de Claudia Laitano

Era uma dama que não passaria despercebida nem na ala mais festiva de uma parada de orgulho gay – dessas que usam colares de bolas verdes do tamanho de um morango graúdo e combinam o chapéu usado no casamento de um cunhado do doutor Borges com os chinelos comprados semana passada no mercadinho da esquina.

Por diversão, adorava narrar em detalhes picantes a vida amorosa de personalidades aparentemente amorfas e ria muito revelando aos inocentes a ninfomania notória da mulher de um político conhecido, com a qual tomava chá todas as quartas-feiras na mesa mais concorrida da Confeitaria Rocco – no tempo da Confeitaria Rocco e de encontros para o chá às quartas-feiras.

Gostava de ler e de conversar sobre livros, sem se levar tão a sério a ponto de soar pedante aos amigos menos lidos. Lia Proust em francês desde menina-moça, mas para enfrentar doença ou insônia preferia Harold Hobbins.

Nunca recusava um convite para dançar, fosse para uma valsa vienense ou uma macarena, e não tinha o menor pudor em tirar os sapatos no meio da festa em atenção aos joanetes, instigando as moças penduradas em saltos muito altos a trocarem a elegância pelo conforto a certa altura da festa: “Depois da terceira taça, ninguém repara nos detalhes”.

Gostava de dormir tarde e de uísques importados e jamais – jamais – pensou em diminuir o número de cigarros para preservar a saúde e esticar os anos que lhe cabiam na atual encarnação (se dizia agnóstica convicta, mas acreditava em vidas passadas e nas muitas coincidências que indicavam sua passagem pelo Antigo Egito e pelos braços de Júlio César e Marco Antônio). Morreu bem velhinha, ligeiramente caduca, dizendo que quem ficava velho sem perder um pouco a compostura acabava ranzinza e com tendência ao mau hálito.

As velhas loucas são eternas e universais – quase todo mundo conhece uma. A maioria de nós, as mulheres muito responsáveis e adequadas, passa boa parte da vida em um esforço insano para passar a limpo a existência e suas circunstâncias.

Enquanto os homens parecem abstraídos por um assunto de cada vez, suas mulheres se ocupam em prestar atenção em tudo, sinceramente convencidas de que isso é possível.

Querem a casa mais aconchegante, o marido mais completo, os filhos mais perfeitos, o trabalho mais reconhecido – mesmo quando dizem que não, porque tanta mania de perfeição irrealizada não pega nem bem.

A velha louca é a mulher que, a certa altura, liberta-se da fantasia de controle e se entrega à entropia inevitável. Fala o que tem vontade e escuta só o que quer. A velha louca não perde tempo implicando com o marido e os vizinhos nem reclamando que os filhos não visitam mais: a velha louca tem vocação para a alegria.

Sua única loucura, na verdade, é ser imprevisível e ainda achar muita graça no que as pessoas dizem e fazem – como quem recém chegou neste mundo e não pretende sair tão cedo.

Cláudia Laitano

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Texto da Eliane Brum...me atingiu em cheio!

Me tornei mãe tarde, aos 32 anos,quando minhas amigas e colegas de escola já criavam adolescentes. Bobamente em função da idade e de já ter vivido um pouco mais, me supunha mais preparada para o papel, o que vira e me mexe percebo, nunca se está.

No terreno da maternidade tateamos: entre teorias que lemos em livros e práticas que vivemos e não queremos repetir, entre as megeras que não gostaríamos de ser e as liberais que também não somos, entre cobrativas e displicentes, entre ocupadas demais e culpadas, enfim é um exercício diário de frustração e felicidade, de inabilidade e subida habilidade, um infinito aprendizado.

Não estou reclamando, acho e repito mil vezes, a maternidade foi a minha MAIOR e MAIS EMOCIONANTE experência de vida, nada me motivou e me preencheu mais do que me saber gerando, me saber mãe e depois dia á dia, me saber criando um outro humano.

Mas o fato é que sei que cometo erros primários.
Vendo Super Nanny ás vezes fica claríssmo, mas agora lendo esse texto da Eliane Brum, tomei praticamente uma "tunda" como diriam na minha terra natal.
O texto a que me refiro, está AQUI...imperdível!

Entre as tantas passagens que me reconheci e me envergonho, por me reconhecer favorecendo o crescimento de um adulto despreparado se assim continuar, um em especial me coube em cheio : " ...Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para
dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade."

Pois bem, me reconheci essa mãe malabarista, mais preocupada com o bem estar da filha do que muitas vezes com a minha própria vida,muitas vezes pagando uma conta um pouco maior e muitas vezes parcelada, daquele sonho de consumo,que provavelmente vá nos fastar um pouquinho mais, por que vem equipado de fones e garantirá um distanciamento ainda maior do que a própria adolescência já gera.

Garantindo ou tentando garantir essa FELICIDADE que sei eu, e todos vocês, que nem sempre vem, ou mais precisamente nem sempre dura muito, já que estamos diante de um mundo fugaz de desejos e "necessidades" idem. Aliás quase esquecemos que felicidade mesmo, não se compra, é coisa bem boa, sem custo e sem grandes equipamentos e recursos além da capacidade interna de senti-la.

Por outro lado, e isso é um erro muito comum: a maioria das mães, ou tentando ser supermãe ou tentando ser imprescindível, costuma dizer e fazer: O que não nos custa!

Essa é a palavra chave pra no dia a dia, facilitarmos a vida, entregarmos na mão, atendermos ao primeiro pedido,lavarmos as louças que deveriam ter lavado, arrumarmos a cama que eles esqueceram, recolhermos as roupas que espalharam (desses ultimos já me livrei),e com essas "facilidades" que "não nos custam", criaremos adultos sem iniciativa, que acreditam que a vida virá sempre na bandeja, despreparados e infelizes logo adiante...

Por isso reconheço que a minha filha está certa quando me repete um frase que leu no twitter:"parem de reclamar da nossa geração, quando foi a geração de voces que nos criou"

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Opinião alheia, ouça, pense e esqueça!!!

No facebook acabo de entrar na comunidade dos Centenaristas, colegio que estudei no auge da minha adolescência e do qual guardo ótimas lembranças e outras nem tanto... Segue uma que lembrei agora, que tem o Centenário como palco: minha tentativa de fazer ginástica ritmica.

Ontem vendo o Saia Justa, citando o quanto uma roupa pode prejudicar um bom rendimento, vi a Rita Lee contar uma experiência triste lá no início da vida, na primeira audição de piano, onde sua mãe lhe colocou um vestido rosa cheio de topes, babados e “fru-frus” e a então menina Rita, não conseguiu tocar nada e pior, ainda fez xixi nas calças em público, o que fez a professora constatar e comentar com os pais:”ela não leva jeito é com palco e público”, já que nas aulas ela era boa aluna.
O Raul Cortez em uma entrevista disse que lá no início do que pretendia ser uma carreira ator, foi aconselhado por um “bam-bam-bam” das artes dramáticas, a desistir do ofício e buscar um emprego burocrático, por que não levava mesmo jeito pra coisa ...
Conheço inúmeras dessas histórias, eu mesma fui vítima de três bem marcantes:
1ª- entrei no coral da escola, o que era uma distinção, quase honra, tínhamos ensaios, apresentações, uniformes, um luxo. Um dia chamaram nas salas de aula solenemente os integrantes do coral, para uma gravação. Começamos a gravação, a professora interrompe, retorna a fita e diz: “Nádia,tu está semi tonando, vamos começar novamente”, na terceira tentativa e chamada de atenção, ouço rispidamente: “ Nádia, pode voltar a aula!”
2ª- tentei fazer ginástica rítmica, achava aquilo tão lindo, minha mãe comprou uma malha e lá fui eu para o teste de seleção, meio gordinha e desajeitada, no meio da série já me reconhecia um fracasso, mas ouvi ao passar atrás dos professores responsáveis pela avaliação o comentário fatal: “coitadinha, parecia um elefantinho lilás...”
3ª - tentei então as artes plásticas, sei lá quanto tempo e sem maiores orientações, passamos pintando um quadro, no final do ano, deixamos as telas para serem emolduradas e as mesmas seriam nosso presente de natal para os pais...não vou me estender muito, mas ao buscar a minha “obra prima”, ela estava irreconhecível, foi “levemente” retocada pela minha professora...

O fato é que isso acontece o tempo inteiro, existem professores que não sabem ensinar e despertar nossas qualidades e existem talentos que não possuímos, apesar de tão sonhados.
Mas existem e é importante ressaltar, talentos que não se enquadram, que por não cumprir
ou seguir as regras do estabelecido, podem caso o portador desista, virarem nada, virarem trauma e aquela sensação incômoda do “não dou pra isso”.
É importante acreditar e se dedicar ao que se supõe ser o nosso talento...Ir, fundo! Mas esgotadas todas as provas, chances, oportunidades e nossas próprias forças é fundamental reconhecer nossa incapacidade, “enfiar a viola no saco” e buscar noutro lado, o que de talento e sonho restarem...
Quanto a mim, acreditei que era um fracasso pra dança ,o que estendi á toda atividade física...uma burrice! Fiz o mesmo com o canto e as artes plásticas, mas como vocês podem ler, estou tentando escrever...

O Raul Cortez nunca foi, felizmente, um funcionário público...
E a Rita Lee, que gerou toda essa história, não sei se ainda toca piano, mas sei, que não acreditou que não levava jeito para o palco...

A opinião alheia pode, e muitas vezes é, equivocada, não acreditem em tudo que lhes carimbarem na testa, no corpo ou na alma...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Desejos de Victor Hugo

Victor Hugo diz tudo que é preciso:
 
"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar."

sexta-feira, 1 de julho de 2011

é tão bonito...



Caminhos do CoraçãoGonzaguinha
Composição: Gonzaguinha

Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz

Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto prá dormir e sonhar

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar

É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

domingo, 26 de junho de 2011

Pátio

Hoje sei de onde vim e quanto fui moldada na minha primeira casa,nos detalhes, fui tramada junto aos crochês dos panos de prato,temperada com gostos e cheiros, sei o quanto me senti nutrida e tantas vezes não, calada e estimulada, amada e esquecida, o quanto subi nas árvores e em alguns muros, aprendendo o que posso, o que consigo ou não, testando minha capacidade de escalar perigos e obstáculos, fui esculpida nos barros que pisei com os pés descalços, minhas alegrias e tristezas partem dessa vertente...é de lá que brotou toda a água, se ela permanece limpa, se ela virou rio, se ela secou ou fez enchente...é minha parte da história, é o meu enredo, é a minha capacidade de sair de casa e ainda assim trazê-la dentro...
Algumas peças talvez nunca encaixem e posso ao reescrever ter o ímpeto de mudar o roteiro ou negar a origem da série...mas é lá!

Sonho que amar, seja voltar a brincar no pátio...com aquela leveza, que as tardes risonhas e curiosas seguidas de cafés com leite, me imprimiram como felicidade&paz, ideais que me acalentam desde sempre...desde daquele início onde aprendi a ser, a sentir, a olhar!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Solidão contente... de Ivan Martins

Solidão contente
Ou, o que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas...

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor. Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.


Coluna de IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA

quinta-feira, 16 de junho de 2011

o que é o AMOR???


Inspirada por essa graça de visão do amor de crianças entre 4 e 8 anos, encontrei um poeminha, com a minha definição:

Deu vontade
de te encher de sol
grama beijos passarinhos
vontade de te lambuzar
te adoçar ainda mais
catar e te dar de presente
a felicidade que escondi
vontade de dar certas coisas
que nem sei se tenho ainda
uma certa luz que eu via
um jeito de acreditar
minha gaveta de guardados
minha colção de conchinhas
meu pátio e o esconderijos
até minha "monareta"
eu queria te emprestar


ah,isso tudo me me deu uma saudade de amar assim...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um grito necessário!

Hoje com uma certa dor no peito, resolvi procurar uma emergência, no Mae de Deus. Ficaria umas 3 hs pra receber a avaliação de um clinico, desisti... Procurei o instituto do coração , que por possuir convênio me possibilitou um atendimento um pouquinho mais rápido, com direito a eletrocardiograma e avaliação de um especialista, conclusão: sou uma afortunada e tudo bem com meu coração ... Mas se fosse um problema cardíaco realmente e eu dependesse do SUS??? Triste pais onde educação e saúde não são prioridade máxima. Os gritos de protesto há anos atrás  pediam: Arroz, feijão, saúde, educação ... Acho que precisamos continuar GRITANDO!!!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

um lugar mágico...



Essa musica me levou de volta ao Integria, um lugar mágico que quando conheci assim descrevi:
Visitei um lugar mágico, desses tantos que existem pelo mundo e muitas vezes não enxergamos, por que enxergar exige parar, prestar atenção e mudar a partir de...
Um lugar assim, que me fez carinho com sofás gordos, silêncio, beleza, tranquilidade , comidas feitas na hora, pães quentinhos, mas principalmente um lugar que me abençoou com gente feliz e harmônica, um lugar que tem a missão de nos dar sossego e nos dar tempo e espaço para sermos integrados, o que é difícil e lindo!
O Integria, assim se chama, surgiu como projeto de vida de um casal, o que dá ao contexto, toda uma nova luz e um novo gosto. O casal corre muito, mas dão conta de todos os detalhes e são incansáveis servindo, sorrindo, cantando e tocando violão ao fim do dia...Fito Paez no violão do Esteban e no sorriso da Maria Alice, voltei pra lá nessa musica...saudade daqueles dois que não vejo há tanto tempo e que agora tem dois filhos maravilhosos!

Deu saudade do meu amor Eduardo&Mônica...

Grande sacada da Africa e da Vivo, que me fez lembrar do meu amor Eduardo&Mônica, "e quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão..."

terça-feira, 7 de junho de 2011

Kwaidan número 2 - Paulo Rebêlo

Talvez uma meia dúzia dessas mulheres fantasmas eu nunca mais encontre na vida, sequer sei se ainda estão vivas diante de sumiços repentinos.

Uma outra meia dúzia de fantasmas desapareceu conscientemente, por um motivo ou outro, cada uma com suas razões nem sempre racionais ou explicáveis. Ou simplesmente porque casaram e acham melhor evitar certos encontros.

Em comum, a todas elas, é claro que gostaria de encontrá-las uma vez mais. Não para prosseguir com histórias de um passado tão distante, mas apenas para agradecer o quanto elas nos ensinaram, independentemente do tempo de convívio.

Uma das fantasmas mais doces que conheci, decerto, desapareceu do mesmo jeito que surgiu - do nada, feito aparição - e assim instalou-se na minha memória até hoje.

Ela era piloto em São Paulo, fato que achei exótico e curioso por si só. Tão linda a ponto de me deixar encabulado todas as vezes em que nos encontramos, fosse para tomar um café depois do expediente ou matar a fome nas padarias 24h da paulicéia desvairada.

Por tantas vezes me peguei pensando por que ela perderia tempo, noites assim, com um barrigudinho que mal conhecera, que estava sempre de passagem e, ainda por cima, adorava falar mal da cidade, do quanto preferia ir apenas a trabalho, nunca morar de verdade.

Graças a ela, perdi o medo da turbulência do avião e passei a entender o motivo de tanta gente dizer que helicóptero é um bicho seguro. Mesmo sem (ela) saber, aprendi mais sobre esperanças e frustrações humanas, com ela, do que aprenderia com duzentos livros.

Durante quase um ano, nos encontramos por não mais do que oito vezes. Talvez menos. Ela nunca deu bola alguma, nunca insinuou nada, nunca deu a entender se estava interessada em qualquer coisa que não fosse uma companhia para jantar a qual, eventualmente, teria uma boa história para compartilhar.

Mas também nunca foi objetiva o suficiente para dizer o contrário.

Ciente de minha condição de mero viajante e forasteiro, também nunca sugeri ou insinuei nada. Sobretudo porque na minha cabeça só conseguia pensar na centena de homens cultos e inteligentes que deveriam fazer todos os tipos de convite para uma mulher tão bonita e igualmente inteligente assim.

Nunca houve o passo seguinte. Mesmo depois de horas, de noites inteiras de conversas e frustrações compartilhadas de uma mulher feita que, aos meus olhos, parecia ainda ser uma moça com tanto para descobrir sobre si mesma e sobre o mundo lá fora.

Um belo dia, ela sumiu. Para nunca mais ser encontrada.

Naquele distante ano, cheguei em São Paulo pela décima vez em apenas seis meses e é como se ela nunca tivesse existido.

Durante quase dez anos depois dali, continuei a procurá-la.

O telefone da casa dela disparava e ninguém atendia, nem mesmo algum parente. O celular, desligado ou fora da área de serviço. O e-mail ficou inexistente da noite para o dia. Aquele mesmo endereço de e-mail pelo qual, um mês antes, ela me perguntara em tom de piada e curiosidade: "sabe, outro dia fiquei pensando o seguinte: se eu morresse, como é que você ia ficar sabendo?"

Procurei na lista telefônica e, durante meses a fio, telefonei para quase cem pessoas com o mesmo nome. Durante outro tanto tempo pedi ajuda a Deus (Google) e também nada encontrei.

Na ineficiência de Deus, anos depois surgiu esse capeta do Facebook e tentei negociar. Encontrei mais de 200 pessoas diferentes com o mesmo nome. Cliquei em todas. Pior do que a fila do falido Inamps. Hoje, já passaram de 400.

Cheguei a ir a três delegacias e meia dúzia de cartórios em São Paulo, não cheguei a contar quantas horas passei em cada um, embora sem o menor sucesso porque não tinha o endereço residencial, não tinha o nome completo, não tinha o número do RG ou CPF, não tinha o nome dos pais dela. Aqueles únicos dois nomes, que guardo até hoje, são mais comuns do que imaginei.

No banco de dados da operadora telefônica, o número apareceu como inexistente ou inoperante.

Quando sugeri ao delegado fazer uma descrição para algum especialista desenhar e procurar em algum banco de dados, ele disse que eu estava vendo muito filme americano.

Até hoje, não sei se ela deixou-se levar pela depressão aguda (uma de suas reclamações recorrentes), se fez as malas e foi meditar na Índia, se virou freira, se mudou de nome ou de cidade, se entrou no programa de proteção à testemunha, se virou hippie em Alto Paraíso ou se resolveu casar e ter oito filhos.

Curioso porque minha maior angústia não é apenas saber se está viva ou não. É de lembrar de tantos detalhes e, ao mesmo tempo, não conseguir lembrar quando e onde nos falamos pela última vez.

Porque a última vez nunca é a última. A gente sempre acha que haverá o dia seguinte. E quando não há, deixamos de dormir pensando sobre o quanto teríamos para agradecer, para conversar, para compartilhar.

Um abraço mais apertado, um beijo na testa, um táxi no meio da chuva ou a porta do elevador se fechando. Ou teria sido apenas um "tchau e até a próxima"? Não recordo mais.

Ela simplesmente deixou de existir. Se é que existiu de verdade.


Paulo Rebêlo é jornalista. Site oficial - www.rebelo.org

Ah,essa história me comoveu, eu que sempre torço pelos finais felizes, me impactei com essa historia sem final...e com a constatação bem óbvia de que nunca saberemos qual será a ultima vez, por mais humanamente pretensioso e supostamente contr...oladores de tudo, como bobamente nos julgamos, somos e seremos pra sempre personagens flutuando por aí ao sabor de qualquer possibilidade de encontro e desencontro...simples assim...ps-espero que ela tenha existido.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

aconchego...



domingo perfeito...sol&preguiça curtidos na cama!!!

vida...

ontem vi o Caetano e o Gil falando sobre ser jovem e se tinham saudade ...Caetano disse ter saudade do vigor e da beleza mas o Gil disse que tudo que ele fez e desfez todos esses anos, fizeram dele melhor, mais atento, mais paciente e íntegro...acho que ambos estão certos perdemos e ganhamos com o passar do tempo...e viver é exercitar saudade e desprendimento...

Ciclos da vida...que dizem ser do Charles Chaplin, não acredito, mas compartilho, por que vale a leitura:
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

girinos...

lembrei de uma frase antiga minha:
Ao engolirmos são girinos, só viram sapo, lá dentro!
(do tempo que engoli tantos sapos a ponto de teorizar sobre o tema...)

Trago de volta, só pra lembrar a conclusão...por dentro se misturam com outros guardados e viram monstros maiores...

Burrice armazená-los né?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dificil e fácil assim...

Cena do filme "Como você sabe"

A atriz em plena crise, pergunta ao psiquiatra:"quero saber se há algo geral que vc descobriu ao longo dos anos,que verdadeiramente ajudaria alguém em qualquer situação ?"
A resposta:
"Descubra o que quer e aprenda como pedir."

sábado, 7 de maio de 2011

nada mais pleno...



Depois de gerar e aguardar ansiosa o nascimento, nada mais pleno que amamentar...
Quando eu estava grávida precisei ler muito para sossegar a sensação de que não saberia ser mãe, li de tudo e foi maravilhoso, por que quando a Alice nasceu, eu já me achava capaz, sei que nunca se está totalmente capacitado por que o processo na vida é aprendizado diário, mas sentir-se apto faz vencer o medo e por aí se anda. Movimento!

O mais libertador foi um livro sobre inteligência emocional que me ensinou a não negar emoção, minha filha precisava me reconhecer humana para se identificar comigo, e sendo assim eu poderia e deveria expressar tudo.Cedo aprendi que tentar... saber tudo ou controlar tudo, numa linha super-herói, só nos afastaria, então desde sempre minha filha sabe quando algo me dói, me toca, me emociona, me irrita, o que é muito bom. Clareza!

Ser mãe as vezes é dificil, mas não vivi nada mais compensador!

sábado, 30 de abril de 2011

como é frágil...

Como é frágil... foi essa a conclusão que cheguei ao final do filme A minha versão do amor, e não consegui verbalizar.

Como é frágil! Acordei convicta... Frágil: a vida,o amor, as relações, as pessoas por mais pose de forte carreguem, as palavras, os ouvidos, os corações e as almas. Frágil a saúde, que sem muito aviso, pode nos abandonar e nos deixar desolados.

Não estamos preparados á perdas, de nenhum tipo, nem a grandes reconhecimentos, nem a assumir responsabilidades de um modo geral, podemos sempre culpar: o outro, o estado das coisas, o governo, a meteorologia, os hormônios, o síndico, o tempo, a falta de dinheiro, um alguém alheio... Por que é frágil também nosso autoconhecimento, nossa visão do todo, nossas certezas. E nossa coragem.
E por ser tudo assim tão frágil, qualquer movimento, mínimo que seja, abala a estrutura, cria o desajuste e quando se somam, põem definitivamente tudo abaixo. Amar não é álibi, nem diminui nenhuma culpa ou ato. Sempre tive muita raiva de quem pensa e age assim, supondo que o amor á tudo perdoa.

A soma de fragilidades, melindres e expectativas, tornam as relações, o que há de mais frágil no mundo.

Um descaso ali, uma palavra seca lá adiante, um desconhecimento, um plano não compartilhado e/ou desconsiderado, um silêncio mal interpretado, um desentendimento não superado, “uma mágoa nova vira chaga antiga” como bem disse o Leminski e lá se vão às promessas juradas ao padre, os sonhos tramados nas tardes, lá se vai toda a rima, a admiração e os porquês, nenhuma relação sobrevive sem isso

domingo, 24 de abril de 2011

biografia e amor não revelados...

Minha avó morreu, sem que eu tivesse acesso a toda sua história, minha avó foi uma obra que não consegui apreciar, e digo isso com uma tristeza imensa, por que já não posso abraçá-la, nem beijá-la, nem lhe dar o amor que merecia.

Minha avó precisava ser amada, mas como muitos que não foram bem amados, era uma pessoa difícil, que testava os limite dos afetos, que dizia palavras secas e duras talvez ou por que não aprendeu a adoçá-las ou simplesmente por que precisou ficar amarga pra se defender.

Me lembro criança sem nada saber e sempre ter que deixar a sala quando a conversa era de “gente grande”, cresci nesse “antigamente” onde as famílias guardavam segredos e silenciavam “maus passos”, como eram chamadas paixões avassaladoras, gravidez prematuras, fugas de casa, traições, filhos fora do casamento, casamentos infelizes e outras coisinhas do tipo. E assim nesse jogo de esconde-esconde muitas histórias de bisavôs, avôs, tios e até mesmo de nossos pais ficaram incompletas, quanta incompreensão a partir disso.

Sempre que leio biografias, me reapaixono pelos biografados, me identifico, me aproximo, me sinto cúmplice.

“Homem é tudo igual, homem não presta!” minha avó disse-me um dia, como se ensinasse um mantra perfeitamente embasado em toda a sua história, “o amor é que nem fumaça, sufoca mas passa”, a sua mesma dor ditava, eu imaginava que era uma certa espécie de ódio que ela nutria por mim, que lhe fazia tão ferozmente tentar destruir meus recém descobertos sonhos românticos.

Faltou conhecer a biografia de minha avó, faltou enxergá-la, ouvir de sua dor e compartilhá-la e desarmadamente poder mimá-la e dar o colo que só esperei receber, faltou entender que atrás daquele muxoxo que ela fazia diante das minhas emoções de adolescente, existia muito amor, um amor desajeitado, cuidadoso e grande, alicerçado num medo enorme de me ver sofrer, como ela sofreu um dia, por amar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Depois dos 40- Artur da Tavola

 Coisas que a vida ensina depois dos 40

Amor não se implora, não se pede não se espera...Amor se vive ou não.

Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.

Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.

Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.

As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.

Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.

Água é um santo remédio.

Deus inventou o choro para o homem não explodir.

Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.

Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.

A criatividade caminha junto com a falta de grana.

Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.

Amigos de verdade nunca te abandonam.

O carinho é a melhor arma contra o ódio.

As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.

Há poesia em toda a criação divina.

Deus é o maior poeta de todos os tempos.

A música é a sobremesa da vida.

Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.

Filhos são presentes raros.

De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.

Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves queabrem portas para uma vida melhor.

O amor... Ah, o amor...O amor quebra barreiras, une facções,destrói preconceitos, cura doenças...

Não há vida decente sem amor!

E é certo, quem ama, é muito amado.

E vive a vida mais alegremente...

 © Artur da Távola

segunda-feira, 18 de abril de 2011

ah, a hora da musica lenta...


Eu sou de antigamente e me sinto assim “antiga” quando relembro saudosamente de certos rituais da minha adolescência. Existiam amores platônicos fortíssimos que podiam durar mais de ano, acreditam? Existiam diários registrando esses amores, que tinham até chave. Existia a paquera na frente do colégio, ou flerte pra ser mais exata e totalmente antiquada. Existiam bailes, festas de garagem, luz negra e existia a melhor parte: a hora da música lenta.
A hora da música lenta era a hora mágica onde a aproximação se fazia, onde a paquera do colégio confirmava a escolha. Onde se aproximavam (mas não muito) os corpos, onde se sentia aquele frio na “espinha”, o cheiro e a voz pertinho do ouvido, ai...era a hora que a timidez dos meninos precisava ser vencida, por que eles “tiravam pra dançar”, e muitas vezes era a hora em que era feito o “pedido em namoro”. Esse assunto deve estar soando mentiroso para qualquer pessoa de menos de 20 anos, mas acreditem, era assim mesmo...
Então depois do “pedido” começava o namoro, o acompanhar do colégio até em casa, as mãos dadas, depois o convite para a matine, que era o cinema durante o dia onde “normalmente” acontecia o primeiro beijo, tudo assim, mais lento, mais passo a passo, e acreditem era lindo!

O tempo foi passando, as declarações de amor foram saindo de moda, amor foi sendo considerado brega, tudo necessitava ser rápido, imediato, aí entraram com tudo os “fast-food”, surgiu uma espécie de fast-vida, a música passou a ter uma batida quase cardíaca. Pra tudo parecia muito tarde, nessa “reestruturação” de mundo, muitos valores “bailaram” e música lenta ninguém dança mais!
Eu adoraria que amor não fosse brega, que intimidade fosse coisa natural, que as pessoas dessem tempo para se conhecer, namorar, descobrir afinidades, admirarem-se profundamente (além de “shapes”e silicones). Que sexo fosse conseqüência de se amar (e não sou puritana!!) e que homens e mulheres falassem a mesma língua, que construíssem relações de afeto e não de jogos.
Mas sei que sou romântica e fora-de-moda querendo tudo isso, ás vezes me pego querendo “absurdos” como honestidade, dignidade e confiança no ser humano...estou quase senil!!!
Mas como gosto de acreditar , lanço aqui uma campanha - À VOLTA DA MÚSICA LENTA PRÁ DANÇAR!!! Quem sabe o que um namorinho...um amor de antigamente...uma luz negra...podem desvendar...

domingo, 10 de abril de 2011

com a palavra Monja Coen...

JAPÃO


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me
incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do
povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si
mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e
disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz
de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o
mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos
vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas
nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade,
paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas
passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém
queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas,
alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se
mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e
gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas
necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para
receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos,
roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene
pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de
verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques.
Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que
recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de
kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença.
Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver.
Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar
falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo
minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos
causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus
sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos
cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de
mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a
atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade,
sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas
encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de
resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do
exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias,
helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda
população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que
“somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi
telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da
confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que
não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e
quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo,
tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está
interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de
salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos
na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas
tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades,
vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada
produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma
tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a
paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à
reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de
respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que
acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza
em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a
amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso
dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com
elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a
respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

segunda-feira, 28 de março de 2011

num domingo de outono...

Imagem linda de Luciana Mena Barreto

Domingo de garoa fina, enfrento a minha preguiça e sigo pra um filme do 7º Festival de cinema internacional, o filme que havia me chamado a atenção: “Na companhia de estranhos”. Um drama canadense que mostra uma viagem e um incidente, que estimula as trocas e conversas de oito mulheres estranhas entre si (sete senhoras entre 70 e 80 anos e a condutora do ônibus de trinta e poucos).
Por que o assunto me interessaria? Por que gosto de histórias de vida, gosto de encontros e emoções compartilhadas e suponho que goste de gente, e digo suponho por que tive uma prova quase questionável disso, antes do inicio do filme. Um grupo ruidoso de senhoras, parecendo adolescentes, provavelmente na faixa dos 70-80 anos, sentou na fileira atrás da minha e tagarelavam estridentes e emocionadas sobre uma excursão que fariam em breve. Eu alheia e não conectada com a beleza de se manter a emoção tão em dia, mesmo com o passar dos anos, só pensava: tomara que parem de falar, senão vou me irritar... E já estava assim bem ranzinza e previamente propensa a uma irritação, quando o filme começou e elas foram aos poucos, silenciando.
O que me marcou, foi que passado algumas brincadeiras e risadas onde diziam: Ah, mas essa está pior que nós! Tem problema nos joelhos, olha como caminha... Foram como eu, entrando na história, e mergulhamos todas nas emoções ali compartilhadas.
Um filme bonito, parecendo mais um documentário, com depoimentos tocantes, de vidas que foram marcadas e moldadas, e com o resultado final em balanço.

Como bem disse o Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo, e a vida o que quer de nós é coragem...”

No embrulho vêm um montão de coisas lindas, muitas inesperadas, a maioria sequer planejada, muitas emoções e amizades que vão nos alicerçar, muitas razões para seguirmos firmes, muitas risadas e descargas de ocitocina e serotonina que nos garantirão muitos e novos coloridos, surpresas que nos darão tempero... nosso alimento e matéria-prima, mas junto disso tudo, muita adversidades e incidentes. O que garante que todas as histórias de vida são tocantes, são de luta, de enfrentamento, de queda seguida de reação. Se continuamos aqui, somos todos sobreviventes e, tivemos que nos adaptar a alguma realidade, engolir alguma frustração, abandonar algum sonho, seguir apesar do medo e principalmente fazer um esforço danado para não se abandonar ao ranço, não perder nem a esperança, nem a emoção. Por que a vida gosta de testar nossa resistência e quer ver afinal o quanto aprenderemos nisso tudo.

Fiquei tentando me projetar anos adiante, imaginar que personagem parecia comigo, foi um exercício interessante, porque obviamente percebi que tenho muito que mudar e aprender se não quiser me tornar uma senhorinha chata e intransigente. O que comprova minha irritação no inicio do filme, é que preciso urgentemente testar minha flexibilidade e tolerância, conviver com a diferença sem um olhar ou postura crítica, reconhecer e apreciar a emoção alheia e permitir que me toque.

Ali no escuro e ao final enfrentando a chuva da saída, tive que reconhecer o quanto é uma questão de postura. Se todas as historias em absoluto tem durezas e aconchegos, em que lembranças eu pretendo me apegar?
Qual postura eu terei na velhice: divertida ou séria, ativa ou apática, leve ou pesada, prática ou acomodada,solitária ou bem acompanhada,saudável ou doente, triste ou feliz? Será que culparei os outros e o tempo ou aceitarei minha responsabilidade?
Envelhecer sem sentir-se vítima do tempo e da vida é uma leveza, um exercício que é necessário aprender.
Somos ensinados a valorizar a ação, a juventude, o vigor e a rapidez, teremos obrigatoriamente que conviver com uma diminuição de ritmo, sem nunca parar, aprender a respeitar os joelhos e o coração, aprender a cultivar prazeres e alegrias possíveis.
É um aprendizado longo, que começa com uma postura de agora, de respeito e reconhecimento ao que somos, de valorização ao que fomos capazes de fazer, ao que conseguimos realizar e manter, a nossa resistência diária, ao cuidado com o nosso “embrulho”.

Sorri ao final, para minhas colegas de sessão e esperei chegar aos 70-80 planejando conhecer novos lugares, com o mesmo deslumbramento delas.

Como eu estava suficientemente sensível e já escolhi o cinema como meu prazer íntimo e pessoal, encarei a chuva e mais uma sessão, seguido de um café gostoso e um olhar menos crítico.
Um jardim não é menos belo no outono, só é diferente. Aprendi no filme seguinte.

sábado, 26 de março de 2011

Um texto antigo...sobre a aniversariante..

Lembrando por que me escolhi Porto Alegre pra morar...

Descobri meu lugar, onde consigo ser todas as outras que me habitam, sem conflito.
Sentindo falta daquela eu interiorana, que como criança, acreditava nas pessoas, nas boas intenções, acreditava em tudo incontestavelmente, saio a me procurar nas ruas da auxiliadora, cumprimento àqueles que ainda sentam nas calçadas, me vejo nas crianças que brincam na rua e prossigo.
Para esquecer de mim, me exilar, caminho na rua da praia, ao meio-dia, sinto a pressa das pessoas, a neurose cronometrada do centro da cidade e sou ninguém tranqüilamente.
Quando romântica, querendo enxergar beleza, sento na beira do Guaíba e vejo ele receber brilhante, o sol que se põe vermelho, para mim e para alguns casais que se beijam e siluetados, viram um só.
Se acordo subitamente comunicativa e quero encontrar e abraçar pessoas, procuro o Bric aos domingos e muito sociável, tomo chimarrão e sou feliz.
Querendo extravasar, xingar, gritar, vibrar, sentindo a força de ser massa, vou à Beira-Rio e sossego o stress me sentindo multidão.
Quando quero me sentir na Europa, caminho entre os plátanos do DMAE da Vinte e Quatro, tomo um café no Teatro São Pedro, passeio da Casa de Cultura, no Margs, me sinto no primeiro mundo e me orgulho.
Para assumir toda a culpa do mundo, encaro as crianças na sinaleira, a falta de perspectiva dos moradores de rua, cada vez em maior numero, me sinto impotente e enfraqueço.
Quando preciso natureza, caminho no Morro do Osso ou me permito uma sombra no Parque da Redenção e viro árvore, vento.
Para sentir a leveza, o descompromisso, a sensação de "beira-mar", passeio por Ipanema, tentando esquecer que poderíamos
andar por ali de biquini e nos refrescar, se não tivéssemos poluído tanto o nosso quase mar.
Ah, e quando eu quero a "boêmia que aqui me tem de regresso", vou pra parte festiva da cidade baixa, e se quero boa música, violões e vozes, é no São Jorge e o Dragão* que ficarei até de madrugada.
É assim, caminhando entre plátanos e jacarandás por tantas ruas mágicas, que vou compondo meus pedaços, vivendo minhas metades, fazendo de Porto Alegre meu ninho&esconderijo.



*O São Jorge fechou, e eu nunca mais encontrei um outro boteco pra chamar de meu...aceito sugestões!!

quinta-feira, 24 de março de 2011

o que será que me dá, me "bole" por dentro...


Não entendo por que, mas essa musica seeeeeeeempre mexeu comigo de um jeito totalmente imprevisto...não é a letra, nem o olhar desafiador do Bowie, acho que são os acordes, causa é uma espécie de desassosego...
Vou colocar aqui no meu "diário" pra sempre voltar e lembrar...é bom ter por perto, musicas que nos toquem, mesmo que sem nenhuma razão aparente...Vai ver é saudade de Marte né?

domingo, 20 de março de 2011

o menino que comia chuva...



Vi um menino tomando banho de chuva, era pouco mais que um bebê, dois anos talvez, estava no colo do pai, que pra tornar o incômodo uma brincadeira dizia bem alto: "Socorro, a chuva está molhando meu filho...Socorro!"
O menino no colo ria muito, lambia a chuva e tinha tal deslumbramento nos olhos, e tanto brilho que fiquei me perguntando: há quanto tempo será que perdi isso? Será que ainda tenho viva essa capacidade de brincar com o imprevisto, de transformar um banho num acontecimento, um colo no melhor lugar do mundo?
Em que momento a mágica capacidade do deslumbramento nos abandona? Ou somos nós, que nesse exercício de gente grande, abrimos mão dela?
Será que só temos essa capacidade nas inaugurações? Seria aquele o primeiro banho de chuva do menino?
Por que as chuvas não mudam, a natureza continua a fazer coisas interessantes: arco-íris, luas enormes ou mínimas, pôr do sol multicolorido, lagartas que viram borboletas, flores, primavera, outono, etc... Isto falando só em fenômenos naturais.
Fora às outras possibilidades de deslumbramentos: palavras que nos interpretam, olhares que se cruzam e param, músicas que nos tocam, arrepios e suspiros, toques, abraços, beijos, etc...
Será que com o tempo, perdemos a capacidade de nos surpreender?
Será que o “correr da vida”, ao nos apresentar surpresas não divertidas, nos cria defesas e olhares opacos?
Será que os exercícios adultos, de pressa, urgência, seriedade e maturidade, nos paralisam?
Será que ficamos tão bestas, a ponto de considerarmos besteira, rir por encantos passageiros?
Vendo aquela alegria brilhante do menino senti uma vontade enorme de também comer chuva e brindar com ele, essa capacidade sábia, que as crianças tem e alguns adultos não abandonam; de curtir o que a vida oferece, pra ser feliz!
Deslumbrante...Cada dia que nasce sempre é...O resto do dia é o que fazemos dele...
Eu quis como o menino, aprender a curtir tudo, rir aberto, provar e lamber as oportunidades.
Viver e ser feliz depois disso, me pareceu uma escolha simples, estar na chuva pra se molhar!

sexta-feira, 11 de março de 2011

ação e reação

"...O pensamento indígena conclui que, tendo outrora sido humanos, os animais e outros seres do cosmo continuam a ser humanos, mesmo que de modo não evidente.
Se tudo é humano, nós não somos especiais; esse é o ponto...E, ao mesmo tempo , se tudo é humano, cuidado com o que você faz, por que, quando corta uma árvore ou mata um bicho, você não está simplesmente movendo particulas de matérias de um lado para o outro, você está tratando com gente que tem memória..."se vinga, contra-ataca, e assim por diante. Como tudo é humano, tudo tem ouvidos, todas as ações têm consequência
"
Parte da entrevista pra Cult do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e que lembrei ao ver as cenas tristes no Japão...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Até quando?

Nos últimos dias um número absurdo de pessoas conhecidas, foi assaltada, os assaltos são variados nos formatos, mas em todos os bandidos estão super bem armados e saem ilesos e impunes, o que com certeza deve gerar a eles uma confortável sensação de liberdade, que nos é negada.

No caso fatal e mais grave nosso amigo Guigo foi abordado e morto na Cristóvão Colombo, muito próximo do local onde dias antes um senhor que aguardava a filha foi morto, ruas escuras, câmeras de vigilância estragadas, policiais desmotivados e sobrecarregados, bandidos cada vez mais seguros de sua impunidade e cada vez mais violentos e a população inteira em um pânico e apreensão como se fossemos todos reféns dessa guerra civil. Essa é a realidade em que estamos mergulhados e eu me pergunto até quando?
Até quando seremos vítimas e não cidadãos com o direito de ir e vir assegurado, com o direito da segurança de nossas casas assegurado, com a tranqüilidade de deixarmos nossos filhos viverem sem susto e sem nosso constante medo?

Em um caso assustador nosso vizinho teve seu carro levado por um bandido a mão armada, em plena luz do dia, 10 horas da manhã, na mesma rua tempos antes uma mãe sofreu a mesma ação e só foi permitido que tirasse o filho ainda bebê do assento, isso às 15 hs, muitos outros casos que não citarei, mas que podem atestar o quão perigosa está a rua Mata Bacelar, quase esquina com a Nova York o lugar que infelizmente escolhi morar e ter meu próprio negócio, o que me faz pensar até quando terei saúde psíquica e força pra permanecer.
A rua que sempre foi aprazível e tranqüila hoje se tornou palco de crimes constantes, sob a total inoperância e impotência nossa e da brigada militar, que sempre chega atrasada de mais para qualquer ação e ainda se ofende quando assustados, ligamos mais uma vez. Eles sempre se confessam desaparelhados, com viaturas sucateadas e numero de pessoal em numero insuficiente.

Mas este não é em absoluto um caso isolado, minha sócia teve a casa saqueada as 11 horas da manhã, tendo os bandidos levado TV , computador, todos os demais eletrodomésticos, malas recheadas de roupas e todos objetos de valor que conseguiram carregar, em plena rua 24 de outubro.
Nossa vizinha teve na rua Nova York igualmente a casa saqueada entre o horário do almoço e o final do expediente por bandidos muito “especializados” que entraram no prédio com chaves e igualmente no apartamento, sem serem notados e sem fazer barulho e alarde, usando chaves “micha” ou qualquer coisa que o valha.
Outra amiga em outro ponto da cidade, Ipanema ficou do meio-dia até a noite trancada em um banheiro com o filho enquanto sua casa era literalmente limpa pelos bandidos.
Um casal de conhecidos acompanhado dos filhos teve carro levado e toda uma ameaça de armas apontadas pras cabeças, em outro ponto.
Uma amiga, próximo do shopping Iguatemi, teve um fim mais assustador sendo baleada e padecendo até agora com as conseqüências dessa violência.

Poderia ficar aqui citando casos e mais casos, onde infelizmente somos obrigados, graças a exemplos como o de vítimas fatais ou de graves prejuízos fisicos, agradecer por termos sido “somente furtados”, em comentários lamentáveis gerados pela impotência: "graças a Deus só levaram o carro, todos os documentos e nossos celulares...ou só conseguiram retirar o limite permitido pelo caixa eletrônico... Graças a Deus não estávamos em casa... Graças a Deus não estávamos com as crianças.. etc."

Ontem os assaltados fomos nós, com direito a bandidos truculentos muito bem armados, que seguem impunes, na mesma esquina fatídica da Mata Bacelar com a Nova York, que apesar do numero crescente de vitimas, continua escura e sem nenhuma vigilância.
Venho aqui perguntar até quando seremos vítimas? Até quando a segurança publica será tratada com descaso e a irresponsabilidade que temos visto? Até quando teremos que viver com medo, espiando pelas janelas e medindo nossos passos? Quantas mortes serão necessárias para que ações mais efetivas sejam tomadas? Será preciso que as autoridades maiores sejam vítimas da violência e sintam na carne o pânico e a impotência para que algo efetivamente seja feito? Por que assim como no Rio não formamos força tarefa? Quem pode nos salvar? Quem pode nos libertar das nossas prisões domiciliares? Quem pode nos garantir uma vida decente, digna e sem medo?

Por que depois de sábado, mais ainda EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA...e viver sem medo!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

minha rua....



Coloco aqui esta foto pra lembrar minha rua banhada de luz, só pra me trazer de volta o por quê de escolhê-la pra viver, pra criar minha filha e pra continuar...
A lembrança de ontem:horror,impotência e violência, mesmo que estejam o dia inteiro me assaltando a cabeça, não podem apagar essa força!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Da felicidade...



Aprendi ontem com o Beto Callage: sucesso é ter o que se quer, felicidade é querer o que de tem... Curtindo minha sombra com sossego, bem acompanhada com meu livro...felicidade simples e acessível!

domingo, 23 de janeiro de 2011

órgãos silenciosos...

Dia desses nessas fotos do tunel do tempo que vez ou outra aparecem no facebook, fui brindada com uma lembrança: bebíamos, “há mil anos atrás”, vinho de garrafão...Até comentei: era um tempo abençoado onde nem lembrávamos de ter fígado...e isso ficou batucando na minha cabeça.
O fato é que antes, todos os nossos órgãos eram silenciosos, funcionávamos, com pouquissimo sono, comíamos X com ovo, cachorro quente , frituras, carreteiro com sobras de churrasco e outras encrencas, na madrugada ou no raiar do dia, tomávamos vinhos baratos de garrafão, cervejas ao sol, e nada de fígado, nada de estômago, nada de cabeça doer, simplesmente a maquininha funcionava silenciosa e lindamente ... Os olhos também enxergavam longe e perto sem nenhuma lente auxiliar, as pernas dançavam e se enredavam noites inteiras sem nenhum dorzinha muscular, mal sabíamos da existência de um tal “nervo ciático”e nem nas aulas de biologia ligávamos pra taxas de colesterol, triglicerídeos, glicose, enfim...a vida era uma festa, sem hora nem dor pra atrapalhar... Ah, tinhamos vez ou outra umas palpitações e umas borboletas no estômagos, uns choros urgentes, mas era só o musculo do coração em pleno estado de paixão, amores sempre foram bem vindos, e dessas dores nem convém reclamar... Confesso que senti saudade desse silêncio de órgãos e dessa festa, que felizmente vivi...plenamente.
Mas aí, mais adiante, no mesmo facebook, uma amiga menina, que deveria estar em plena festa de idade escreveu: “Preciso de algo que me tranquilize e me deixe feliz!!”

Putz, como um porre de vinho que se quer esquecer, (mais tarde tive essa experiência inesquecível), lá fui eu lembrar o quanto esse é o caminho mais curto pra ficar triste, e o quanto eu fui triste e um peso, lá atrás, ao esperar que alguém me fizesse feliz e me tranquilizasse, lembro bem que na idade que ela está, esse algo é igual a alguém...
Ah, mas é dar muita responsabilidade e poder aos outros esperar que a felicidade venha de fora, e lá pelos 25 – 30 anos, os órgãos ainda estão silenciosos, mas a gente resolve dar ouvidos a cultura boba e casamenteira, e sem questionar muito, já imagina que está quase na hora, ou até que já está tarde, pra ter uma relação, que vire vínculo, que vire nucleo e que dê sentido e gere um filho...No tempo do vinho de garrafão, ao menos comigo, foi assim...

Lembro que defini essa fase numa frase: "ando me buscando em bocas e braços alheios" e foi um péssimo momento, onde estive sujeita as piores escolhas...mas felizmente passa, “mas tudo passa, tudo passará, e nada fica , nada ficará” , alguém lá do outro tempo, deve lembrar assim como eu, o Nelson Ned cantar isso...passa mesmo.
Fico feliz que tenha passado e posso mesmo suspirar aliviada, que o custo dessas vivências se resuma a órgãos que subitamente se façam presentes, a cuidados maiores com o que venha ingerir e o grande lucro: uma tranquilidade e uma paz só minha, de dentro, de aceitação, de não urgência, de talvez sabedoria...
Já não enxergo perto nem longe sem a ajuda luxuosa de um óculos, mas me sei por dentro, me reconheço, me aceito, posso mesmo dizer me amo e sei bem o tanto de bem que mereço, e isso não tem mastercard que compre...é uma felicidade simples e particular...
Ter vivido pra descobrir isso, ter tido minha filha bem depois dessa urgencia boba dos 20 e poucos anos e principalmente poder me permitir escolher e ter o que melhor me faça, merece um brinde com Freixenet ou um carmenere da melhor safra...
Um brinde ao aprendizado , um brinde ao silêncio acalentador da alma!

Ps- certa vez perguntaram ao Paulo Autran se envelhecer era bom, ao que ele respondeu: “é maravilhoso, considerando a outra opção”... Essa é a sabedoria, aproveitar a oportunidade de viver e aprender, sempre!