terça-feira, 15 de dezembro de 2009

o ano termina e nasce outra vez...

Grande texto meu amigo Marcelo, postou ao fazer um relato emocionado do ano e tudo que viveu (Fim de ano à John Lennon!), ao lê-lo fiquei querendo fazer a minha própria retrospectiva, segue minha tentativa.

Está indo o ano e ele passou tão rápido que parece ter me atropelado, deve ser por isso a sensação dolorida e sem muito sentido, mas não quero falar de dores e reprisá-las, quero lembrar o depois de todas elas, que uma dor sempre tem depois e o depois sempre traz um grande aprendizado.

Esse ano ímpar me deixou órfã, levou meu pai e a sensação de que juntos éramos mais forte e poderíamos resistir. Ele não resistindo me tira metade da força e me acrescenta um pouquinho mais de sensação de abandono, mesmo assim me obriga a continuar e viver ainda melhor e consciente, com o auxílio e benção de um novo anjo da guarda.

Em 2009 sobrevivi e renasci profissionalmente abandonando um projeto de mais de 15 anos e que já estava há muito defasado (demoramos a admitir que as mudanças sejam necessárias, demoramos o tempo de adquirir força e coragem), pois entrei janeiro saturada e cutucando forças suplementares/coragem/necessidade abandonei um projeto de validade vencida em prol de outro novo e meu (nosso) e que termina o ano com saldo positivo e com três sócias parceiras e sorridentes. Ter um negócio próprio em plena crise parecia uma loucura, pois não demos bola pro medo e podemos dizer que as mudanças são fundamentais e necessárias, principalmente no meio do caos.

Ao amor que por falta de jeito, receio de inabilidade e medo havia fechado o coração, voltei inteira, voltei com saudade, voltei com sede de semente que não morreu e renasce verde e colorida. Voltei com saudade de ninho e aconchego, voltei tentando vencer o receio da intimidade, da exposição, da entrega. Mesmo que vez ou outra reprise idiotices sabe que sou melhor, muito melhor amando do que cercada de descrença.

Neste ano ganhei uma filha adolescente, de uma hora pra outra e é bem essa a sensação, minha filha cresceu e começou a me olhar não só com admiração, muitas vezes com aquela crítica velada que faz a adolescência ser um momento tão difícil e solitário. Tento vencer isso dia-a-dia conversando, abraçando, vendo filmes e me colocando a disposição, sendo mãe simplesmente e tirando do meu ombro a obrigação de ser sempre especial, que agora percebo era uma cobrança interna e minha.

Fiz viagens muito gostosas, pro Rio com minha filha, pro sertão de Alagoas com meu amor, Curitiba, Gramado, Garopaba, Floripa, etc... todas deliciosas e plenas o que me faz entrar 2010 com muita vontade de ter mais tempo pra sacudir a alma no sol que é a exata sensação que viajar me dá.

Tive alguns prazeres bem curtidos como um workshop com o Carpinejar num lugar lindo num final de semana tranqüilo que me deu vontade de saber escrever e ter tempo, dedicação e espaço para as minhas prioridades. Termino o ano com uma oficina literária concluída e a sensação de dever não cumprido, escrever apesar de delicioso e terapêutico não foi o ponto alto de 2009.

Livrei-me de um computador grande optando pela leveza de um note, no canto da sala onde o “trambolho” morava há algum tempo, plantei verdes que nascem sorridentes e com os quais aprendi a conversar.
Plantei flores na minha micro-sacada e assim me garanto cor diária e a certeza de que a natureza enlouqueceu; as 11 horas que a vida inteira só abria às 11 horas, hoje abrem á qualquer hora do dia ou da noite, lindas e "destrambelhadas".

Comprei sofás gordos que permitem recostar e estender as pernas, e com isso os cinemas perderam uma assídua freqüentadora. Fazemos sessões de cinema e pipoca, cinema e vinho, shows na intimidade, ganhamos muito mais prazer e proximidade com esses sofás.

Doei um armário antigo lotado de lembranças antigas, sentei e revisei meus lixos, guardei algumas lembranças e palavras que ainda precisavam ficar e fiz lixo seco do resto.

Perdi, ganhei, aprendi, repeti, me diverti, chorei, abri espaços, plantei, me desfiz, resgatei, doei, recomecei, reciclei, me dei presentes e prazeres, parei de esperar, parei de me cobrar uma postura especial e muitas vezes irreal, mais fiz do que esperei, mais falei do que calei, mais senti do que ressenti, plantei, colhi, vivi e por isso posso entrar 2010 com alguma leveza e com o desejo genuíno de conseguir fazê-lo um ano par.

Será um ano, como esse restinho foi, lotado da saudade boa do meu pai, mas um ano novo pra continuar tentando ser melhor, ser sem medo e assim ser feliz!

2 comentários:

Eleonora disse...

Nádia, querida! Muitas vezes a vida nos oferece um presente, uma surpresa boa, inesperada, mas só o tempo nos permite ter este reconhecimento. Ainda bem, porque ter te conchecido foi um presente da vida e de minha amiga Simone que, através de sua generosidade natural contribuiu para isso.
Bom te ler, bom te aprender, guria.Abração

Francis Lummertz disse...

Nádia querida, a lucidez da retrospectiva contrasta com o ímã que tuas histórias causaram na minha atenção. Adorei! Feliz Navidad!!