sábado, 28 de novembro de 2009

mexendo no passado

Lá no ultimo espaço que resta, a dispensa, me aguarda o passado que resistiu a algumas mudanças, por piedade ou apego.
As lembranças que permaneceram silenciosas por tanto tempo, devem temer meu veredicto.
Me aguardam poesias e já nem lembro que emoção que as provocaram, fotos de outros tempos, cadernos rabiscados, hora da faxina...
Estou disposta a limpar terreno, hoje estou achando quase tudo, lixo seco.
Pego um caderno muito antigo e tento adivinhar folheando o que registrei ali.
Antes do blogs, eu tinha diários, que foram substituídos ao morar sozinha por cadernos sem chave, ninguém me leria a menos que eu permitisse.
Por que será que me permiti tão exposta? Penso no meu blog-diário e não acho resposta.
Uma poesia com letra quase adolescente, ali perdida, me lembra:

Ah, essa dificuldade
que torna vago
o gesto apaixonado
que torna muda
a palavra e a vontade
que já não brinca´
por que está cansada
que já desiludiu
até perder a conta
que quer e mente
por que vê perigo
e deixa a vida
sem nenhum sentido
tornando amargo
o que devia ser doce...

e mais adiante, como um toque de Iching, uma outra poesia toda rasurada:

lavar com confort
o corpo
com omo
lavar a alma
deixar de molho
a cabeça
com q-boa
pra clarear
amaciada-branca-alva
podia recomeçar...

Guardo o caderno e respiro resignada,emoções e passado orgânicos demais pra que eu tenha pretensão de me livrar deles num saco de lixo seco.

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