quinta-feira, 19 de novembro de 2009

simples assim...

Meu amigo Marcelo, fez um desabafo emocionante lá no seu blog.
chamado Desabafo sobre a cegueira que eu aconselho seja lido inteiramente, mas parte eu trago aqui:

“... Diversas vezes me enganei. Escolhi as vendas, as peneiras e lentes no fundo dos bolsos, oferecendo jeitos para contornar. Muitas portas eu selei. Tetos desabaram. Já fingi doenças, descolamentos, fraturas, inventei dores para fugir dos nãos. Tornei-me escravo do meu próprio disfarce de vítima, virei ele. Me senti traído por essas mesmas criações.

Não posso mais reparar as ligações não atendidas, devolver os discos, curar as esperanças decepcionadas, recolorir as flores perdidas nos livros, beijar o beijo nunca roubado, enfim, refazer o que abandonei em mim por medo.

Assim foi metade do meu coração.”


Lendo percebo o quão demasiadamente humano é ter medo e hermeticamente se fechar e se justificar por qualquer não-ação, encolhendo ombros e vontades, adiando decisões e passos, fechando a boca e o coração pra demonstrações que possam nos parecer perigosas tamanha a exposição.
O quanto podemos não fazer, para não escancararmos nossa suposta incompetência, nossa fragilidade, para não nos encararmos.
Será que somos assim tão incompetentes ou frágeis? Será que somos tão incapazes?
Hoje está me parecendo que somos drásticos e isso é inegável.
Somos juízes ferozes de nós mesmos, o nosso ISO 9000 é extremamente exigente com o produto interno, assim sofremos um controle de qualidade bárbaro (de barbárie mesmo), com tudo, que por ventura saia de nós... E fatalmente temerosos não deixamos que nada saia.
Seria um medo gerando mais medo e paralisia.

Triste a sensação da metade do coração que se perde sonegada ou sufocada por aí...nesses processos humanos.

Talvez por que chova tanto e no meio desse cinza externo, eu não esteja querendo remexer minhas culpas, nem provocar dores extras ou por que as quintas-feiras me deixem sempre um pouco mais leve, pensei o seguinte: Vai ver o que se perde é uma necessidade...Não que eu goste da idéia de amor de metades, mas talvez só quando a gente se perceba e se permita meio coração, sem a prepotência do inteiro, haja espaço pra se refazer em amor...quem sabe!?

Gostei de pensar o coração, a alma ou sabe-se lá onde as emoções ficam armazenadas, não como um lugar estanque, não como um cofre ou uma caixa preta ou mesmo como um órgão que possa ser partido/perdido sem volta, mas como essas massas de modelar da infância, que vão sendo acrescida de cor e forma, que vão se mesclando e se ampliando nos toques; quando e se por ventura adquirirem aquele tom verde cinzento é sinal de que já foram bem tocadas ou que perderam a validade, simplifico demais?

Quero crer que as cores e os formatos são variados e sempre poderemos pegar novo conjunto de cores e continuarmos a brincadeira.
Viver é querer continuar com a mão na massa!!!
Simples assim!

Um comentário:

marcelo disse...

Bom ver que meu post deu um belo fruto e te fez pensar! Também prefiro ver o coração como tu, em movimento sempre.
Beijão e até mais!