domingo, 21 de março de 2010

Dia mundial da poesia...

como eu era mais poética antigamente, vou catar poesias de antes pra homenagear o dia...
poesia de amor feliz:
um amor qualquer que seja
distante, platônico, impossível
pouco importa sendo amor
sendo luz, sendo alegria
dá beleza, acende os olhos
dá força pro braço, pro abraço
dá ilusão, dá fantasia
dá vontade de crescer
dá suspiros, faz poesia
um amor aumenta o dia
faz a noite iluminar
o amor é sempre grande
sempre forte, o primeiro!
limpa o medo, lava a alma
e refaz a esperança
o amor nos faz criança
nos lambuza, nos adoça
nos faz correr e brincar
tropeçar e cair
e voltar a caminhar...
poucos respiram esses ares
de amor sem rima triste
mas eu que amo igual criança
sei que amor feliz existe!

de amor acabando:
antes deitava
e acordava feliz
fazia poesia
e viva, vibrava

agora me deito
e acordo cansada
o corpo estirado
não faz mais sentido
o beijo... (ah, o beijo)
só une até a boca
a mão faz de tudo
por pura experiência
e o coração torto
só bate impaciência

queria a poesia
a vida vibrando
queria o amor
que noite após noite
vem me abandonando...

de adeus:
eu vou te dar um beijo
e dizer tchau
porque nós somos isso
um beijo na boca partindo
um quase amor, indo embora
um adeus dado ao avião
pra toda e qualquer janela
beijos e tchaus ao vento...

de esperança:
houve um tempo
em que eu infinita
brincava na chuva
sem medo nem gripe
com as bolitas
brilhando nos olhos
fazia arco-íris

de desesperança:
como
joão e maria
nos perdemos

fomos
nos
largando
no caminho

como
se houvesse
um jeito
de voltar

até
percebermos
gastos

que não há

poesia de poesia:
A poesia
É uma espécie
De parto
É preciso despertar o sentimento
Disforme de dentro
Tratá-lo com o cuidado
Que se dedica a um filho
Dar abrigo, uma roupagem nova
O sentimento, dentro, está despido
Parece e sempre é
mais frio lá fora
Combinamos as peças, as cores
Caprichamos no penteado
abrimos a janela
E vai o sentimento
Vestido de palavras
Personalizado e livre
vira voador
e ganha o céu...
por isso lá de longe
contraluz
nem parece mais nos pertencer
tão maior que seu casulo...

Um dia senti que as emoções
nunca cabem inteiras nos poemas que inspiram
como as palavras não cabem nos gemidos
silenciei...

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