terça-feira, 6 de outubro de 2009

Simples assim...


Sou daqui filho de Maria lavadeira e do Tonho pescador: Me criei assim na lida, ajudando mainha, vendendo peixe mais pai, com esse cheiro enroscado no corpo, fiz tres anos de escola, me apelidaram de Peixe podre e fui ficando pelos cantos, olho de peixe morto me disse a Dorinha, logo ela que era a mais linda, e se riu de mim, pra escola eu não quis mais voltar, vergonha...Sei assinar o nome e faço conta, não sou analfabeto, não carecia mais que isso...continuei pescando, o cheiro? A senhora sabe que nem sinto mais?...Mainha morreu, painho perdeu as idéias, somos comigo 9, tudo espalhado no mundo, eu fiquei...a senhora quer saber por que? Nem eu sei...acho que é a água batendo no pé, tenho essa casa e esse barquinho, preciso mais nada não, não tenho nenhuma ânsia, não tenho sede de mundo, tô tranquilo, esse canto de rio me cabe, pra mim tá bom...
Podia me chamar João, José ou Antônio como o pai, mas mainha cismou me chamar Brasil, seu Brasil Pequeno é como todo mundo me chama, não gosto muito, mas é um apelido miór,né?
A Dorinha encontrei já moça feita, continuava bonita a desgraçada, disse que ia ganhar mundo, me abanou e sorriu bem encarnado, dizem que caiu na vida...
Se sou feliz? Ah, dona...sou sozinho, sem amor até se vive, mas do jeito que dá... não dum jeito de se rir besta, o que seria muito miór!

Um comentário:

Fale com ela disse...

Que lindooooooooooooooo isso. Adorei!
Beijo