quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

no meio caos...

Por que chove, de novo e muito e por que o céu há pouco ficou tão escuro que trouxe de volta os alagamentos, os tornados e as perdas totais.
E por que um olhar atravessou minha zona de conforto, sacudiu minha estabilidade e me fez encarar essa calamidade de frente.
Sou privilegiada, longe de rios e dos morros, no meio dessa cidade grande e com escoamentos funcionais.
Minha casa está segura grudada em outras casas, meu telhado não voará, grudado que está com o andar de cima, morando no segundo andar estou livre das enchentes, mas são tantos os desabrigados que choram suas perdas diariamente no jornal, que a realidade me assaltou e hoje não consigo falar amenidades, nem olhar unicamente pro meu umbigo.

O olhar perdido daquela mulher em silêncio me calou fundo:
a esperança encharcada
ficou perdida
junto dos entulhos
foi levada
com a enxurrada
voou
e não volta mais
no meio do caos
nada resta
nada...
nem lágrimas...

Um comentário:

ira brito disse...

oi, nadia!
amei essa forma de expressar seu sentimento. é também um modo de compaixão pelos que mais sofrem.
obrigado pela visita
voltarei
abraço