domingo, 13 de junho de 2010

pra lembrar de um amor bom...


Em tempos de amor, relembro uma história antiga e todos os seus significados, amor bom tem que ser acolhedor, tem que ser lotado de admiração e cuidado, um amor bom deve nos fazer melhores...um viva aos amores assim!

Tive um amor especial, com quem compartilhei momentos únicos, com quem não temi a tal intimidade, quis com ele fazer horta, dividir casa, cozinhávamos juntos, fazíamos pão (foi ele quem me ensinou), colocávamos a mesa na rua e comíamos embaixo da lua, com luz de velas, ás vezes fazíamos baile e dançávamos na sala, desde imitações cômicas de John Travolta nos embalos de sábado à noite até musicas muito lentas e perfeitas pra namorar, conversávamos muito até quase amanhecer ás vezes, e compartilhávamos emoção e lágrima quando elas vinham, ríamos juntos, admirávamos mutuamente e vibrávamos com cada conquista de um e outro, enfim um amor dos bons, e falo isso não só por saudade, mesmo que ela venha ás vezes, mas para me lembrar como um amor deve ser: cúmplice, feliz, saudável e lúdico.
Fazia parte do nosso amor bom, ouvirmos de verdade, e isso pode soar meio artificial ou com ares de idealidade, mas posso exemplificar: se ao conversarmos com alguém ouvirmos, o quanto gostava de um tal doce de leite vindo do Uruguai, que comia na infância, esse detalhe ficará armazenado e será lembrado se um dia formos ao Uruguai ou se nos depararmos com um doce de leite, entendem? Vamos querer e poder dar de presente esse pedacinho de infância, que nos foi confidenciado. Simples assim!
Era assim que em tardes de astral baixo (que eram reconhecidas em simples telefonemas, também faz parte do bom amor reconhecer quando um carinho extra se faz necessário) eu recebia visitas surpresas dele com “tijolinhos”, balas de bananas, ofertas de massagem nos pés, chás e bolos, flores colhidas ao acaso, lembranças, etc...
Foi assim que no jardim do meu prédio, bem debaixo da minha janela, ele plantou um jasmim, por que num determinado dia contei o quanto caminhava e modificava caminhos para sentir aquele cheiro, quando era adolescente, lá em outra cidade. Ele lembrou e quis me dar aquele perfume de presente todo dia e um pouquinho de adolescência, o que é sempre bom.
O amor não pode continuar, nunca mais nos vimos, por garantia e pra me preservar de ataques súbitos de saudades na madrugada, deletei da agenda todos os telefones de contato, guardei numa pasta bem longe dos olhos alguns tantos e-mails e palavras que trocamos, enfim tentei fechar um pouquinho o coração, porém permanecia lá o jasmim, me olhando e recebendo água sempre que possível, nunca mais deu flor é bem verdade, mas ainda assim era o jasmim e todos seus significados.
E esse é o assunto, que queria contar...
Só ontem, percebi o quanto aquele jasmim, que ainda poderia florescer, era simbolicamente o nosso amor especial e minha esperança.
E percebi isso ontem, por que ao chegar em casa, vi que o jardineiro novo, “organizando” o jardim, arrancou o meu presente, toda e qualquer possibilidade de perfume e novas flores, assim de um dia pro outro, não tenho mais...
Talvez essa história tão minha, não lhes diga nada, mas preciso contá-la para lembrá-los como um amor bom é fácil e simples de cultivar.
Se um único amor, brotar a partir desse exemplo, vou sentir cheiro de jasmim no ar. Assim de uma outra forma, além das boas lembranças, permaneceremos eternos.

Que a eternidade do amor é assim...

Um comentário:

Luciane Slomka disse...

como é bom ter amores a lembrar, como é bom ter a capacidade de amar e depois mais amar...

Beijão querida|!

P.S. Vamos fazer mesmo esse quentão, hein?