terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Papai Noel e outros anjos...

Em dias sombrios eu me sinto cansada de tentar, de esperar e de crer... mas esses dias duram pouco, por que felizmente, tenho anjos protetores fortíssimos, que diferentes de mim, nunca entregam os pontos, nunca desistem de me mostrar uma saída, nunca me deixam por muito tempo mergulhada nessa descrença, nem nessa apatia.

Meus anjos têm mil formas, desde amigos de longa data que desvendam minha dor mesmo sem nenhuma palavra, num olhar, até conhecidos recentes ou mesmo desconhecidos que Deus encarrega de fazer cruzar o meu caminho e de formas muitas vezes sutis, tratam de me acender a luz interna.

Eu andava assim há um tempo, quando minha amiga, me trouxe numa tarde, um bouquet/floral feito especialmente pra mim e minha outra super amiga, marcou um encontro lá no Ramiro D’àvila com uma mesa de pessoas especiais e que com olhares doces me confortaram e com mãos iluminadas me trataram, e assim devidamente cuidada e amada, fui melhorando e enxergando sem nuvens, fui permitindo que meus olhos voltassem a enxergar bonito.

Quando a gente volta a enxergar beleza, tudo cria mais sentido, tudo se encaixa e se ilumina. Tem sido assim, dia a dia sou presenteada com um toque e uma nova razão para crer:
No meio da semana reencontrei um amigo, que me convidou em tom de brincadeira, pra fazer uma foto de Natal, encontramos pessoalmente o bom velhinho, Papai Noel pegou minha mão e me contou a alegria que é, há mais de 20 anos, conviver com sonhos, me disse: “Este ano a mais novinha tinha 18 dias e a maiorzinha tinha 84, e sabe o que ela me pediu? Um companheiro, por que está cansada de ser sozinha... A esperança não deve morrer nunca, minha filha!”, me disse sorrindo. Depois me contou que dia desses, recebeu uma criança tão triste que parecia que nada do que ele falasse ou fizesse pudesse alegrá-la, mas tentou e fez a pergunta clássica: “O que o Papai Noel aqui pode te dar?”Ao que ela com olhos profundos pediu: “Traz minha mãe de volta...” Ele me contou que a resposta veio rápida, como se ditada: “Esse assunto é com o outro Papai, o do céu, e ele não traz ninguém de volta, mas sempre, sempre mesmo, quando leva alguém, encarrega que uma pessoa bem legal daqui venha pra cuidar de quem ficou, tu vai ver logo, logo vai aparecer alguém muito especial na vida tua e do papai”... A criança abraçou-o forte, e acesa a esperança seguiu.

Depois o Orkut me mandou como sorte do dia, a sábia frase do Chico Xavier: “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim"...

No domingo cinza recebi e compartilhei um clipe bonito do Seu Jorge, me lembrando que não podemos viver em vão, e mostrando cenas suaves de lágrimas que se convertem em um encontro/abraço com direito a brilho nos olhos e sorriso de plenitude que me reforçaram que tudo é possível.

Mais tarde uma amiga postou no facebook um selo que dizia: SOU DO BEM, SEJA TAMBÉM! Uma espécie de campanha que estimulava tratar os outros como gostariamos de ser tratados, lembrando como é simples viver direito e ser melhor, e o quanto somos responsáveis: “A pedra que atiramos ou a palavra que proferimos nos volta, hora ou outra, com igual intensidade.("É Bom ser do Bem").

No fim do dia um casal que andava na minha frente, empurrando um carrinho de bebê, subiamente param e se dão um lindo e caloroso beijo na boca, um gesto gratuito e doce, que me garantiu a certeza de que é assim que deve ser.

Na segunda de manhã um conhecido me contou que faz um trabalho com grupos de pré-adolescentes: “Aprendem muito, mas principalmente aprendem a se relacionar com os colegas, se socializarem e virarem gente do bem.” E me pareceu tão satisfeito nessa tarefa, que me emocionou.

Em épocas como essa, os anjos tem trabalho intensificado, os finais de ciclo, podem e sempre tem muita carga: expectativas não cumpridas, palavras não ditas, desencontros, mágoas, perdas, tudo se intensifica, as saudades dos que foram antes aperta mais fundo, as solidões parecem mais pesadas de carregar, mas os anjos em suas diversas formas estão por aí, basta um olhar generoso e atento para percebermos, com o devido cuidado e usando todos os meios: mandam e-mails, tem facebook, Orkut, twitter, andam de ônibus, lotação, passeiam nas ruas, sorriem de graça, trocam gentilezas, se vestem de Papai Noel, fazem mutirões, doam, compartilham, se sensibilizam, abraçam, olham nos olhos, dão as mãos, e assim fazem o necessário para renovar o estoque de força e luz.

Eu volto a lembrar Manoel do Barros: "A importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós" e me sinto encantada, com tantos movimentos pro bem, com tantas luzes acesas, com tanta possibilidade de entendimento e melhoria.

Tenho certeza que é assim, repleto de encantamento, sentido e esperança que o Natal e todos os dias 2011 devem ser... Acreditem e aproveitem a grande oportunidade que é estar aqui! Comecem de novo logo adiante, mas nunca desistam de tentar.

Não podemos viver em vão e não estamos sós...

sábado, 27 de novembro de 2010

I will survive..



Sempre adorei essa musica, mas ela surgiu antigamente, onde mulher só dançava, se fosse tirada pra dançar,um tormento pra mim que sempre adorei dançar e nem sempre fui "tirada". Tempo bem passado, graças a Deus!!!
Numa "boate" do Tênis em Santa Maria,clube onde passei minha adolescencia, ouvi osprimeirosacordes da musicaecomo querendo facilitar,fiquei de pé,na base da pista, esperando um par...um grupinho grande se acotovelava por ali,provavelmente na mesma espera,,eis que um "moço" tocou no meu ombro e fez um sinal com a mão mostrando a pista..uhuuuuuu, foi a glória, já sai dançando, feliz da vida...quando cheguei ao centro da pista e virei, cadê o meu par? Eu ali sozinha percebi que o "moço" que já ia longe, só queria passagem... Foi assimque diante da constatação e da musica alta e linda, resolvi que ela merecia ser dançada atá o final, me libertei mesmo que não propositalmente da obrigatoriedade de ter um par pra dançar, e foi um momento lindo, inesquecivel,por que eu sobrevivi! E eu sobrevivi mesmo, e mais que isso, virei um ser independente graças a Gloria Gaynor...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viver: optar

Grande e inspiradora Val me trazendo de volta esse texto sábio do Carlos Drummond de Andrade

"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentiment intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:
Se iludindow menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drummond de Andrade

 




 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ouvindo essa musica..

Senti uma baita saudade das cartas e dos amores que pareciam enooooormes assim, naquele tempo onde o Roberto Carlos escreveu essa preciosidade que agora a Marisa Monte revisita...linda!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O buraco no muro...



Hoje pela manhã recebi um texto sobre a importância de se ter atitudes, que por mínimas que sejam podem sempre transformar e mexer a estrutura do mundo, e logo após por que a vida é lindamente sincronica, tenho acesso a esse video, e tive a certeza de que sim, são atitudes como essa, que podem transformar pessoas e fazer a internet não num futil e colorido monstro, mas num espaço de ação e de divulgação do melhor que todos nós como humanos podemos ser.
Como dizia uma propaganda do Gelol...não basta ser....., tem que participar...Não basta ser humano...tem que participar e espalhar humanidades...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

noutra vida...

A Carmen dona Ervilha pede nossa confissão, que outro personagem nos imaginamos na vida, me ponho a pensar...
ah, tá bom eu confesso,queria ser cantora de cabaret assim mesmo com T no final e em algum tempo e espaço remoto, dessas que arrancam suspiros, por que reprisam as dores mais sentidas de cotovelo.
No meu devaneio eu não sou bonita, decididamente , sou bem mais velha, marcada de amores e da noite, talvez fume (por que cigarro combina com o personagem, lotada de solidão, mágoa e pesar),sempre visto vermelho e preto e emociono, por que a minha voz rouca canta a minha própria dor, e como a Elis eu fatalmente choro, toda noite...

Por outro lado, também sou uma voluntária na Africa, curando dores, alimentando e abraçando aqueles pequenos que choram sem consolo, e gosto mais dessa outra Nádia mais generosa e nada egoísta que acabo de inventar...
Por que será que as minhas personagens tem tanta lágrima ou por dentro ou para consolar nos demais?

Talvez a Simone minha grande amiga e terapeuta floral tenha razão e a minha rinite seja um acumulo de lágrimas não choradas ou de dores que vejo por aí empaticamente preciso chorar junto...

por que ser jovem é estar presente!

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

a casa é nossa!


“Se sua vida não é feliz, então, saiba que você está vivendo da maneira errada. O sofrimento é o critério de se estar errado; e a felicidade é o critério de se estar certo – não há nenhum outro critério”.(Osho)

Chique mesmo é ser FELIZ!

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto.
E algumas boas coisas da
vida, infelizmente, não estão à venda.
Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo.
Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens,
mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas,
nem procurar saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre
É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar,na mesma forma de energia.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar
e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.


Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Chique mesmo é ser feliz!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas amor e fé nos tornam humanos! "

compartilho com vocês sábias palavras de GLORIA KALIL

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

a falta que faz essa dose de indignação...

'Há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca" (Darcy Ribeiro)



"Fracassei em tudo que tentei na vida,tentei alfabetizar as crianças brasileiras não consegui, tentei salvar os índios, não consegui; tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias... eu detestaria estar no lugar de quem me venceu." (Darcy Ribeiro)

"O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos. Cresceu mal, porém. Cresceu
como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula
são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da
pobreza na província mais bela da terra. Sendo assim, no Brasil do futuro, a
maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal,
enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis
campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado.
Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em
nós... A nossa conivência culposa."

Triste país que a tudo vê com apatia...

domingo, 24 de outubro de 2010

os filhos e as reprises

Os filhos são nossa oportunidade de reprisar a vida e as emoções, que aprendemos a nomear e ate nos afastar por precaução, voltam insanas na vontade de protegê-los...e de novo somos impotentes, a vida sempre morde!
Espiem de onde saiu essa minha sensação, ba coluna de Rogerio Pereira no site Vida Breve.

domingo, 17 de outubro de 2010

por que voar é preciso...




Lá no pátio da casa da minha vó Alice em Itaqui, onde habitam quase todas as minhas lembranças de infância, comi bergamotas, morangos com um gosto inesquecível, laranjas de umbigo e ameixas amarelas, mas nunca, nunca mesmo consegui fazer minhas pandorgas ganharem o ar, mas sempre fiquei fascinada pelas cores ganhando vida, voadoras, plenas. Lá aprendi que o vento ajuda a levantar vôo ou pode jogar violentamente no chão e destroçar o trabalho de uma tarde inteira, mas nunca deixei de tentar...espero nunca deixar de acreditar que voar é preciso e me fascinar por essa possibilidade de estar no ar...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

meu pai...

Meu pai me ensinou a ser ética e humana, a ser irônica e rir e fazer piada até dos meus próprios tropeços, a ser forte, mesmo que para isso precisasse encobrir medo e fragilidade, me deu amor, carinho e certeza de que eu conseguiria andar e voar, e que sempre teria um ninho pra voltar. Ouvi uma frase muito significativa dele há muito tempo atrás: “Com tanta coisa boa pra herdar, tu foi herdar logo meu orgulho!” É essa sabedoria de me auto-reconhecer que eu espero atingir um dia, e claro ter a capacidade amorosa, presente e especial de deixar a minha filha voar e poder sempre contar comigo, como ele me ensinou. Amor é isso!
Hoje faz um ano que meu pai se foi...e eu preciso agradecer a oportunidade de ter sido filha dele, diariamente...

e sinto uma falta sem fim de poder abraçá-lo...

domingo, 3 de outubro de 2010

a trilha sonora do dia...



A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente...

Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!

A gente faz carro
E não sabe guiar
A gente faz trilho
E não tem trem prá botar
A gente faz filho
E não consegue criar
A gente pede grana
E não consegue pagar...

Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!

Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!

A gente faz música
E não consegue gravar
A gente escreve livro
E não consegue publicar
A gente escreve peça
E não consegue encenar
A gente joga bola
E não consegue ganhar...

Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
Inútil!
Inútil!
Inú! Inú! Inú...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Porque eu voto na Marina...

Eu votei no PT por anos, balançava e desfilava meu vestido e bandeira vermelhos pelo bric em campanha aberta e na primeira vez que o Lula vitorioso subiu a rampa do planalto chorei, minha filha quase bebê frequentava comicios a tal ponto que um dia ao ser servida num buffet me disse que queria:Arroz, feijão,saude e educação.

Eu acreditei na força, acreditei na mudança, acreditei na diferença. Aplaudi alguns feitos e algumas vitórias, até que desacreditei e vi vexada a repetição dos atos ilicitos que bradávamos contra, todos os conchavos, os acordos, os altos valores por traz dos acordos, mil desencantos até o recente episódio que gerou a demissão da então braço direito da Dilma. E que ninguém sabe ou vê. Cegueira voluntária.

Eu voto na Marina, por que minha filha hoje tem 13 anos e eu quero que ela entenda, que além se arroz, feijão, saúde e educação, um país precisa ter ética e uma atitude coerente decente e sem conchavos.

Eu voto na Marina, por que assim como o Jabor na coluna do Estadão...

ISTO ME ASSUSTA MUITO!

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

Estamos vivendo um momento grave de nossa história política em que aparecem dois tumores gêmeos de nossa doença: a união da direita do atraso com a esquerda do atraso.
O Brasil está entregue à manipulação pelo governo das denúncias,provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública, tapando a verdade de qualquer jeito para uma espécie de "tomada do poder". Isso; porque não se trata de um nome por outro -a idéia é mudar o Estado por dentro.
Tudo bem: muitos intelectuais têm todo o direito de acreditar nisso.
Podem votar em quem quiserem. Democracia é assim.
Mas, e os intelectuais que discordam e estão calados? Muitos que sempre idealizaram o PT e se decepcionaram estão quietinhos com vergonha de falar. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas.
Há também a inércia dos "latifúndios intelectuais". Muitos acadêmicos se agarram em feudos teóricos e não ousam mudá-los. Uns são benjaminianos, outros hegelianos,mestres que justificam seus salários e status e, por isso, não podem "esquecer um pouco do que escreveram" para agir. Mudar é trair... Também não há coragem de admitirem o óbvio: o socialismo real fracassou. Seria uma heresia, seriam chamados de "revisionistas", como se tocassem na virgindade de Nossa Senhora.
O mito da revolução sagrada é muito grande entre nós, com o voluntarismo e o populismo antidemocrático. E não abrem mão de utopias - o presente é chato, preferem o futuro imaginário. Diante de Lula, o símbolo do "povo que subiu na vida", eles capitulam. Fácil era esculhambar FHC. Mas, como espinafrar um ex-operário? É tabu.
Tragicamente, nossos pobres são fracos, doentes, ignorantes e não são a força da natureza, como eles acham. Precisam de ajuda, educação, crescimento para empregos, para além do Bolsa-Família. Quem tem peito de admitir isso? É certo que já houve um manifesto de homens sérios outro dia; mas faltam muitos que sabem (mas não dizem) que reformas políticas e econômicas seriam muito mais progressistas que velhas
idéias generalistas, sobre o "todo, a luta de classes, a História".
Mas eles não abrem mão dessa elegância ridícula e antiga. Não conseguem substituir um discurso épico por um mais realista. Preferem a paz de suas apostilas encardidas.
Não conseguem pensar em Weber em vez de Marx, em Sérgio Buarque em vez de Florestan Fernandes, em Tocqueville em vez de Gramsci.
A explicação desta afasia e desta fixação num marxismo-leninismo tardio é muito bem analisada em dois livros recentemente publicados: Passado Imperfeito, do Tony Judt (que acaba de morrer), e o livro de Jorge Caldeira História do Brasil com Empreendedores (Editora Companhia da Letras e Mameluco). Ali, vemos como a base de uma ideologia que persiste até hoje vem de ecos do "Front Populaire" da França nos anos 30, pautando as ideias de Caio Prado Jr. e deflagrando o marxismo obrigatório na Europa de 45 até 56. Os dois livros dialogam e mostram como persiste entre nós este sarapatel de teses: leninismo, getulismo desenvolvimentista - e agora, possível "chavismo cordial".

A agenda óbvia para melhorar o Brasil é consenso entre grandes cientistas sociais. Vários "prêmios Nobel" concordam com os pontos essenciais das reformas políticas e econômicas que fariam o Brasil decolar.

Mas, não; se o PT prevalecer com seu programa não-declarado (o aparente engana...), não teremos nada do que a cultura moderna preconiza.
O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é previsível, é bê-á-bá em ciência política. O PT, que usou os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou, ousa dizer que "estabilizou" a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que
agora apregoa como atos "seus". Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

Lula topa tudo para eleger seu clone que guardará a cadeira até 2014. Se eleito, as chamadas "forças populares", que ocupam mais de 100 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas "boquinhas", através de providências burocráticas de legitimação.

Os sinais estão claros.
As Agências Reguladoras serão assassinadas.
O Banco Central poderá perder a mínima autonomia se dirigentes petistas (que já rosnam) conseguirem anular Antonio Palocci, um dos poucos homens cultos e sensatos do partido.
Qualquer privatização essencial, como a do IRB, por exemplo, ou dos Correios (a gruta da eterna depravação), será esquecida.
A reforma da Previdência "não é necessária" - já dizem eles -, pois os "neoliberais exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento.
A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada.
Os gastos públicos aumentarão, pois como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".

Portanto, nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.

Voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura, como já anunciam, nos obrigando a uma profecia auto-realizável.
Leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já fez com seus desmandos de cabo eleitoral da Dilma ou com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.

Lula sempre se disse "igual" a nós ou ao "povo", mas sempre do alto de uma "superioridade" mágica, como se ele estivesse "fora da política",como se a origem e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior.
Em um debate com Alckmin (lembram?), quando o tucano perguntou a Lula ao vivo de onde vinha o dinheiro dos aloprados, ouviu-se um "ohhhh!...." escandalizado entre eleitores, como se fosse um sacrilégio contra a santidade do operário "puro".

Vou guardar este artigo como um registro em cartório. Não é uma profecia; é o óbvio. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: "Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado!"...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

cérebro feminino x cérebro masculino

Nossa é assim mesmo...simples e complicado desse jeito...cérebros diferentes tentando alguma conexão...dãaaaaa nem sempre se consegue...será que se consegue?



Mais uma contribuição maravilhosa da minha amiga Elisa Oliveira, hoje rimos muito dessa inegável condição, nós somos puro novelo mental e da inveja que temos da tal caixinha de nada.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

um sonho esquisito

Essa noite tive um sonho muito significativo, embora ainda não saque o significado, estava num colegio de freiras e uma madre superiora me mostrava como orientam as crianças, caminhavamos por corredores escuros e com madeira, bem opressores e ela falava de importancias e titulos e eu no meu intimo me perguntava por que ela imagina que isso possa me impressionar? Entramos numa sala de musica ou artes onde um professor dava aula, pararam para me apresentar e o pediram que as crianças explicassem como era estudar ali, e elas falavam feito uns robos sem emoção, aí entra no sonho minha amiga e terapeuta floral, e diz pro professor: Me mostra o melhor e o pior aluno, quero ver as diferenças.
Ele colocou duas crianças a mexer com uns marionetes de fio, bom, ambas enredaram tudo e foram duramente criticadas e acordei.
Não sei bem o que meu inconsciente quis me dizer mas terei que pensar...talvez e tomara que assim seja, queira me dizer que o rigor foi aprendido e que tanto o "melhor "quanto o "pior" aluno vai ter dificuldades e que talvez seja prciso esquecer o que foi aprendido pra poder ter a emoção de volta e abandonar a opressão dos enredos, dos fios, dos corredores e dos títulos que não levam a lugar nenhum....

Compartilho com vocês meu sonho, se enxergarem algo mais revelador onde eu possa aprender me digam...

domingo, 19 de setembro de 2010

aprendi lá no sertão...


O moço do sertão me disse compenetrado, balançando na cadeira o pensamento:
"Maria Bonita antes de Lampíão era casada com o sapateiro Zé Neném...lá na terra de vocês a Anita antes do Garibaldi, era casada com sapateiro também...profissão mais perigosa que ser sapateiro não tem!!"

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

para ler, fechar a boca e abrir os braços...

Qtas vezes a gente passa batido, se antecipando
com palavras que depois se revelam totalmente dispensáveis...

A importância de fechar a boca e abrir os braços

Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida.
Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez.
Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema "Como pôde fazer isso conosco?" Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela.
Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes?
Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço - com alguma frequência - quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe.
Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe:
"Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços."
Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.
Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto.
Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido - e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia.
Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços.
Kim correu para eles dizendo: - Desculpa... Desculpa - repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la
assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.
- Eu também sinto muito, Kim - disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures.
Ainda bem que você não se cortou. Felizmente, ela me perdoou.
O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.
Quando meus filhos eram adolescentes - todos os cinco ao mesmo tempo - me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação.
Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por vezes, ruidosa e unilateral.
Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis.
É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto.
Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com "o que você acha que devemos fazer agora", em vez de ficarmos presos a "como foi que a gente veio parar aqui?"
Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família.
Um deles veio me ver há alguns meses e disse "Mãe, cometi uma idiotice..."
Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha.
Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira.
Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.
- Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.
É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.
(recebido por e-mail sem a autoria).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Exercitando a gentileza

Seja gentil. Faça com os outros aquilo que você gostaria que fizessem a você. Exercite ao máximo a sua capacidade de compreensão, de gentileza, conquiste as pessoas com atos singelos. Tudo o que você precisa, neste momento, não é pedir amor. É dar este amor, sem criar expectativas de retorno. É quando você parar de cobrar que receberá tudo o que almeja. Você sofrerá testes, no que diz respeito à capacidade de agir de forma compreensiva e gentil. Tente resistir à tentação de pôr pra fora agressividade e grosseria. O uso da palavra delicada, neste momento, faz toda a diferença!
Gentileza gera gentileza...
fonte- www.personare.com.br

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Adoro ser uma Guria de quinta!!

Sempre achei a Tânia Carvalho o máximo, uma energia e um astral admirável e contagiante, por isso cada vez que ela e o Matheus me convidam pra participar do programa na TV Com, fico extremamente feliz, é risada garantida!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma vida em 6 imagens!

A Pixel é uma empresa legal, formada por dois fotógrafos ótimos a Carol Heinen e o Thiago Peraça que pra comemorar os 6 anos no meio publicitário, propuseram que cada convidado escolhesse 6 imagens que contasse a sua vida. Fui uma das convidadas, além da honra, adorei parar e pensar nas minhas importâncias...
Como lá estão só as imagens, sem as legendas, senti necessidade de explicá-las, vocês não podem imaginar como é difícil, escolher só 6 imagens pra contar a nossa história, aliás tentem, é um grande exercício de auto-conhecimento.
A primeira foto que lembrei é essa que o pai da minha filha fez numa tarde, que eu de pés descalços, sentada na grama amamentava a Alice. A maternidade não foi uma escolha nem uma insistência minha, não me imaginava uma boa mãe, temia a responsabilidade e a minha possivel incapacidade, e assim como todos os medos paralizantes, nunca planejei. E pra minha grata surpresa, Deus, anjos, espíritos e a propria Alice planejaram e me soube mãe já com 2 meses de gestação. Foi e é minha maior alegria e realização, talvez pela ausência total de expectativa, curti cada detalhe dessa gravidez, todos lindos: a primeira ecografia, ouvir o som do coração, planejar o quarto e a casa em que ela merecia morar, as roupinhas, o nome, os movimentos internos e a sensação inesquecível do primeiro olhar no nascimento e da amamentação. Imopssível descrever a emoção que é ser mãe, impossível dimensionar esse amor até senti-lo, mas acho que essa foto expressa o meu encantamento, e é isso mesmo, a maternidade é uma espécie de presente encantado e eterno, nunca alguém deixa de ser mãe, feliz de mim que tive essa oportunidade!


Outra imagem que diz muito é essa foto da nossa família, que é pequena mas que é TUDO: quem eu sou, a forma que eu penso e sinto, meu jeito de rir e encarar o mundo, meus valores, minhas certezas. Tenho muito compaixão de quem não tem uma família pra contar, um ninho e um colo pra voltar...

Igual importância tem a familia que escolhemos, os amigos, com quem podemos ser plenamente, rir, chorar, confidenciar e brindar. Minhas duas amigas de fé Luiza e Simone não poderiam faltar nesse meu apanhado de vida. Elas são de uma importância sem fim, são a minha tribo, as almas que escolhi ter por perto e felizmente encontrei e reconheci.

Se feliz é quem tem um trabalho que lhe dá sentido, mais feliz é quem tem sócias-amigas e com a mesma incansável intenção, de crescer, de acertar, de sempre nos superar. Minhas Super sócias, na foto da inauguração da Super Agency não poderiam faltar!

Outra importância fundamental na vida é ter um passado, uma referência ou um currículo que nos encha de orgulho, essa foto mostra bem isso, o quanto fui realizada e feliz, ao abrir e trabalhar na Elite por mais de 15 anos, uma sensação de dever cumprido.

E por ultimo, uma foto de viagem, sou uma turista vocacional, AMO VIAJAR. É como tirar os pés descalços, como tomar banho de mar, viajar lava a alma, coloca ela no sol e a deixa voando no vento, renova! E isso vale para qualquer saída da rotina, qualquer mesmo, um passeio pelo interior, pegar uma estrada sem destino, ir pra Itaqui,pro Vila Ventura, pro Integria, pro Rio, pra Buenos Aires ou pra Europa, TUDO LINDO! Sempre uma oportunidade de conhecer gente, ampliar a visão e me reconhecer por aí... Inventei um album de fotos no Orkut e no Facebook que se chama: meus pés que andam e se deliciam...e registro meus pés por todos os lugares onde eu andar. Esse mar lindo, é em San Sebastian, país Basco e eu gosto do que ela representa, minha busca por paz!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sintomatização...

Minha amiga Valéria Gazzola que sempre me faz prestar um tantinho mais de atenção na vida, hoje me manda a seguinte mensagem:

O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza
O coração enfarta quando chega a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Preste atenção!


O plantio é livre, a colheita, obrigatória ... Preste atenção no que você esta plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!!

ps-Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.

Mas cá entre nós, tantos outros males podemos nos causar, né? Se por um lado é uma pena, por outro é uma dádiva se reconhecer com poder de se adoecer e na mesma medida de curar, e ser um curaciente, como outra amiga Simone Oliveira, chama quem se propõe melhorar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

duas cenas de uma só personagem...

Cena 1 – eu ingênua

Eu sempre tentei proteger a minha filha da realidade. Como ás vezes tento proteger a mim mesmo, fugindo de algumas notícias e de horrores que a TV e a internet me fazem engolir goela abaixo, uma alienada? Sim, ás vezes...
Evito os programas e as notícias sangrentas, pago uma TV á cabo para que ela assista filmes e séries que me pareçam mais de acordo, para que possamos assistir programas que não nos tirem o sono, censuro filmes e cenas, tento bobamente e em vão, preservá-la...
Enquanto assisti o filme: “quem quer ser um milionário?”, ela assistiu um de 3D com as amigas na sala ao lado, jamais pensei que ela pudesse assistir aquele filme comigo. Talvez se tivéssemos visto o filme juntas, eu teria percebido que minha filha já formou um olhar sobre o mundo e a vida, sem a tal ingenuidade que eu supunha ainda poder preservar.
Esse assunto veio até o nosso almoço, por que um amigo que assistiu o tal filme acompanhado da filha de 10 anos, me disse chocado que ela percebeu a má intenção do apresentador “dando” a resposta errada, enquanto ele havia sido enganado pela suposta benevolência. Eu também acreditei, que aquele “Silvio Santos indiano” queria ajudar, tinha se compadecido com o esforço e a pobreza daquele menino,tinha se lembrado de seu próprio início...
Quis saber qual seria a reação da Alice e ao contar a cena, ela sem titubear me disse: É claro que ele está dando a reposta errada!
Pode parecer esquisito, mas eu fiquei um pouco triste de ver crianças ou pré-adolescentes (será toda uma geração?) ,com esse grau de “esperteza”, que eu entendi como essa incapacidade de crer.
Comento com a minha filha e ela me diz como se formulando uma tese: “mãe, nós temos muito acesso a informação, não somos crianças como vocês imaginam, não somos ingênuos, sabemos que o mundo é o que é...
Tu é ingênua mãe!”
Ah, sim eu ás vezes sou...e gosto... Pollyanna vive... Santa ingenuidade, Batman !

O mundo pode ser terrível: frio, calculista, ganancioso, violento, eu estava bobamente querendo preservá-la disso, mas...Ela já percebeu!


Cena 2 – eu precisando crer

Noite de domingo em Porto Alegre, frio cortante
na cama embaixo de cobertor e edredon
vejo uma entrevista com meninos que moram nas ruas:
repórter:_É Deus quem te guia ?
menino:_ Tomara!

Que esperança e crença
pode ter um menino que além de morar na rua,
dorme empoleirado no toldo dos corredores de ônibus,
para se proteger dos "grandes"?
Esperança que exista alguém ainda maior que possa protegê-lo.
Tomara!

Eu como aquele menino de rua, tenho optado por crer que existe sim um Deus, uma vida depois disso tudo, uma vida antes , onde tudo possa se justificar e ter enfim um sentido e justiça...É insuportável não crer, é insuportável que a vida desses meninos e de tantas outras pessoas, seja só um amontoado de dor e carência e que ao final, tudo termine assim...Uns morrendo de dor, outros de frio e de outras tantas formas desumanas.
Prefiro e preciso acreditar que um Deus lá de cima olha, abençoa e de alguma forma promete dias melhores...Mas também não posso negar, que temos uma parcela de culpa horrível, no estados de todas as coisas e vidas.
Em um dos filmes que compõem o documentário11 de setembro, quando a professora comenta que um avião destruiu uma das torres, um menininho pergunta:
_ Foi o Deus?
Ao que uma outra menina responde:
_ Não seu bobo, o Deus não faz aviões, o Deus fez os homens!

Tem muito “humano” por aqui brincando de Deus e destruindo vidas, tem muita gente fornecendo as armas para depois, baseado no “perigo que é alguém armado” se outorgar o direito e o dever, de ir até lá desarmar, matar e “cuidar do território”.
Tem muito “humano” fomentando a violência, patrocinando e lucrando com o crime e toda uma série de injustiças sociais, para depois pedir pena de morte.

Que haja um Deus e que esteja de olho em tudo isso!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Para ela que eu invento escrevendo...

Uma senhora
Desligou ansiosa

O programa de variedades
Da tarde

E procurou um disco
Antigo

Para ouvir
De olhos fechados

Um carregador de móveis
Largou um sofá
E sentou-se

Leve

E o senhor
Com a vassoura

Varreu folhas
Como se fossem flores

E inventou seu perfume

E uma quadra inteira
De prédios

Amenizaram seu concreto
E os passos alargaram
O sentido

Da calçada

Porque falávamos
De mãos dadas

Everton Behenck



Ps-Em plena lua cheia, a poesia do Everton me acendendo o desejo de andar de mãos dadas e contagiar o mundo com alegria, cor e leveza.

domingo, 25 de julho de 2010

mulher de lata?

Minha linda amiga, voltou a escrever...voltou...e eu como me reconheço nessas palavras...posto aqui...também ando um pouco mulher de lata...
..."Depois de muito tempo eu volto a escrever. Volto a escrever porque estou precisando sensibilizar-me com algo. Confesso que passei algum tempo da minha vida à parte de mim mesma. Tempo em que eu não me deixei "tocar" por quase nada...

...Eu perdi a razão juntamente com a emoção e passei a chorar menos, a calar mais e a me entregar quase nada. Para dentro da minha concha carreguei comigo lembranças que não compartilho, atitudes que questiono, sentimentos que teriam durado uma vida se não fosse a própria vida.

...Assim, construí minha armadura - a mulher de lata. Ah, e careço de mais silêncio, porque o ruído me incomoda, porque as palavras já não fazem tanto sentido e as pessoas estão desaprendendo a usá-las. Hoje me vejo e sinto desprovida de ilusões - e não, não é um estado depressivo - é presenciar o mecanismo de desastres em que encontra-se toda a humanidade. Não tenho vícios, nem um vizinho sociopata, trabalho para pagar as contas, gosto de dinheiro, do Pequeno Príncipe e das sensações confusas que a vida proporciona. Não gosto é de museus, da delinquencia humana, da sobra de assunto que há no mundo. Passei a gostar cada vez mais de gatos e muitas vezes questiono se um dia tudo isso vai mudar, se eu vou voltar a sentir como antes, se vou ouvir uma música e chorar, se passarei a entender o dia dos namorados, o Natal, as bodas de todos os materiais, o dia depois de amanhã. Não sei."

...
Conheçam Muito além do ponto, leiam esse texto por inteiro, tenho certeza que vocês vão gostar e enxergar toda a beleza da alma minha amiga!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ter um amigo....

Ter um amigo é como voltar ao pátio, descansar na rede, numa tarde de antes, é ter na alma um sorriso e uma alegria genuínas! Ser e ter um amigo é uma delícia, agradeço á todos os meus amigos ontem,hoje e sempre!

foto Tejard - acervo

“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.(...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.(...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."


Um brinde aos amigos!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

o tempo...



hoje soube com clareza
o tempo de cada vida
o tempo de adoecer, inclusive
para permanecer atento
o slow de uma onda
que se quebra devagar
de um pôr-do-sol
inundando cor lentamente
a necessidade
de ser permitir parar
a poesia de vivermos
e sermos
no tempo
necessário e preciso

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O lado oculto do girassol by Vicente Sampaio


Caio Fernando Abreu dizia que: "a margarida é o desespero cercado de paz por todos os lados"... Vendo essa foto linda do Vicente eu saquei: o girassol é o desespero que oculta e é sustentado por verde esperança...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

o amor...

a felicidade por Hermann Hesse...
"Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.
O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
...O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar."

Hermann Hesse

Como o mundo é sincrônico e o amor está no ar, abro a Elle e leio um comentário da Demi Moore falando seu casamento:
"Ele ama o meu lado mais vulnerável e não atraente, eu me sinto desejada"

olhar fresco

Ana Jácomo: "A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar.A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu".

quinta-feira, 8 de julho de 2010

da importância...

Hoje na primeira hora da manhã um amigo querido que não vejo há um tempão entrou no MSN e me disse: “Acordei lembrando a tua importância na minha vida, e aí vim aqui te dizer que não me importo de não te ver nunca, basta saber que tu existe, te adoro!”
Pra carimbar tudo isso, me mandou a musica Dez mil dias da Amelinha e que diz:

Vou me lembrando agora
Dos dias que eu já vivi
Mais de dez mil dias vão indo embora
Ai, é natural eu estar assim
Sonhei de mais, nem percebi
Que esse tempo passa
E a gente nem nota
Mas não, eu não quero
Viver me iludindo
Enfrento meu medo
Pra vida ir seguindo
E tudo que tenho a fazer
É não deixar de viver
Quando o caminho se abrir eu vou


Estou compartilhando isso com vocês, por que fiquei extremamente sensibilizada com o carinho dele e por perceber que a nossa amizade sobrevive mesmo sem o tanto de cuidado que deveria: há muito tempo não visito meu amigo, nunca mais sentamos horas a fio pra falar da vida, não sei o que ele anda sonhando e aprontando, ele também não sabe muito de mim agora, nos gostamos e vibramos com as nossas novidades á distância, torcemos um pelo outro, mas sabemos que “o tempo passa e a gente nem nota” e ás vezes não percebe ou não chega a dizer a importância das pessoas para continuarmos sendo... Ele ao me dizer me acordou pra isso...

Assim escrevo eu homenagem ao meu amigo Padaria, apelidei ele assim, por que sempre tinha um sonho novinho pra compartilhar comigo, pra dizer que ando com saudade de ter tempo pra nós, pra ouvir as musicas que ele baixou na internet, pra falarmos de filmes, pra rirmos e nos emocionarmos falando das trapalhadas e do passado, pra contar das viagens, pra planejar algum coisa lá adiante, pra ver enfim o que a vida tem nos feito e dos medos e dos caminhos que estamos seguindo.
Meu amigo me conhece frágil e forte, já me viu chorar de boca aberta, já me levou pra gritar quando a dor não cabia em mim, me levou no aeroporto numa viagem que era definitiva e como bom amigo que era, só me abraçou e disse: sei da importância dessa viagem pra ti. Não encana e aproveita tudo! Eu me senti cuidada e entendida, e aproveitei...
Acho que ele está certo, tem gente que ocupa outro patamar de importância e de intimidade, independente de mantermos contato, nos sabemos possíveis, nos sabemos disponíveis se o outro precisar, sabemos que ali tem alguém pra contar, alguém que É. Saber que existimos e nos entendemos até em silêncio, nos garante a permanência.
É imprescindível ter alguém assim na vida, tenham e não se esqueçam de dizer essa importância.

Valeu amigão pelo toque e por me deixar emocionada o dia inteiro, também te adoro e agradeço a benção de termos nos encontrado nessa vida e de sermos amigos!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Lições para viver melhor!

Meu amigo Tejard me apresenta esse texto lindo, que registro aqui:
Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, em The Plain Dealer, Cleveland, Ohio

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno...

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você...

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras: Em cinco anos, isto importará?'

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo...

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.

Em homenagem aos meus 46, segue o meu conselho:

46. Trate todos os demais como deseja ser tratado...

sábado, 26 de junho de 2010

Sempre achei Oswaldo Montenegro...um grande poeta...



Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.



Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim o meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás a porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente mas eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava...

terça-feira, 22 de junho de 2010

O P se foi...

Já perdi muita gente, ou melhor seria dizer, já convivi com muita gente,já amei muita gente que não está mais perto,não está mais aqui... já senti diversas vezes essa dor de nunca mais...Nunca mais aquele abraço, nunca mais olho no olho, nunca mais a voz, o conselho, nunca mais a presença física...
Hoje foi o P, em outubro foi meu pai, ontem o Saramago, é natural as pessoas passarem e marcarem a nossa vida, como é natural que sigam...
Mas hoje, assim como todas as vezes que a morte me chega perto, voltei a perceber e espero não esquecer, que é realmente preciso viver no agora!
Abandonar os planos pra 2012, a viagem pro final do ano, NY com neve, Paris daqui há dois anos, o pedido de desculpa e tudo isso que a gente bestamente coloca lá adiante sem nenhuma garantia de concretizar...Por que DECIDIDAMENTE O FUTURO NÃO EXISTE!
Não preciso perder mais alguém para enfim me focar no hoje, na desculpa do momento, na palavra e no abraço enquanto as pessoas importantes estão perto de nós, ao alcance! Enquanto a vida acontece...
Que o P esteja na luz e que a gente saiba aproveitar a vida, vivendo-a plenamente, sem projeções e desculpas...

domingo, 13 de junho de 2010

pra lembrar de um amor bom...


Em tempos de amor, relembro uma história antiga e todos os seus significados, amor bom tem que ser acolhedor, tem que ser lotado de admiração e cuidado, um amor bom deve nos fazer melhores...um viva aos amores assim!

Tive um amor especial, com quem compartilhei momentos únicos, com quem não temi a tal intimidade, quis com ele fazer horta, dividir casa, cozinhávamos juntos, fazíamos pão (foi ele quem me ensinou), colocávamos a mesa na rua e comíamos embaixo da lua, com luz de velas, ás vezes fazíamos baile e dançávamos na sala, desde imitações cômicas de John Travolta nos embalos de sábado à noite até musicas muito lentas e perfeitas pra namorar, conversávamos muito até quase amanhecer ás vezes, e compartilhávamos emoção e lágrima quando elas vinham, ríamos juntos, admirávamos mutuamente e vibrávamos com cada conquista de um e outro, enfim um amor dos bons, e falo isso não só por saudade, mesmo que ela venha ás vezes, mas para me lembrar como um amor deve ser: cúmplice, feliz, saudável e lúdico.
Fazia parte do nosso amor bom, ouvirmos de verdade, e isso pode soar meio artificial ou com ares de idealidade, mas posso exemplificar: se ao conversarmos com alguém ouvirmos, o quanto gostava de um tal doce de leite vindo do Uruguai, que comia na infância, esse detalhe ficará armazenado e será lembrado se um dia formos ao Uruguai ou se nos depararmos com um doce de leite, entendem? Vamos querer e poder dar de presente esse pedacinho de infância, que nos foi confidenciado. Simples assim!
Era assim que em tardes de astral baixo (que eram reconhecidas em simples telefonemas, também faz parte do bom amor reconhecer quando um carinho extra se faz necessário) eu recebia visitas surpresas dele com “tijolinhos”, balas de bananas, ofertas de massagem nos pés, chás e bolos, flores colhidas ao acaso, lembranças, etc...
Foi assim que no jardim do meu prédio, bem debaixo da minha janela, ele plantou um jasmim, por que num determinado dia contei o quanto caminhava e modificava caminhos para sentir aquele cheiro, quando era adolescente, lá em outra cidade. Ele lembrou e quis me dar aquele perfume de presente todo dia e um pouquinho de adolescência, o que é sempre bom.
O amor não pode continuar, nunca mais nos vimos, por garantia e pra me preservar de ataques súbitos de saudades na madrugada, deletei da agenda todos os telefones de contato, guardei numa pasta bem longe dos olhos alguns tantos e-mails e palavras que trocamos, enfim tentei fechar um pouquinho o coração, porém permanecia lá o jasmim, me olhando e recebendo água sempre que possível, nunca mais deu flor é bem verdade, mas ainda assim era o jasmim e todos seus significados.
E esse é o assunto, que queria contar...
Só ontem, percebi o quanto aquele jasmim, que ainda poderia florescer, era simbolicamente o nosso amor especial e minha esperança.
E percebi isso ontem, por que ao chegar em casa, vi que o jardineiro novo, “organizando” o jardim, arrancou o meu presente, toda e qualquer possibilidade de perfume e novas flores, assim de um dia pro outro, não tenho mais...
Talvez essa história tão minha, não lhes diga nada, mas preciso contá-la para lembrá-los como um amor bom é fácil e simples de cultivar.
Se um único amor, brotar a partir desse exemplo, vou sentir cheiro de jasmim no ar. Assim de uma outra forma, além das boas lembranças, permaneceremos eternos.

Que a eternidade do amor é assim...

sábado, 5 de junho de 2010

ando sem rima...

É assim, de tempos em tempos, um silêncio bem paralisante me abate e eu quase esqueço que um dia as palavras me saiam fácil e as rimas faziam sentido.
...tenho vivido assim silenciosa e atenta, ouvindo, lendo os outros e comentando o que me bate, na falta de outros sentidos, lanço aqui um pedacinho do que eu sinto e encontrei nos comentários do Clube do Bem:
...ao ingerirmos são girinos, mas viram sapo lá dentro, não saem e consomem vida coachando nossa incapacidade de colocá-los pra fora...

É bem provavel que eu esteja com alguma lagoa por dentro(lotada), me impedindo palavra...

domingo, 30 de maio de 2010

debatendo...

são só linguas
línguas
diferentes
destoantes
teses
dissonantes
são só corpos
e seus argumentos
armamentos

são gêneros
planetas
dispares

e bem no fundo
só são línguas
que não se encontraram
uma lenta entrega

e sofrem
pela impossibildade
de...
romperem
esse
silêncio
de
corpo
e
alma

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bom, ruim, assim, assim...por Pedro Bial



A vida é curta demais pra ser só assim, assim...
Que seja BOA, como a gente sonha e merece!
Mas se for RUIM, que a gente não abandone a vontade de mudar isso, nunca!

E como bem lembra a Lu Slomka: "se é ruim, que a gente viva todo o ruim para aprender a notar quando o bom começar a chegar. Porque ele, chega...ah, sempre chega! :)"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

enluarada

tenho necessidade de luz
pés ávidos de mar
tenho um peito
que requer luas grandes
pra comportar poesia...

a poesia da lua no mar by Alexandre Godinho

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Da natureza das pessoas... por Everton Behenck

Uns foram feitos
Para a felicidade

Outros ardem

Uns foram criados
Para não ver nada

Outros para intuir a verdade
Mesmo em sua incapacidade

Uns foram feitos para a cama
Outros mesa e banho

Uns não sabem seu tamanho
Outros criam sua estatura

Uns foram feitos
Para a loucura

Outros para a lacuna

Uns feitos
Para o que podem suas juntas

Outros para a busca
Nua

Uns foram feitos
Para serem precisos

Outros
Para lutar com o invisível

Gosto tando das poesias dele, espiem e gostem também Apesar do céu...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

gente com fogo...

A vida tem me dado poesia, como sempre...Só não tem me sobrado tempo de compartilhá-la...Por que o tempo anda pequeno mesmo acordando as 6 hs da manhã, aliás assistir o nascer do sol é uma forma muito suave e revigorante de alegria.
Mesmo que rapidamente e sem todo o cuidado e os detalhes que a noite merecia para ser contada, preciso contar o tanto de poesia que vivi ontem, lá vai...
Tenho uma amiga, grande Simone que sorri enorme,faz florais,é mãe, canta, escreve, corre, faz natação, trabalha feito louca e ainda por cima arranja tempo pra estudar: Francês e participar de uma oficina de escrita com o Alcyr Cheuíche...ah, esqueci de um coisa muito importante, minha amiga é casada com meu também amigo Ronaldo e eles adoram RECEBER , assim mesmo em maiúscula...Acendem velas e lareiras, abrem vinhos e champagnes, cozinham e naquela cobertura linda e aconchegante, nos fazem sentir em casa.
Ontem houve uma aula especial da oficina, lá na cobertura-casa, eu fui convidada a participar e amei. Lá estavam os colegas especiais e a Simone,todos com seus textos ótimos, a energia contagiante do Cheuíche e o doce Paulinho, mestre em musica que tira sons fantásticos de um serrote, lá estavam as emoções, as lembranças, os sonhos, lá estávamos todos em casa, sorridentes e acolhidos, pelas palavras ditas e sentidas, pelo dedilhar do violão, com a certeza de que poesia bonita é essa que se vive diariamente...Linda noite, que eu jamais conseguiria descrever em palavras, noite de sarau, noite de gente viva e plena. Gente com fogo por dentro, gente que nunca será tapera.
.....
Escrevi este post ontem e fiquei com essa sensação por dentro, gosto de quem usa combustão pra funcionar, que precisa fogo, que funciona á base dessa energia, falando assim parece mecânico, mas não...Gosto de gente que é acesa por dentro, gente fogão a lenha, gente lareira, gente sol, gente que ao abraçar aquece, que ao falar nos acende também, gente que olha e tem luz no fundo, que rindo parece que acende um farol, tem muita gente assim, chego mesmo a acreditar que um dia fomos todos assim, gerados e abençoados com uma faísca piloto e no correr da vida fazemos o fogo grande, bonito, aconchegante, doce ou não...
E o não, é: ou apagar de vez a chama original sem chance de reacender e virar essa gente de olhar baço, ombro pra baixo, pés arrastando e ânimo idem, ou virar essa gente do mal que cospe fogo, queima com olhar epalavra, que é exímio em destruir, gente chata e áspera, que torra o saco literalmente de qualquer um...
Como gosto de escolher quem vive do meu lado, escolho quem me faz bem...Escolho conviver com gente boa.E gente boa no meu conceito, e a noite do sarau me reforçou isso, é quem ajuda a me elevar, sabe fogo de balão? Gente que me ajuda no vôo, que me acalenta no frio, que me garante que nada vai me apagar simplesmente, gente que sei que vai ficar do lado quando a chama piloto ficar fraquinha, e vai me ajudar a reavivar o fogo.

“Gente é pra brilhar” cantava o Caetano, gente é pra queimar digo eu, no melhor dos fogos, no fogo dos sentidos, cheiros e gostos, no fogo de desejos bem curtidos, tem a ver com tesão esse fogo, mas só com sexo não sobrevive, tem a ver com intimidade esse fogo, mas o dia-a-dia faz ventos perigosos, tem a ver com sonho esse fogo, mas muito mais com detalhes reais, com planos concretos, com sopros e intenções claras, com leituras, com sons, com lembranças, com tempo para curtir o calor disso tudo.
Gente boa também perde esperança, perde fé, perde amor, tem gente que perde filho e dor maior nem imagino, mas acredito que nunca se deixam perder de todo, nunca se abandonam e como estão também cercados por gente boa,(o bem é como freqüência de rádio), está garantido que o fogo vai alastrar novamente e sempre.
Gente boa não apaga nunca...Gente boa, não vira tapera*.

*Pessoa tapera, foi uma das figuras usadas pelo escritor Darcy Azambuja,lembrada numa das leituras da noite lotada de gente boa.

domingo, 9 de maio de 2010

um presente do meu presente!

Acordei com uma mesa de café toda arrumada, uma caixa linda com vários presentinhos, todos a minha cara e além de tudo isso, o notebook ligado e esse vídeo...



Ai,ai a minha música favorita e fotos nossas de todos os tempos...imaginem o tanto que me emocionei e chorei?
É uma delicia ser MÃE!!!
Ser mãe da Alice então...o máximo!
Desejo á todas as mães nesse dia e sempre, carinhos assim tão especiais!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Por uma vida menos ordinária...

Quando recebi esse vídeo lindo da Isabel Allende quis colocá-lo aqui, por que o que ela me disse mexeu com estruturas minhas que precisavam alguma revisão, talvez você também esteja assim, precisando de algum movimento, de uma nova visão, da consciência de que a vida além dos nossos umbigos: anda dura, anda injusta e já faz tempo.

As mudanças nos pertencem, o nosso silêncio e a nossa omissão podem reforçar e multiplicar injustiças, e isso, será sempre imperdoável.

Talvez você como eu se envergonhe de ser um personagem tão banal na sua própria história.

Talvez você sinta falta de alguma razão pra brigar, de alguma ideologia pra viver como cantava Cazuza, de alguma esperança em mudanças, talvez você sinta o ímpeto de ser precursor, de levantar alguma bandeira, de começar um abaixo-assinado, de botar a boca no mundo, de não deixar por isso mesmo, de fazer alguma diferença sendo melhor, sendo gentil, sendo mais humano.

Por onde andamos? Questiona a linda Elisa, a amiga que enviou esse vídeo.

Por onde andamos? Eu também me pergunto. Em que curva desistimos de buscar? Em que buraco caímos e esquecemos o lado que andávamos e o que nos movia? Quando e com que permissão ficamos tão ínfimas feito a Alice, num país sem maravilhas?

As estruturas todas são feitas de gente como você e eu, de gente que um dia acreditou e talvez por infelicidade, um dia vacilou. Gente que por mau exemplo, ou falta de força um dia foi na onda, por que resistir dá sempre muito trabalho. Por que erguer a cabeça enquanto todo o resto curva os ombros não é agradável. Por que reagir chama muita atenção, por que pode haver represálias, por que o mundo é hostil, milhões de por quês podem alimentar nossa acomodação, mas tenho certeza não sossegam a alma, não fazem noites tranqüilas, “saber e não fazer, ainda é não saber” já dizia a filosofia oriental, se sabemos e continuamos a não fazer nada para mudar, somos personagens medíocres.

Viemos ao mundo para vivermos apaixonadamente, pra sermos melhores, para nos superarmos, não devemos esquecer isso, nosso maior compromisso é com a evolução.

Como os dependentes químicos, temos que pensar na ação do dia, no compromisso de hoje, no nosso pequeno âmbito, no que se pode fazer por aqui mesmo. Pensar nas grandes causas e nos grandes movimentos pode ser desmotivador. Devemos começar com passinhos de formiga iguais aos da brincadeira: Mamãe posso ir? Um passinho de formiga por dia, um ato digno por manhã, um comprometimento á tarde, uma palavra sem preconceito á noite, uma maldade não pronunciada, uma fofoca não perpetuada, uma ajuda possível, um olhar com empatia, um movimentar mínimo de energia e já faremos diferença. Um querer melhor e já seremos a diferença.

Viver é simples, feito de escolhas diárias: boas ou más, mas sempre nossas!

Escolham pelo melhor papel, escolham ser lembrados com alegria, escolham a justiça, escolham a verdade, escolham a paixão.

Dica do dia: momento da ação sensível
Existem momentos específicos em nossas vidas que demandam a utilização de empatia, Nadia. A empatia nada mais é do que a capacidade, muitas vezes que nasce da simples boa vontade, de se colocar no lugar do outro e compreender as coisas a partir do ponto de vista alheio. Vivemos, em geral, voltados demais para nossas próprias perspectivas e carecemos de uma avaliação mais fiel, justa e sensível da realidade das pessoas que estão ao nosso redor. Cultive uma postura mais compreensiva e a recompensa virá na forma de amor, simpatia e colaboração. Você sofrerá testes claros em sua paciência, mas não deverá fracassar.

domingo, 25 de abril de 2010

pra lembrar como é simples ser feliz!

das formas da saudade

Meu pai usava palitos de dentes, um hábito da fronteira, uma birra com minha mãe, um gosto, vai saber...ficava com aqueles palitos rolando de um canto a outro da boca, mascava-os, de forma que as vezes tão íntimo e esquecido do acessório, dava umas cochiladas com palito e tudo.
Nunca gostei dos tais palitos, tinha receio que um dia engolisse, além de achar estranho achava um pouco anti-higiênico, mas eram dele.
Ah, como são estranhas as lembranças e embrulhadas ás vezes, modifiquei meu desgostar...
Digo isso, por que agora que meu pai se foi, deu pra aparecer palitos aqui pela minha casa, em algum cantinho está lá, plena a saudade de meu pai, eu pego eles com cuidado, como se pudesse abraçá-lo, pisco pro céu agradecida, entendo e guardo com carinho os recados do meu pai.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nem mais no cinema, temos garantia de final feliz!



Nem mais no cinema, temos garantia de final feliz!
Escrevi essa constatação numa época que buscava desesperadamente um final feliz, buscava que ao menos a telona e o escuro me acolhessem com essa possibilidade, não foi um tempo fácil, como não são fáceis os finais, os amores e as não garantias da vida...
Hoje uma amiga me disse que deveria ter uma legenda nas locadoras sinalizando que aquele filme tinha final feliz, lembrei de mim...
Queria ter alguma grande tese, como essa que o Guel tenta desenvolver no filme Romance...Será a infelicidade a tônica de todos os romances? Será o que nos move? Será mais fácil conviver com um que outro surto de felicidade do que com uma paz, estável e amorosa? Será que uma paz amorosa estável é viável?
Como a Nancy do Chico Buarque eu poderia cantar tragicamente num tango: "quem sou eu para falar de amor, se amor me consumiu até a espinha...O amor jamais foi meu, o amor me conheceu, se esfregou na minha vida e me deixou assim..." Há tempos eu não sou tão trágica, "deve ser da idade" me socorre a Marina, ou uma constatação forte e mutante como lua cheia: somos seres apaixonados e a paixão não é bichinho domesticável, somos seres sedentos e talvez o mundo nem tenha assim tanta água, ou quem sabe seja simples como já disse o Vinicius, os amores são eternos enquanto duram e frágeis...frágeis como somos nós, querendo garantias na eternidade...Querendo estabilidade de pés firmes, no que é vôo na essência...

Feliz de quem ama, feliz de que amou, feliz de quem ainda amará...

sábado, 17 de abril de 2010

A Camila voltou delicadamente...

Ela começa assim, com uma citação do Neruda:
"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras" e eu fico grata por que sei bem como é bonito se encher de flor e tem gente assim, que ajuda nos brotar e é desse tipo de energia que eu quero (sempre) estar próxima...
ah, eu gosto da Camila, e conheci nem sei bem como, mas com certeza, sei por quê, temos essências parecidas, rimos e choramos por coisas similares, por que as almas tem isso de se reconhecer, reconheci a Milla nas distâncias e aproximações da blogesfera e sou feliz que ela exista, e feliz quando ela ama, e muito feliz, agora que ela volta a ter um blog, anos e anos depois do seu delicioso e intimo Chocolate meio amargo...conheçam a Camila...
Temos mais um gosto em comum, achamos o Mark Ruffalo uma delicia.
Ah esse olhar, esse jeitinho e essa boca... são capazesde fazer uma primavera eterna, repleta de cerejeiras....

sábado, 10 de abril de 2010

nas chuvas do meu passado...



naquele tempo
quando o céu ficava cinza
uma velha brigava com o vento
cobria os espelhos
e guardava palmas bentas
pras tempestades
eu criança e alheia a tudo
brincava na chuva
com bolitas brilhando nos olhos
fazia arco-íris

lá, eu tinha todo o tempo do mundo
e infinita
não tinha medo, nem gripe

.....

Lembrei como as chuvas, e não as palmas, me pareciam bentas na minha infância, eu gostava de comer chuva, rindo de boca aberta, eu me sentia livre e solta, eu morava perto de um rio que ás vezes subia e nos fazia passear de canoa, foi isso que ficou, nada era realmente trágico aos meus olhos, nada...Tudo de alguma forma era uma nova possibilidade de brincadeira.

Procurando o olhar de uma menina que me fez lembrar a importância de brincar, achei a Roberta que numa janela agora on line, continua rindo e abanando, como antigamente, mas acima de tudo, tentando fazer o bem...

A menina que me tocou ontem, é uma dentre os tantos desabrigados pela chuvas no Rio, perdeu toda a família. Num desses exercícios de maldade que me parecem ás vezes o jornalismo, foi levada pela equipe da Rede Globo de volta ao morro desvastado pela água. Olhava ao longe, sacudia a cabeça e enumerava: "ali tinha a nossa casa, ali uma creche, ali era a nossa vizinha...Agora, eu vou ficar na minha tia por uma semana e depois vou ter que tocar a vida."

A capa da veja que traz o Cristo Redentor chorando diz: "Culpar as chuvas é demagogia. Os mortos do Rio de Janeiro que o Brasil chora foram vítimas da política criminosa de dar barracos em troca de votos".

Essa menina pouco maior do que eu na chuva das lembranças, nunca experimentou a sensação de eternidade, aquele olhar duramente amadurecido provavelmente nunca terá a leveza minha e da Roberta ao lembrar das águas, aquela menina e tantas outras já nasceram sob o signo do medo e do desamparo, são vítimas sem o direito abençoado de serem crianças e eu sofro e fico cinza por todas elas...

A chuva sob o olhar do meu amigo Alexandre Godinho.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

sexta-feira á noite...

Primeira festa de 15 anos da minha filha...fazer hora pra buscar...bebo um vinho e espero em paz, plena sexta-feira...
Bá, o tempo é uma coisa rápida, antes era eu querendo amanhecer...
Agora ah, agora acho tão divertido um bom happy-hour seguido de uma boa noite de sono, um bom amor pra dormir abraçado tão diferente daquela outra época de busca de emoções mais borbulhantes, de pistas, de curtir o sol nascer ainda com a roupa da festa e os sapatos altíssimos que na manhã sempre apertam além da conta, tenho um pouco da saudade das canjas restauradoras,mas não estou reclamando, nem saudosista, juro! Tenho certeza que o tempo me fez melhor,mais seletiva,mais exigente, mais firme nas escolhas.
Não fico em bar que me atende mal, não tomo cerveja quente ou champagne que não seja brut geladíssima e boa, não volto em restaurante de comida meia-boca, não danço em pistas que me obrigem a ficar parada na fila (fila pra fazer marketing, ainda? Isso é tão antigo!), não me submeto a esperar, não aguento a falta de consideração ou os maus serviços, enfim podem dizer que fiquei velha ou chata, talvez...Estou na vida tempo suficiente para com conhecimento de causa escolher o que me faz bem e não aguentar o que me desagrada.
Ouvi a Madonna dizer um dia : "Se eu não aproveitar o tempo pra adquirir sabedoria, vou aproveitar pra quê????"
É assim não é?
Ai, Jesus, me abana!!!! ahahahhah