segunda-feira, 30 de novembro de 2009

amor como antigamente...






Só ontem finalmente conheci o amor quase impossível de Bella Swan e Edward Cullen, a adolescente apaixonada no auge dos seus 17 anos, pelo vampiro igualmente apaixonado no auge dos seus 109 anos, com carinha de 18.
Pra quem não sabe, estou falando dos filmes Crepúsculo e Lua Nova, adaptados dos livros que viraram best-seller e são literalmente devorados por milhares de jovens pelo mundo todo.

Aquelas dificuldades todas vividas pelos dois e o amor de querer morrer um pelo outro me lembrou Romeu e Julieta (sorry Shakespeare?) ou os românticos da linha Alvares de Azevedo, fatais, intensos e quase doentios definhando de amor, mas o fato é que A-D-O-R-E-I isso!

Adorei ver que o amor ali mostrado é o bom e velho amor romântico de antigamente e se tem algo que merece ser comemorado, é que essa mesma geração que suspira e torce pelo amor dos dois, é a geração que estabeleceu o Ficar como ato natural, beijando bocas sem nem saber o nome das bocas e sem uma intenção/paixão/platonice anterior ou posterior.(O que para meu romantismo é lamentável!)

Bom, pode ser só mais um romantismo meu, mas estou torcendo que Bella x Cullen tragam de volta a vontade de construir laços, relações e intimidades.
Espero que esse amor esquisito e difícil desperte acima de tudo um desejo real de beijos e amores inteiros.

Ps- será que serei pra sempre essa espécie romântica incurável? Amém!

sábado, 28 de novembro de 2009

mexendo no passado

Lá no ultimo espaço que resta, a dispensa, me aguarda o passado que resistiu a algumas mudanças, por piedade ou apego.
As lembranças que permaneceram silenciosas por tanto tempo, devem temer meu veredicto.
Me aguardam poesias e já nem lembro que emoção que as provocaram, fotos de outros tempos, cadernos rabiscados, hora da faxina...
Estou disposta a limpar terreno, hoje estou achando quase tudo, lixo seco.
Pego um caderno muito antigo e tento adivinhar folheando o que registrei ali.
Antes do blogs, eu tinha diários, que foram substituídos ao morar sozinha por cadernos sem chave, ninguém me leria a menos que eu permitisse.
Por que será que me permiti tão exposta? Penso no meu blog-diário e não acho resposta.
Uma poesia com letra quase adolescente, ali perdida, me lembra:

Ah, essa dificuldade
que torna vago
o gesto apaixonado
que torna muda
a palavra e a vontade
que já não brinca´
por que está cansada
que já desiludiu
até perder a conta
que quer e mente
por que vê perigo
e deixa a vida
sem nenhum sentido
tornando amargo
o que devia ser doce...

e mais adiante, como um toque de Iching, uma outra poesia toda rasurada:

lavar com confort
o corpo
com omo
lavar a alma
deixar de molho
a cabeça
com q-boa
pra clarear
amaciada-branca-alva
podia recomeçar...

Guardo o caderno e respiro resignada,emoções e passado orgânicos demais pra que eu tenha pretensão de me livrar deles num saco de lixo seco.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

da resistência...

sou dessas
que trocam resistências
e fazem furos nas paredes
e
aprendi tudo isso
por querer
me provar
independência...

tantas outras atitudes
simbólicas e extremas
que insisti em fazer
por querer me provar...

tão boba...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

simples assim...

Meu amigo Marcelo, fez um desabafo emocionante lá no seu blog.
chamado Desabafo sobre a cegueira que eu aconselho seja lido inteiramente, mas parte eu trago aqui:

“... Diversas vezes me enganei. Escolhi as vendas, as peneiras e lentes no fundo dos bolsos, oferecendo jeitos para contornar. Muitas portas eu selei. Tetos desabaram. Já fingi doenças, descolamentos, fraturas, inventei dores para fugir dos nãos. Tornei-me escravo do meu próprio disfarce de vítima, virei ele. Me senti traído por essas mesmas criações.

Não posso mais reparar as ligações não atendidas, devolver os discos, curar as esperanças decepcionadas, recolorir as flores perdidas nos livros, beijar o beijo nunca roubado, enfim, refazer o que abandonei em mim por medo.

Assim foi metade do meu coração.”


Lendo percebo o quão demasiadamente humano é ter medo e hermeticamente se fechar e se justificar por qualquer não-ação, encolhendo ombros e vontades, adiando decisões e passos, fechando a boca e o coração pra demonstrações que possam nos parecer perigosas tamanha a exposição.
O quanto podemos não fazer, para não escancararmos nossa suposta incompetência, nossa fragilidade, para não nos encararmos.
Será que somos assim tão incompetentes ou frágeis? Será que somos tão incapazes?
Hoje está me parecendo que somos drásticos e isso é inegável.
Somos juízes ferozes de nós mesmos, o nosso ISO 9000 é extremamente exigente com o produto interno, assim sofremos um controle de qualidade bárbaro (de barbárie mesmo), com tudo, que por ventura saia de nós... E fatalmente temerosos não deixamos que nada saia.
Seria um medo gerando mais medo e paralisia.

Triste a sensação da metade do coração que se perde sonegada ou sufocada por aí...nesses processos humanos.

Talvez por que chova tanto e no meio desse cinza externo, eu não esteja querendo remexer minhas culpas, nem provocar dores extras ou por que as quintas-feiras me deixem sempre um pouco mais leve, pensei o seguinte: Vai ver o que se perde é uma necessidade...Não que eu goste da idéia de amor de metades, mas talvez só quando a gente se perceba e se permita meio coração, sem a prepotência do inteiro, haja espaço pra se refazer em amor...quem sabe!?

Gostei de pensar o coração, a alma ou sabe-se lá onde as emoções ficam armazenadas, não como um lugar estanque, não como um cofre ou uma caixa preta ou mesmo como um órgão que possa ser partido/perdido sem volta, mas como essas massas de modelar da infância, que vão sendo acrescida de cor e forma, que vão se mesclando e se ampliando nos toques; quando e se por ventura adquirirem aquele tom verde cinzento é sinal de que já foram bem tocadas ou que perderam a validade, simplifico demais?

Quero crer que as cores e os formatos são variados e sempre poderemos pegar novo conjunto de cores e continuarmos a brincadeira.
Viver é querer continuar com a mão na massa!!!
Simples assim!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

da minha janela


eu tenho essa janela
com venezianas
onde espio o mundo

por trás das minhas costelas
ainda menina
seguro meu coração
entre as mãos

muda e apreensiva...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

inspiração no olhar alheio II...

Foto Vicente Sampaio
Em preto&branco
a tua infância roubada
teu coração virando pedra
quem me dera
acender cor e esperança
nos teus olhos

onde foi parar
o teu direito
a ser criança?

inspiração no olhar alheio...

fotos Marcelo Leães

Nessa travessa
mora a solidão
na casa da esquerda
sem cortinas nem flores
vez ou outra
principalmente quando chove
quem reaparece
é a nostalgia
são vizinhas de porta
sem nenhuma intimidade
já que ambas não sabem
(nem querem)
fazer amigos...


Permanecerá a janela lascada
a imagem transfigurada da rua
da chuva e das cores
manter esse naco de transcendencia
garante visão distorcida e ampliada
nem aí pro feng shui
que me pede ordem
e lixo
pra tudo que não mais uso
continuarei a usar o enviesado
o machucado da janela
pra lembrar
tudo que em mim também rachou
e me deu para sempre um novo olhar

mantenho fielmente
todos os meus próprios cacos
meus sonhos que perderam a forma
e alimento com sorriso
o prisma filtrado
que ganhei na dor/a cor...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

éramos nove!

fui criada entre mulheres
ruidosas nas frivolidades
e silenciosas nas dores
mulheres que faziam enxovais
e bordavam principes
mulheres com vocação de espera
que aprendiam desde sempre
a calar discordâncias
engolir desprazer
e a sonhar como escape
fui criada entre mulheres
mudas pra gritos e revoltas
cegas pra outras possibilidades
fui criada entre mulheres
ensinadas a confundir bondade
com submissão
que julgavam feio sentir
choravam escondidas
choravam cortando cebolas
e caprichavam nos molhos
para engolir mais tarde
o desprezo de seus homens
com seus olhares ocupados
distantes, distraídos

minhas oito irmãs
casaram
tiveram filhos
e cumpriram religiosamente
todos os rituais cor-de-rosa
se são felizes?
não sei, não sabem...

quanto a mim

fiquei avessa
aos temperos,
aos toques
e as esperas...

me emocionei...

E compartilho com vocês..."E descubro que, desde a infância, sua verdadeira profissão é esperar, como a de todos nós. Ele continua me esperando. Continua esperando ser chamado, notado, percebido, amado."

A ultima coluna do Fabricio Carpinejar DEVE ser lida, o endereço do blog www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br

E meu voto pra fato literário está mais do que aberto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

leveza é o que merecemos...


Um poeminha pra deixar leve a manhã...
" No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."


Mario Quintana

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

receita para desassossego...

Eu tenho um amor e uma certa paz, que nunca foi minha...antes uma angústia colocava farelos na cama e perguntas e dúvidas e anseios que não me deixavam aquietar e relaxar, era como seu eu cavasse muito e no escuro nunca estava feliz, um desasossego de alma constante...um sufoco.

Foi dessa outra parte da minha história que lembrei lendo a Carmem...Lendo lá um pedacinho de Cortázar muita saudade do meu amor me veio...e uma sensação de que um bom amor e uma intimidade plena possam curar essa ansiedade...

Mehor dizendo, talvez essa ansiedade um amor acalme, não que sare, por que nunca sara, nunca cega, nunca silencia essa outra nos espiando nos espelhos, cobranco sentidos, essa outra que é feita de nossos restos e sonhos, essa louca que nos azucrinará pra sempre por dentro...cutucando!

De qualquer forma, pra férias de ansiedade receito um bom amor!

No fundo da estrada, pura luz & sossego, o paraíso é logo ali...

Amar é levar o coração pra passear!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

das filhas...

Pegamos um táxi, eu e minha filha, logo o taxista já se rende a eloquência e a simpatia dela, o que me faz reafirmar: 'auto-estima é tudo na vida de uma pessoa'...Suspiro a auto-estima que não desenvolvi no tempo certo, enquanto o taxista suspira a sua filha adolescente e tímida.

Comento que aulas de teatro podem fazer um bem danado, mas logo percebo que a timidez da filha era um sofrimento dele, não dela. A filha ao que tudo indica era reservada e econômica nas demonstrações mas não sofria com isso, tinha gostos "estranhos" ,tinha " jeito" igualmente estranho aos olhos do pai, mas fora isso, era uma menina normal e feliz.

Comento uma passagem do livro Pequeno príncipe onde ele conta que ao exigir que uma borboleta se transforme em general, o que obviamente ela não conseguirá, a culpa é de quem exige, é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar...

O fato é que é preciso (e muito difícil) aceitar as pessoas e suas peculiaridades...É culpa nossa as expectativas e os roteiros que criamos a elas, todas as histórias, diálogos e finais "felizes" que provavelmente nunca existirão, tudo que sonhamos e delegamos aos outros é injusto...


_ Talvez o problema não esteja nela, e sim na tua expectativa...E se for assim, este problema é teu!!
Arrisquei.

Ele envergonhado disse: _É,na verdade eu queria ter uma filha mais normal...
E engoliu a ultima palavra ainda mais consciente do quão preconceituoso e ressentido era o olhar que dirigia a filha.

Pobre borboleta!