sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

12 conselhos para um infarto feliz - Dr Ernesto Artur

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro.

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado.. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

Recebi hoje esse e-mail e mandei rapidinho para todas as pessoas que eu quero que permaneçam perto de mim.
Numa atitude protetora e totalmente egoísta, eu espalhei os conselhos que me pareceram óbvios e básicos, como costumam ser as verdades.
Eu não quero perder ninguém de forma tão estúpida.
Viver com a sensação de eternidade ou negar nossa responsabilidade por nossos atos é tão humano que chega a ser banal, vivemos fazendo isso e muitas vezes o que esse e-mail me lembrou, morremos fazendo isso.

Uma vez morreu uma pessoa que eu conversava por telefone e e-mail, e que me parecia muito legal. Era diretor financeiro de uma agência de publicidade, sobrecarregado,falava rápido, era tão estressado, que chegava a ser engraçado na loucura diária dele e vez ou outra ele mudava o clima e dizia: já te contei que vou embora? Vou morar numa ilha sem luz elétrica um paraíso sem conexão com o mundo, já pensou? Um lugar sem prazo, sem conta, sem cliente e sem buzina.Uhuuuuuuuuu!!!
Ríamos dessa possibilidade e desligávamos o telefone para tratar de algum novo problema.
O fato é que o Rubem, deve ter ido pra ilha, por que no meio do expediente de sexta, antes de fechar o dia ele teve o tal do infarto. E não cheguei a conhecê-lo.

Na época perdi dois amigos, um bem próximo e o Rubem, que por alguma razão eu sabia que poderia ser meu amigo e não tivemso tempo pra isso.
Então escrevi: Às vezes leio sobre algumas pessoas que morreram, de uma hora pra outra, sem nenhum aviso prévio, sem nenhuma doença, estavam ali vivendo bem, saudáveis e de repente, não estavam mais e penso imediatamente que se essa pessoas era quem cuidava das contas de uma empresa, no outro dia alguém estará fazendo isso, se era quem assinava os cheques, no outro dia haverá nova assinatura, a vida vai preencher o espaço da “pessoa jurídica” e o tempo vai alentar a dor da perda da “pessoa física” e vai seguir o baile. Com saudade, com falta, as pessoas continuarão tentando viver simplesmente.Simples assim...

Viver é absolutamente frágil!

Meu amigo morreu, as pessoas morrem o tempo inteiro, mas só quando alguém muito próximo se vai, paramos pra pensar nessa estupidez que é viver como se fossemos imortais, aliás não por coincidência, no orkut dele está a frase do Philip Roth: "Você continua sendo imortal enquanto vive."
A questão é que essa pseudo-imortalidade, nos tira a convicção do atos, nos tira a emoção das declarações, nos faz adiar com facilidade decisões, nos garante uma leveza forjada ao nos despedirmos das pessoas, mesmo com palavras não ditas, um descompromisso infantil de quem tem todo tempo do mundo pra arrumar qualquer estrago, deixamos pra viver depois, pra viver no futuro, exatamente lá, onde nada existe...(existe?)

PS - Torço que exista o depois, e seja a tal ilha do Rubem...

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