segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sem forçar...

Fui sempre muito precipitada e forçava portas,forçava palavras, forçava minha presença, voltava e insistia quando já haviam claramente se despedido de mim, repetia de novo, de novo, de novo, como um Teletubbies non sense.

Mas isso tudo foi antes, muito antes quando eu ainda voava pelo jardim feito semente, feito pólen, isso foi antes de germinar em lugares das quais me arrancaram por ser impróprio, foi antes de nascer e florescer em frestas.
Foi antes de desenvolver minha alma tatu-bola, que também aprendi no jardim, só que já em terra.
Onde aprendi a me fechar aos toques, a rolar nas insensibilidades, a mudar de direção.
Não faço apologia não é melhor o segundo estágio, ser tatu-bola foi meu ônus, ser semente era puro bônus, voar sem medo e poder germinar é mais gostoso, dar frutos é mais saboroso, virar flor é mais bonito.
Mas vocês devem saber até Darwin defendia isso, quem sobrevive não é o mais forte é quem melhor se adapta, e de alguma forma, virar tatu-bola é minha sobrevivência...
Forçar a presença desgasta, cansa, dói, ouvir durezas deixa o ouvido insensível, deixa o peito áspero, ser arrancado desfaz raízes, ás vezes simplesmente não é a hora, não é a estação, não é primavera...
Voando eu tinha o vento e uma visão de longo alcance, mas aqui em terra firme eu estou mais perto, e espero germinar sem risco, dentro do meu enrodilhado guardo as mesmas sementes, só espero o tempo certo, o raio de sol, a lua e a terra mais fértil...
Espero que a primavera venha logo e alguma criança brincando comigo na palma da mão me leve mais longe do que eu possa ir sozinha caminhando...

Um comentário:

Fale com ela disse...

Gostei muito deste texto Nádia. Vou ler de novo...
Bjo