quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Me sentia mal amada...

Uma vez escrevi um poema...

A primeira vez que não me amaram
Levaram a leveza que do amor me vinha
Agora toda vez que me desamam
Levam a capacidade de amar que eu tinha...


Me sentia mal amada...
Isso foi antes de entender que a sensação de ser mal amada, era anterior ao próprio amor, era uma ânsia minha, uma postura de quem primeiro espera receber para só depois ser capaz de também doar...
Ser mal amada, não estava direta ou proporcionalmente ligado ao tanto de amor que me deram ou me sonegaram, ser mal amada era ser amada de outra forma, diferente e aquém da minha expectativa.
Ser mal amada era não ter sido olhada na hora que o olhar me faria aprovada e aceita. Na hora que meus olhos procuraram em outros olhos o que me faltava.
Não ter sido abraçada no momento em que eu estava ínfima..
Ser mal amada era ter ouvido silêncio enquanto uma unica palavra já me acalentaria.
Eu fui assim me sentindo mal amada, um pouco por que julguei que o amor era um super herói invencível, infalível e esperei que ele me salvasse. E o amor coitado, não tem super poderes, não salva ninguém, quando existe dá vontade de vôo, quando muito mostra que tem azul além, quando grande dá certeza de asas. O amor é um herói lindo e frágil.
Assim me sentia mal amada por que faltou mão, faltou ombro, faltou tempo, faltou cuidado, faltou colo, mas principalmente me sentia mal amada por que sobrou espera, sobrou desconhecimento, sobrou frustração, sobrou espaço não preenchido, faltou sentido.
Me sentir mal amada, me fez ansiosa, apressada, latente, me fez carente e ávida.
Me fez falar na frente, me fez forjar força e independência. Me fez negar por muito tempo minha necessidade de amor!
Antecipei palavras, adivinhei roteiros e próximas cenas. Fui controladora, por puro receio da destruição que o descontrole de um desamor me gerou e geraria.
A sensação de ser mal amada me roubou paciência, persistência e outras dessas ciências que facilitariam os encontros, me sentir pouco ou mal amada me deu urgência e uma antecipação de rejeição que de nada ajudaram na manutenção dos afetos, me tornando inábil, me tornando arredia, me cobrindo de medo e dor: medrosa da intimidade, da exposição, da entrega... me sentir mal amada, quase me roubou o amor.

Um comentário:

Débora Rodrigues Vieira disse...

Creio que o Amor é sim um Super Herói invencível. Ele pode tudo. O Amor, em sua essência, é a necessidade sobrenatural que temos.

O que vc chamou de amor, na minha experiência, se chama "busca". E ela é o primeiro passo. Mas... sim, pode levar a loucura até e a uma insatisfação tamanha... Como vc lindamente expressou e me tocou o coração.

O que eu estou chamando de Amor, se revela como Verdade.

É atrás dela que estou indo. Não é fácil.

Mas, por acreditar na promessa, sei que encontrarei descanso. No Verdadeiro Amor.

"E conhecereis a Verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32)