terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Houve uma vez um verão...


Quando eu era bem pequena lembro que fomos á Cidreira, saímos de Itaqui no fusca branco do meu pai; minha memória é repetitiva e viciada, só lembro que meu pai tinha um fusca branco, mesmo que ele tenha tido outros carros, foi o carro que ficou.
Assim como Cidreira o primeiro mar que vi de perto, ficou por muito tempo "a praia", a cara do verão, o hotel Farol e todos os rituais diversos do nosso dia-a-dia: camareiras, lençóis brancos todo dia trocados, cafés de manhã, almoços no restaurante, a cara de férias.
Depois conheci Tramandaí, Capão da Canoa, Torres e só bem mais tarde Santa Catarina e o nordeste, etc. Parei pra pensar nisso lendo o Carpinejar que fala da feiúra do nosso litoral, e é feinho mesmo, a natureza é econômica, sem baías e diferenças, tem água marrom, ás vezes um vento danado que dói ao bater nas pernas e faz voar guarda-sol, não tem a água morninha que já senti por aí, enfim perde na comparação.
A comparação é inevitável quando se amplia o olhar, mas eu jamais posso desprezar tudo que senti e curti em todos os verões que vivi por aqui.
Como a emoção do primeiro olhar quando pouco importava a cor e sim o milagre de uma quantidade inexplicável de água que ia e vinha sem parar e aos meus olhos infantis, sem fim.
A delícia de construir castelos de areia e uma inesquecível ilha do amor em Tramandaí, um coração enorme junto com amigos que pareciam pra sempre.
As noites quentes curtidas sem pressa, sorvetes, peixes, camarões, o cheiro de bronzeador, as paqueras, o mini-golfe e as risadas no extinto boliche de Capão, o cheiro dos lençóis recém trocados no hotel, minha família unida curtindo um tempo só nosso, delícias que pra sempre terão o gosto de férias.
Minhas lembranças do nosso litoral são tão leves, coloridas e alegres que subitamente ele fica bonito, talvez não seja bonito o melhor adjetivo, mas a lembrança o deixa íntimo, significativo, deslumbrante a cara do meu primeiro verão em frente ao mar.

E eu sempre poderei dizer como no primeiro filme longa do Jorge Furtado, que também se passa em Cidreira se não me engana (novamente) a memória: "houve uma vez dois verões"... muitos verões, passados por aqui e neles eu sempre fui feliz!

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